Pé de página

Parece que o município de Arraial do Cabo tornou-se o “paraíso” da Polícia Federal e outras corporações do gênero. São tantas as visitas mensais da PF que a qualquer hora dessa não dá outra coisa que o velho e surrado “pé de página”. O município precisa, com urgência, reciclar seus costumes políticos.

Amigos dos Amigos

Passados quase dois meses do governo de José Bonifácio continua a campanha nas redes sociais da Internet para a indicação de sicrano, beltrano e outros anos. E toma cacetada, como se nomear “amigos dos amigos” (não confundir com outro tipo de organização) fosse uma obrigação do prefeito.

O Maná!

Aos apressados, calma: a sua nomeação pode estar demorando, mas quem sabe no próximo Diário Oficial você será contemplado com essa dádiva divina. Verdadeiro maná para escapar a crise que aflige boa parte da população. Mais uma vez calma: as dívidas e os cobradores sempre podem esperar mais um pouco.

Boas intenções

A prefeitura de Cabo Frio tem um pacote de boas intenções em relação ao chamado ‘turismo histórico/cultural’. O problema é que os prédios históricos que restam estão, com exceção de dois ou três, em péssimo estado. Afinal, foram muitos anos de abandono e a restauração é caríssima.

Pontapé inicial

É preciso dar o pontapé inicial, trabalhar novas idéias, convênios, parcerias público privadas, mas sair da inércia é preciso. O que não dá é continuar abrigando um turismo de massa, brega, responsável pela degradação das belezas naturais e também dos equipamentos urbanos.

Cafonália

Equipamentos como o “piscinão” e o “Eu amo Cabo Frio”, são cafonas, típicos de uma cidade, que não aprendeu a criar uma identidade própria. Em qualquer lugar podem ser encontrados “monumentos” ao mau gosto, semelhantes, sem qualquer originalidade.

As Cerejas

As cerejas do bolo são os “quiosques de ouro” que tiram a visão da Praia do Forte e a Praça da Cidadania, cujos boxes, criados originalmente para atender os artesãos locais, vendem toda sorte de bagulhos da Cidade do Leste, no Paraguay e da 25 de março, em São Paulo. Ao redor, traillers vendendo “comidas típicas” como cachorro quente, pizza, sanduíches variados etc.

NÃO SABERIA COMO RESPONDER

José Correia Baptista

Há vinte anos que eu não via meus pais. Na verdade, não sei explicar o motivo por que nunca mais os procurara. Quando voltei à casa deles, à casa onde nasci, tudo aparentemente parecia estar em ordem. O portão, sim, só nós sabíamos como o abrir: levanta-se o braço direito, com os quatro dedos comprime-se o portão contra a coluna de cimento, onde apóia-se a palma da mão, e com a mão esquerda puxa-se o trinco. Continuava com o mesmo defeito.

O pequeno quintal: num canto, um jardinzinho florido, no outro, uma mesa com algumas cadeiras. Subo uns degraus para a varanda, abro a porta. A mesma sala. Olho o sofá, que minha mãe mandou fazer sob encomenda, e rapidamente me vem o pensamento de que ela sempre fez o melhor. Os mesmos quadros, a televisão, o aparelho de som, uma estante com livros, um tapete, tudo arrumado. Apenas o piano havia mudado de lugar. Agora estava encostado à parede mais larga da sala. Silêncio.

Haverá alguém em casa? Minha irmã aparece, um pouco mais gorda, olhos negros de Berenice de Edgar Alan Poe, os cabelos compridos e negros, pouco havia mudado. Quando me preparo para falar – nem sei o que dizer – o piano começa o tocar. “É assim mesmo, ele toca sozinho”, foram as palavras de minha irmã … Porque, sim, aquela música … “Essa música é minha”, acho até que falei alto e comecei a cantar. “Fiz essa música quando tinha dezesseis anos. Nem me lembrava mais dela.” Minha irmã – acho que é coisa de irmão – não revelou a menor surpresa. Sempre foi assim: minhas músicas nunca falaram nada a ela.

Não sei o tempo que levei cantando acompanhado do piano, não percebi, mas quando me dei conta, minha mãe conversava com minha irmã. Foi minha mãe que se dirigiu a mim: “Não sei se tu sabes, meu filho, mas teu pai morreu.” “Não, mãe, não sabia.”

Fiquei pesaroso. Eu ali cantando uma música de quando era adolescente e meu pai havia morrido. Gostava do velho. Acho mesmo que só eu o entendia. Fiquei pensativo.

