Quanto aos trailers …

Marcos Antônio De Paula

Eu me lembro de alguém dizendo que os boxes da praça da cidadania se destinariam a ordenar a proliferação de barraquinhas e assemelhados na antiga feirinha de artesanato.

Depois de devidamente distribuídos aos artesãos, barraquinhas avulsas não seriam mais permitidas naquele local.

Isso foi lá nos idos do governo Marquinho Mendes, antes dos quiosques de ouro construídos por Alair Corrêa.

Muita água rolou desde então.

Os trailers são um fenômeno recente e não dá para ignorar a enxurrada de gente empurrada para o “empreendedorismo“ pela crise.

Se a prefeitura quiser, acho que dá para criar um espaço adequado pra trailers ali onde se costuma instalar shows, depois dos quiosques.

Com instalação elétrica adequada e banheiros químicos, quem sabe até vira uma atração para os veranistas.

É uma solução que já vi ser adotada por outras cidades.

Como nos despedirmos de um anjo?

Junia Rocha

Como nos despedirmos de um anjo? Como deixarmos partir quem pra nós é guardião e amparo? Da sua vida, dentre tantos atributos, se sobressai a bondade. Para sempre em nós ficarão as lembranças da sua tamanha generosidade. Desde agora seremos mais solitários e, talvez nos sintamos um tanto desamparados por não mais tê-lo por perto, nosso porto seguro, nosso socorro em qualquer tempo para todas as necessidades. Hoje a terra faz-se triste, a esperança desesperançada e o dia de tristeza latejante e de inconformada saudade. Beto: que a sua luz, agora ainda mais intensa, possa iluminar o nosso caminho e acalentar os nossos corações, para que possamos compreender e suportar a dolorida separação causada pela sua ausência.

Gratidão eterna, primo, por tanto e por tudo.

POLARIZAÇÃO

Polarização

O vereador Vanderson Bento (PTB) comprou briga com o Sepe Lagos. Está apanhando muito, mas a polarização é peça da política da Família Bento. Quem se lembra das críticas pesadas da família a Prolagos?

Zezinho paz e amor

Apesar de críticas pesadas que têm recebido nas redes sociais com menos de 30 dias de governo, o prefeito José Bonifácio (PDT) se inspirou em Lula. “Zezinho paz e amor” não quer encrenca com ninguém.

Sem radicalização

Apesar de cutucado diariamente para polarizar o prefeito de Cabo Frio não parece disposto a ceder à radicalização. O prefeito parece que não quer perder tempo com brigas provocadas pela miudeza da política.

Paredes murmurantes

As paredes murmurantes do Palácio Tiradentes e do histórico prédio da Câmara estão querendo identificar os personagens com maior poder dentro da estrutura governamental e no legislativo.

Murmúrios

O Blog pode ajudar esses murmúrios angustiados. Dicas, por ordem alfabética: Aquiles Barreto, Janio Mendes, Jefferson Vidal, Luis Geraldo e Miguel Alencar.

Classe média inquieta

Boa parte da classe média oriunda das famílias tradicionais de Cabo Frio está inquieta. A crise atingiu a todos e a prefeitura já não consegue absorver as famílias, que por décadas tiveram no poder público municipal a “salvação da lavoura”.

Namoro com o bolsonarismo?

Caso a crise do município se agrave boa parte da classe média cabofriense tende a namorar com a extrema direita, como em 2018. O bolsonarismo está de braços abertos esperando uma chance.

FOLCLORE POLÍTICO

Esta não está na sensacional coletânea do jornalista Sebastião Nery, mas bem que poderia.

