O CARNÊ DA GIRAFA

Meri Damaceno

Só fiquei sabendo da morte de Quinzinho (Joaquim Nogueira da Guia), irmão de Totonho, nesse exato momento e como não podia deixar de ser me veio logo na memória um fato muito interessante (causo), envolvendo Quinzinho.

No final dos anos 60, início dos 70. Quinzinho foi sorteado para participar do Programa Jota Silvestre (Carnê da Girafa) onde a pessoa ficava dentro de uma cabine e Jota Silvestre perguntava para a pessoa se ela queria ou não aquele brinde. Mas com um detalhe, a pessoa que estava na cabine não sabia o que estava sendo oferecido, mas aquela altura Cabo Frio toda havia parado naquele domingo para assistir o programe e ver como Quinzinho iria se sair.

A Família Nogueira em peso reunida na sala no aguardo. Quinzinho foi encaminhado para a cabine com um protetor nos ouvidos tocando uma música e muito confiante lá foi ele. Então Jota Silvestre pegou um jogo de panelas e perguntou: Sr. Joaquim o senhor troca um jogo de panelas por uma batedeira? NÃO! Senhor Joaquim o senhor troca um jogo de panelas por um rádio? SIM! O Senhor Joaquim o senhor troca o rádio por uma lancha último modelo? Bom, quando Jota Silvestre falou em lancha já podemos imaginar o alvoroço que não foi na cidade e em especial na Família Nogueira. Imaginem uma lancha que naquela época só os milionários que freqüentavam Cabo Frio no Verão tinham e não eram muitos. Então fez um silêncio profundo e Quinzinho gritou SIM!. Foi um verdadeiro carnaval na sala de Seu Saul Guia, pai de Quinzinho. A casa quase explodiu de tanta gritaria. Mas ainda não havia terminado a aventura de Quinzinho no Programa de Jota Silvestre. Então Jota Silvestre perguntou: seu Quinzinho o senhor troca esta lancha por uma Batedeira Wallita? A esta altura a cidade emudeceu e a Família Nogueira com os nervos a flor da pele. Então Quinzinho gritou: – NÃO! E Jota Silvestre continuou. Bom agora esta será a última chance dele levar a lancha. E perguntou: – Seu Quinzinho o senhor quer trocar esta linda lancha por um Ventilador Arno? Galera pensa: um silêncio sepulcral congelou a cidade e os Nogueiras num pensamento positivo. Galera pensa: para que ele dissesse não, então em bom e alto som Quinzinho gritou; SIMMMMMMMMMMM! Lá veio Quinzinho, filho de Seu Saul Guia, irmão de Totonho Nogueira, dentro da Auto Viação 1001, segurando um Ventilador Arno.

KKKKKKKKKKKKKKKK.

Valeu Quinzinho por nos deixar essa estória.

Vai na luz!

O GUARANI

Marcos Antônio De Paula

Pode-se ver em algumas ruas do bairro Guarani uma das idéias mais interessantes da era Alair. O projeto de acessibilidade, com calçadas padronizadas e piso tátil. Utilizando blocos de concreto intertravados, era barato e relativamente rápido de fazer.

Alair utilizou esse padrão em alguns outros pontos da cidade, como a orla, praça das águas e a nova praça de skate. Mas suspeito que nesses lugares o objetivo era mais estético que funcional.

Fiel ao seu melhor estilo, o ex-prefeito mandou arrancar TODO o revestimento de pedra portuguesa das calçadas já prontas e em bom estado para iniciar seu projeto.

A obra nunca foi concluída e até hoje inferniza a vida dos moradores daquele bairro.

Mas a idéia é excelente e, com as devidas adaptações aos atuais tempos de vacas magras, poderia chegar às demais calçadas do município.

De acordo com a Constituição Federal, cabe aos municípios, através do Plano Diretor, legislar sobre o uso e ocupação do solo nas cidades. Ninguém espera que a prefeitura reforme todas as calçadas, (só nos sonhos faraônicos daquele ex-prefeito) mas que estabeleça um padrão que permita a utilização efetiva e segura daquele espaço (e fiscalize, óbvio, os abusos criativos de alguns moradores e empresários)..