“Vem aqui para a cozinha, meu filho!” A mesa estava posta. O cheiro de café – que bom estar de volta -, o pão de ló … Acho que só minha mãe sabe fazer um lanche desse. Sentei-me e começamos a conversar. Ninguém me perguntou por que há vinte anos estava fora de casa. Não saberia como responder. Estava em casa.

(*) José Correia Baptista é editor da revista cultural Nossa Tribo, formado em Ciências Sociais e em Letras pela UFF. Foi secretário de Cultura de Cabo Frio. (2009/2012).

O PAGADOR DE PROMESSAS

O governo vive situação de caixa mais tranqüila e antecipou o salário de fevereiro dos profissionais da educação. O prefeito José Bonifácio, não é Leonardo Villar no Pagador de Promessas, filme de 1962, ganhador da Palma de Ouro em Cannes, mas aos poucos está cumprindo o discurso de campanha, colocando os salários em dia.

Diálogo & Democracia

O prefeito não precisa esperar colocar todo o salário do funcionalismo em dia para então dialogar com os servidores e a sociedade. O aperfeiçoamento dos mecanismos de diálogo, com muita transparência, vontade de ouvir e até de se desculpar quando necessário, é fundamental na democracia contemporânea: Cabo Frio precisa entrar no século XXI.

Reações diferentes 1

À esquerda e as múltiplas faces do bolsonarismo levaram uma chinelada na eleição de novembro de 2020. O bolsonarismo continua fazendo política intensamente através da ação do deputado Sérgio L. Azevedo, agora secretário de estado de ciência e tecnologia.

Reações diferentes 2

A esquerda, entretanto, ainda não se recuperou do susto da minguada votação e ainda não se mexeu: 0.91% do eleitorado, na majoritária, reunindo dois partidos. A inércia no período entre eleições e a pequena inserção social talvez sejam razões do resultado eleitoral pouco satisfatório, digamos assim.

Pouca resistência

O “freio de arrumação” proposto pelo governo municipal tem enfrentado alguma resistência, por enquanto apenas em surdina: ninguém levantou bandeira de protesto. Quando começar a tocar em alguns interesses pessoais inconfessáveis, certamente alguns bradarão em nome da justiça.

Ampla aliança

Observando o “andar da carruagem” o “freio de arrumação” enfrenta pouca resistência, porque a aliança feita pelo prefeito foi bem ampla, segurando a maior parte das demandas politiqueiras do município. Até aonde o prefeito vai estar disposto a colocar o dedo em determinados pontos sensíveis só o tempo vai dizer.

Ágora da Pólis Contemporânea

Eduardo Pimenta

Na efervescência em que vive o país, com partidos políticos e sindicatos agonizantes tentando um ultrapassado protagonismo, são os jovens que forjam o futuro. Enquanto os partidos se aferram a tona do poder, eles tomam a palavra e apontam uma luz no fundo do túnel através de exemplos de exercício democrático em que o poder se distribui em diferentes instâncias de participação.

As redes sociais é a grande revolução que viram nascer e crescer, proeza tecnológica de que são contemporâneos e onde se geram os valores de partilha, liberdade de expressão e gratuidade de que estão imbuídos, emergentes da ciberculturaglobal. Concentram suas exigênciasna liberdade, no bem viver e na condenação da corrupção e a liberdade herdada de outras gerações, quando ameaçada, defendem.

Acusados de individualistas, vivem do compartilhamento de informações, fazendo da transparência uma regra que querem válida em todos os espaços. Daí a ojeriza a zona de sombra, a trapaça, hoje presente nos partidos e sindicatos.

São contra escolas sucateadas, doenças da saúde pública, infelicidade feliciana e transporte que não chega a lugar nenhum, tendo como meta o fim da corrupção e a melhor distribuição de renda. As redes não os fazem individualistas e sim autônimos conectados, captando e trazendo a tona, a palavra e a tendência de opinião de cada um.

Sua mobilização provoca um curto circuito no motor ultrapassado das máquinas partidárias que entraram em pane envelhecidasno diálogode surdos com essa população jovem que entrou em cena, ágora da pólis contemporânea.

(*) Eduardo Pimenta é Professor, Biólogo, Ambientalista e Fotógrafo da natureza.

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REFORMA DO TEATRO MUNICIPAL .

A recuperação do Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb, finalmente vai sair do papel. O prefeito José Bonifácio esteve hoje pela manhã no Teatro acompanhado do secretário de cultura Clarêncio Rodrigues, o secretário de saneamento e meio ambiente Juarez Lopes, o secretário adjunto Sérgio Nogueira e a equipe técnica da secretaria, fazendo um raio-x do Teatro. Pelo jeito, agora vai.