Um atento leitor de Minas Gerais, cineasta por profissão, sob a alcunha de Sette, contou a história de um amigo cadeirante, que resolveu ser candidato a vereador e não tinha ainda um slogan de campanha. Entre uma rodada e outra de muitas cervejas, um outro amigo saiu de pronto com o texto e foto, com a seguinte legenda:

Vote Franco! Uma mão na roda…

OS ‘TRAILERS’ NA PRAÇA DA CIDADANIA

Os ‘Trailers’

O entorno da Praça da Cidadania retorna a infestação de ‘trailers’ diariamente a partir das 15 horas, mesmo assim o espaço continua reservado para eles o dia inteiro. Quem sabe, depois da alta temporada de Verão, os ‘trailers’ desapareçam definitivamente: a Praça da Cidadania não merece aquela bagunça.

OS SINAIS DO LEITE CONDENSADO

De acordo com o filósofo Jean-Paul Sartre, os sinais são eventos que se apresentam aos nossos sentidos. Portanto, um eclipse, uma lata de leite condensado, o gol do seu time quando você mudou de lugar no sofá da sala são eventos que os seres humanos transformam em sinais. Mas, afinal de contas, são sinais de que? Perguntará um e outro.

Aí, meus amigos, dependerá do que cada um de nós está a fim de encontrar, ver ou crer. Porque essa não é bem a era de Tomé, já que mesmo vendo o povo não crê.

Em eras remotas, e mesmo naquelas ainda próximas, acreditava-se que o eclipse era um sinal divino. Os torcedores supersticiosos, viscerais apaixonadas pelo jogo de futebol, ainda crêem que a camisa da sorte levará o time ao gol no último minuto do segundo tempo. Ainda que tantas vezes ela não tenha praticado tal milagre.

Eclipse e camisa da sorte. Objetos comuns no leque de sinais que podem aparecer aos seres humanos que andam pela face da Terra. Mas agora, pela primeira vez, um artigo novo surgiu como sinal de algo. É o evento brasileiro das “latas de leite condensado”.

Como de praxe na simbologia dos sinais precisamos decifrar. Os eclipses já significaram morte. As camisas, já trouxeram a gloria esportiva.

E as latas de leite condensado? São um sinal. Mas de quê?

De que todo mundo está vendo que não dá mais.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 28 de janeiro de 2021

O MARLIN AZUL

O Marlin Azul 1

O Marlim Azul, que alguns, por sua origem, chamam de milionário andou por uns tempos pendurado no Boulevard Canal (Canal do Itajuru) em frente à estação de embarque de passageiros (aquela réplica da estação das barcaças de sal e depois “banca de peixes”), que o então prefeito Alair Corrêa construiu.

O Marlin Azul 2

O Marlin não ficou pendurado muito tempo. Incomodado com os inúmeros flashes de fotógrafos amadores, mergulhou nas águas do Canal do Itajuru. Não agüentou a poluição e nadou de braçada para o oceano. Há quem diga tê-lo avistado no Mar do Norte. Restaurado, hoje fica exposto, deitado em berço esplêndido, ali pelas bandas da Praça da Cidadania.

EU AMO CABO FRIO!

As cidades turísticas procuram criar identidade própria, buscando se diferenciar e atrair mais visitantes. Na Região dos Lagos, Búzios foi a primeira a conseguir se colocar em posição diferenciada. A “capital nacional do mergulho”, Arraial do Cabo, veio a seguir, mas Cabo Frio continua empacado. Aquele brega “Eu Amo Cabo Frio” não contribui em nada para melhorar a situação. Até Alcântara deve ter um igual.

BLINDADO?

Blindado? 1

Ao bater, sem qualquer pudor, no Sepe Lagos, o vereador Vanderson Bento, filiado ao PTB do mensaleiro Roberto Jefferson, apesar do discurso acalorado, mostrou frieza. Foi preso junto com seu pai o ex-deputado Silas Bento. Silas se tornou réu por associação criminosa, peculato, extorsão e lavagem de dinheiro.