Você não precisa ser cadeirante ou possuir alguma limitação visual para dar valor a uma boa calçada. Basta um joelho ruim ou um carrinho de bebê ou de compras para descobrir como pode ser ingrato caminhar em nossas atuais pistas de obstáculo.

(*) Marcos Antônio de Paula, contábeis UFF.

OS GESTOS POLÍTICOS

Currículo gordo

O ex-empresário Dirlei Pereira é uma das vozes mais ativas da extrema direita em Cabo Frio, sempre ligado ao ex-prefeito Alair Corrêa, de quem foi secretário de saúde e de governo. Tem extenso currículo.

Criação de escândalos

A disputa na área radiofônica é cada vez maior na extrema direita, sempre ao estilo escandaloso dos “datenas da vida” tão numerosos na mídia brasileira. A orientação é a criação de escândalos, com visão autoritária e por excelência bolsonarista.

A pauta comum é possível?

O Sepe Lagos e o governo municipal ainda não conseguiram estabelecer uma pauta comum para o entendimento político. Para construir essa pauta deve ser necessário baixar o tom de ambos os lados, porque o confronto em período de crise pandêmica agrava ainda mais a situação.

Gestos políticos

O governo de José Bonifácio acena para a sociedade com gestos políticos muito interessantes. A constituição do secretariado equânime entre homens e mulheres, o crescimento do número de negros no próprio secretariado e mais recentemente a criação da comissão municipal contra a intolerância religiosa.

Dia a Dia

Todos esses avanços para que possam ser consolidados precisam que a administração também se preocupe com coisas mais simples, que a população espera do prefeito e para as quais foi eleito. Que tal começar pelas calçadas? Que tal exigir dos bancos e de outras empresas de grande porte calçadas decentes?

Calçadas

A Caixa Econômica Federal tem uma calçada indecorosa e o mesmo acontece com a calçada lateral da toda poderosa Prolagos. A prefeitura poderia começar pela calçada em frente do Charitas, que é uma vergonha. São pequenas coisas, por sinal baratíssimas, mas que melhoram bastante a qualidade de vida dos moradores da cidade.

Pedras portuguesas?

Não há a menor necessidade que as calçadas sejam de pedras portuguesas, mas caras de colocar e de conservar, inclusive porque faltam calceteiros especializados. Logo as pedras começam a sair formando buracos, que em dias chuvosos transformam-se em poças d’água. O velho e bom cimento áspero resolve muito bem.

Cadê a Capitania dos Portos?

O que fazia a Capitania dos Portos enquanto um imenso barco de passeio superlotado, com o bate estaca da música eletrônica singrava o canal do itajuru no domingo?  Passou bem em frente as suas representações, tanto de um lado como de outro do canal. Não funciona nos fins de semana?

UMA JIBOIA PARA ALMOÇO

José Henrique Nogueira

Certo dia, voltava eu e mais três amigos da praia do Forte em Cabo Frio, quando chegamos em casa, na Rua José Bonifácio número 28 e nos deparamos com um caixote, desses de laranja, de madeira, todo fechado com um bilhete preso dizendo assim: “por favor entregue essa encomenda para Dr. Beto Nogueira.“

Olhei por entre as frestas do caixote e para minha surpresa e de todos os meus amigos, assustados custamos a acreditar que o presente era uma imensa cobra jiboia.

Beto meu irmão estava em Porto Seguro de férias. Conseguimos não sei como falar com ele por telefone, lá em Porto Seguro.

E ele me falou: “- porra meu presente! Não tem jeito chamem Quinzinho que ele vai ajudar a vocês a preparar essa jiboia pro almoço de vocês.“

Chamei meu primo Luiz Afonso que na época morava na Casa Grande, e ele achou Quinzinho. Para quem conheceu a figura vai entender alegria que ele demonstrou ao ser convidado para tal missão.