Blindado? 2

Vanderson, na época candidato a vereador, virou réu pelos mesmos crimes, exceto lavagem de dinheiro. Mesmo assim foi eleito, para a cadeira do irmão Vanderlei. Revela ter um nicho eleitoral blindado, presumivelmente entre os neopentecostais, que resistiu até mesmo toda a exposição relativa à prisão.

AS APARÊNCIAS ENGANAM? 

José Correia Baptista 

1 – Noutro dia, consultando o jornal “Aqui” – que editei de 1978 a 1989 – reli uma matéria que escrevi sobre o drama da direção do Cine Recreio – localizado no centro de Cabo Frio entre a Igreja Matriz e a Galeria Titã – em passar filmes pornôs bem ao lado do histórico templo católico. Naquela época, esses filmes atraíam um bom público porque eram novidade. E para o Cinema era importante porque significavam uma boa fonte de receita.

Estávamos em 1986. Não havia mais censura. Mas a direção do Cine Recreio, diante de sua situação geográfica e por não querer o afrontamento com a secular instituição cabo-friense, se via obrigada a espontaneamente censurar alguns títulos de filmes. O Cinema vivia um drama: espremia-se entre a moralidade tradicional cristã e a impaciência do distribuidor de filmes que não aprovava esse tipo de interferência do Cinema, o de alterar o título original da película.

Mas quem passava em frente ao Cine Recreio em uma determinada semana do ano de 1986, lia claramente o seguinte título de filme: “Abre CENSURADO coração” (fiz essa foto).  A palavra “censurado” estava escrita, estampada, no letreiro do Cinema para não exibir o título completo e verdadeiro do filme. Uma intervenção cuja emenda despertou a galhofa para o título do filme que era fácil adivinhar: “Abre as pernas coração”. Mas a palavra “censurado” salvara as aparências e a paz para o Cine Recreio. Quando conto essa história para os mais jovens, eles não acham nenhuma graça porque é coisa de há muito tempo, que perdeu o sentido que um dia já teve. Até o sorriso é histórico.

2 – Um dos mais belos textos de George Orwell (1903-1950) é “O abate de um elefante” em seu livro “Dentro da baleia” (minha edição é a da Companhia das Letras, 2005). Ele era policial do império britânico na Baixa Birmânia, importunado por birmaneses e por sacerdotes budistas. Era um oficial anglo-indiano ressentido. Um dia é comunicado por seu superior que um elefante estava destruindo um bazar. George Orwell pega seu velho Winchester calibre 44, com a esperança de apenas assustar o elefante. Ao chegar ao local acaba vendo o estrago que o elefante fizera, inclusive com um homem morto. Consegue uma arma mais potente, um fuzil e cinco cartuchos, e vai em perseguição ao elefante. Atrás de George Orwell vão se juntando mais de duas mil pessoas. Aquelas pessoas queriam que ele matasse o elefante, embora George Orwell soubesse que era um animal doméstico e a sua fúria havia passado. Aquelas pessoas famintas também queriam a carne do elefante.

George Orwell entende que não havia outra saída para ele senão abater o elefante. As pessoas esperavam dele essa atitude. Orwell percebe naquele momento que quando o homem se torna tirano – o império britânico – ele destrói a sua própria liberdade. George Orwell está perto do elefante e aí passa a ser uma luta de sobrevivência: ou ele ou o elefante. Descarrega a arma próximo ao ouvido do animal. O elefante vai aos poucos sucumbindo. Ele sabe depois que o elefante levara meia hora para morrer.

Entre os europeus, as opiniões se dividiram: uns achavam que ele estava certo em ter matado um elefante furioso. Outros criticaram-no por abater um elefante que valia mais que um homem cule morto. Mas a razão profunda, simples e honesta que George Orwell se justificava por ter matado o elefante era assim: “unicamente para evitar parecer um bobo.”

(*) José Correia Baptista é editor da revista cultural Nossa Tribo, formado em Ciências Sociais e em Letras pela UFF. Foi secretário de Cultura de Cabo Frio. (2009/2012).