Quinzinho chegou com status de um chefe de cerimônias, o caixote já estava no quintal nos fundos da casa, esperando por ele para resolver essa missão inesperada para todos nós. Com calma, pegou um facão, foi na goiabeira e fez um gancho que só depois entenderíamos sua função. Com o gancho numa das mãos Quinzinho abriu uma fresta do caixote, eu já estava nesse momento em cima do muro com os amigos olhando aquela cena como se estivéssemos numa arena apreciando um épico evento. Pela fresta do caixote a cobra colocou a cabeça e começou a sair, Quinzinho numa ação de segundos utilizou gancho que ele mesmo fez e prendeu a cabeça da cobra, com a outra mão segurou a cobra pelo pescoço, olhou em volta e viu vários meninos assustados e encantados com a sua performance em cima do muro. A cobra aos poucos foi saindo de dentro do caixote e ele gritou: – Desce e me ajuda pô! Descemos e cada um segurou numa parte da cobra. A cobra ficou um pouco grogue depois de levar uma porrada na cabeça.

Éramos nós agora segurando a cobra enquanto Quim achava uma tábua de construção que havia lá no quintal. Nela pregou dois pregos numa das pontas da tábua. Enquanto lutávamos com a cobra que ainda se contorcia com muita energia tentando em vão se soltar, Quinzinho com toda calma do mundo, calma de quem conhece o ofício, preparava a cena final com cobra antes dela ir para panela. Com um barbante, Quim laçou a cabeça da cobra que nessa altura estava em minhas mãos e amarrou as duas pontas do barbante nos pregos que ele havia colocado na tábua, de maneira que a cobra pudesse ficar ficar esticada ao longo da madeira. A essa altura a cobra não demonstrava tanta resistência. A tábua foi colocada em pé na parede. Com muita habilidade Quinzinho deu um corte certeiro na altura de suas vísceras para limpar a cobra, assim como se limpa um peixe, uma galinha, antes de ir para panela. Para tornar o espetáculo ainda mais espetaculoso, ele tirou o coração da cobra e o colocou em cima do muro e disse: – vai ficar batendo aí durante alguns bons minutos. Por fim, deu um corte no couro da cobra, que devia ter uns dois metros de comprimento, na altura do pescoço. Com a ponta dos dedos das duas mãos veio puxando o couro da cobra lentamente, até sair por inteiro até a ponta do rabo. Meninos eu e mais pequeno grupo de privilegiados viviemos para ver isso.

Certamente meu querido primo Joaquim viveu muitas outras histórias fantásticas. Bem, para preparar o almoço apareceu um outro para fazer, Quinzinho por sua vez não quis ficar para comer a cobra ensopada. Foi embora e levou o couro com ele, antes de ir olhou para o muro e apontou pro coração e disse: – Não disse, está batendo até agora.

Gratidão eterna Quinzinho.

JOSÉ BONIFÁCIO ANUNCIA QUE ESTÁ COM COVID.

O Prefeito de Cabo Frio, José Bonifácio anunciou que está com covid-19, mas que apresenta sintomas leves e já está medicado. O prefeito fez um comunicado a população.

Meus queridos, venho informar a todos que fui diagnosticado com Covid-19. Estou bem, estou em casa em isolamento, com sintomas leves. Quem me conhece sabe o quanto sou cuidadoso com as medidas de prevenção: estou sempre de máscara (na rua só tiro quando vou comer alguma coisa ou beber água), evito contato com as pessoas e uso álcool em gel constantemente, mas esse vírus é assim mesmo: pega qualquer pessoa, independente de raça, religião ou qualquer outra coisa. O importante é estarmos sempre reforçando as medidas de prevenção. Quero avisar a todos que seguirei trabalhando de casa, realizando reuniões virtuais com meus secretários. A cidade não pode e não vai parar.

ACERVO MÁRCIO WERNECK

A relevância do projeto do site do Acervo Marcio Werneck está no material inédito reunido ao longo do estudo de três décadas pelo historiador e autor, através de trabalhos técnicos e multidisciplinares, de entrevistas com pessoas ilustres e muitas já falecidas e de fotos que ainda estão em slides e negativos. Uma parte desse material já foi digitalizado anteriormente e esteve no ar gratuitamente por três anos, de 2016 a 2019. Porém, ainda há uma segunda parte a ser digitalizada diminuindo a carência de fontes e lugares para pesquisa sobre a história da Região dos Lagos, mais precisamente sobre as cidades de Armação dos Búzios e Cabo Frio. Com isso, esse projeto ganha importância de cunho social no sentido de resgatar a memória local, merecendo a contribuição de todos, moradores dessas cidades e amantes da história de uma maneira geral. No período que esteve no ar, o site alcançou milhares de acessos vindos de diversos lugares do Brasil e do mundo. Além de ter recebido as premiações da Prefeitura de Cabo Frio com o PROEDI (Programa Municipal de Editais de Fomento e Difusão Cultural) em 2015 e pela Câmara Municipal de Cabo Frio, no Marco 355 em 2017 e no Prêmio Joelma Fidalgo, em 2018. O objetivo final do projeto é colocar o site novamente no ar, agora de uma maneira mais completa para consulta gratuita das pessoas que se interessarem pelos assuntos relacionados. O valor arrecadado será usado para compra de material para digitalização, como é o caso do conversor de slides e negativos, de papelaria, custos com registro, hospedagem e suporte do site e pagamento dos profissionais envolvidos, como Web Designer, Jornalista e Produtor Cultural. As recompensas para os apoiadores do projeto serão o e-book do primeiro livro do autor “Viagem à terra do Pau-Brasil” e a lista contendo os nomes dos apoiadores em destaque no site.

COBIÇA HUMANA!

Ângela Maria Sampaio de Souza (*)

Sempre houve o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas; nunca haverá suficiente para cobiça humana.(Mahatma Gandhi)

Cobiça humana! É um querer sem medida, desejo exagerado e se identifica com ganância. Podemos observar que cresceu muito em nossos dias, uma cobiça grande e uma ética fingida, de fachada. Prega-se uma coisa e não se pratica. Isso vale em vários níveis e podemos chamar de hipocrisia, que tem uma presença forte em nossa sociedade. É uma ética em que o valor e o princípio da solidariedade, da fraternidade, da amorosidade se ausenta facilmente frente a cobiça, ganância. Com isso temos uma pobreza material, fome, trabalho escravo, desemprego e por aí vai. Essa ganância provoca cada vez mais a desigualdade, se torna cada vez mais egoísta e podemos observar que essa violência já foi institucionalizada saqueando os cidadãos. A crise é profunda! Sempre aprendemos que a ética e a cidadania são caminhos para o respeito mútuo, pela independência, justiça, tolerância e pela valorização do homem.

Na política é um grande mal não fazer o bem ao cidadão, porque pode-se fazer política com ética e respeito ao cidadão, basta decência e caráter. Enquanto nossa classe política desconhecer o que é ética, moral e vergonha, nós cidadãos viveremos reféns de uma sociedade desigual. É comum se ouvir falar em ética, honestidade mas não se praticar. A ganância enriquece o Ego e empobrece a alma. Quanto mais ganância usada para alcançar a glória mais devastadora é a queda. Vamos abrir a janela da vida e ver o mundo com o coração. Como acabar com a fome se o homem não acabar com a ganância dentro de si. Para mudança dessa mentalidade e estilo de vida é preciso formar uma consciência no sentido de dar importância a sociedade. Solidariedade incomoda o sistema e deve ser vivida com decisão de devolver a quem de direito o que lhe corresponde. Para isso temos que ser movidos pela esperança. Paulo Freire dizia: “Na vida você pode até mudar de esquina o que você não pode é mudar de briga”, e essa briga é coletiva.

(*) Ângela Maria Sampaio de Souza é Professora.