O Subversivo!

Ivan de Almeida Ferreira

Hoje é dia do professor. Não tive professor até o Ginásio, a minha mãe ensinou a ler escrever e fazer contas, a mim e todos meus irmãos, lá na Fazenda São José, onde fomos criados.

Com nove anos vi que os companheiros de eito, todos mais velhos que eu, eram analfabetos, isso me entristecia, conversei com a minha mãe e juntos com o meu pai, se eu podia ensinar aquela turma o que havia aprendido. Eles concordaram então, chegava do trabalho tomava banho e ensinava.

Entre 9 e 16 anos alfabetizei 35 adultos e foi com alegria que vi mudar as suas vidas.

O importante é que na ânsia de ensinar, buscava conhecimentos locais e nos livros e ia aprendendo.

Como foi bom.

Quando fui para a cidade fiz prova de Admissão ao Ginásio, uma prova temida até por quem estudava desde o início em bons colégios. Fiz a prova e passei para o colégio próximo e passei em primeiro lugar.

Tempos depois já formado em Técnico em Contabilidade, me ofereci para lecionar no ginásio recém inalgurado em Jequitinhonha, lecionei até que um inspetor do BB proibiu, alegando que “o pessoal do Banco podia subverter o ensino local”.

Tive a oportunidade de me encontrar com ex-alunos que se diziam gratos pelas minhas aulas.

Uma pena, ali foi quebrada, quem sabe, duma carreira que gostava tanto.

Ensinar é provocar a inteligência, como quem aduba, capina, iriga e até poda uma planta, eu sacudia os meus alunos e pedia que pensassem para evoluir.

O inspetor tinha razão: eu era subversivo.

IMITADOR!

Imitador

O candidato da extrema direita é um imitador desastrado de José Bonifácio. O candidato pedetista faz o lançamento da campanha, respeitando as normas do distanciamento social. O candidato da extrema direita faz no mesmo lugar, desrespeitando todas as normas de saúde pública.

A bicicleta!

Com a bicicleta a mesma coisa. José Bonifácio faz da bicicleta, que usa regularmente, o mote de sua campanha e o concorrente monta um passeio de bicicleta que não vai quase ninguém. Falta o mínimo de criatividade. Como exigir criatividade de um pessoal cujas idéias estão presas ao século XIX?

Ta ficando feio!

O mesmo candidato da extrema direita foi multado em 15 mil reais por publicar pesquisa eleitoral falsa. A vontade de romper a rejeição junto à opinião pública é tal que parece estar apelando para tudo. É lamentável que uma figura que enfrenta as urnas pela segunda vez apele para esse expediente espúrio.

Cabo Frio não agüenta

A realidade é que a população de Cabo Frio não quer transformar a cidade em campo de batalha político-ideológica: apenas os oportunistas ganham com isso. A população deseja uma administração honesta, competente e que recoloque o município em seu devido lugar. A crise no qual o município está inserido dura tempo demais. Cabo Frio não agüenta.

Sem rancor e ódio

A população não mais aceita o rancor, o ódio, as acusações levianas como instrumento de fazer política. A observação mostra que a população ouve os discursos vazios em conteúdo, mas recheados de ódio e não lhes dá credibilidade. A pergunta é: o que esse tipo de gente já fez pela cidade? Nada!

A conexão!

O ex-prefeito de Búzios, Mirinho Braga, tem sido alvo constante de ataques dos seus adversários, embora não esteja diretamente na disputa eleitoral. Os ataques estão sempre ligados a ascensão do seu candidato a prefeito, no cenário eleitoral da cidade. Uma coisa está intimamente conectada a outra.

Conversa política

Conversa política com diferentes interlocutores e uma relação íntima com sua base social são características do presidente da câmara, Luis Geraldo. Reeleito, o vereador será peça importante na articulação entre o executivo e a câmara para a formatação de uma maioria que permita uma relação tranqüila com a nova administração.

UM ENCONTRO: CARLOS HEITOR CONY E GERSON TAVARES

José Correia Baptista

Em frente a mim na mesma mesa em um jantar Carlos Heitor Cony e Gerson Tavares. Ano: 2009. Depois que eles participaram das “Tardes literárias” da Festa Portuguesa no Museu José de Dome, o final de noite foi em um restaurante de Cabo Frio. A amizade entre Cony e Tavares começou em 1968 na filmagem que Tavares fez de “Antes, o verão”,  título do livro de Cony que tem Cabo Frio como cenário e que conta a história de um romance em crise.

Tavares e Cony estavam então com a mesma idade, 83 anos. Gostam de literatura, de cinema, de artes plásticas e da Itália. Gerson Tavares estudou por cinco anos na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Ganhou uma bolsa de estudos da Universidade do Brasil para passar seis meses na Itália. Lá, se apaixonou por cinema e fez o curso de dois anos do Centro Sperimentale di Cinematographia. De 1953 a 1958, Gerson andou pela Itália, França e Espanha. No jantar, Cony cita alguns atores, diretores de cinema, e pergunta se Gerson Tavares os conheceu. Alguns, sim, outros, não. Cony pergunta se ele conheceu o diretor de cinema Lattalda. Tavares sai com a seguinte história: estava de olho em um sapato italiano em uma sapataria até que um dia entrou na loja para comprá-lo; o vendedor mostra um outro sapato mocassim que tinha sido devolvido exatamente por ninguém menos que Lattalda, que calçava 37, o número de Gerson Tavares, que, sem pestanejar, o comprou. 

Bem, estamos em um jantar onde há descontração. Cony nos surpreende ao contar o que ele considera ser a melhor história do meio literário. É um privilégio ver e ouvir Carlos Heitor Cony narrar. Há uma reunião na casa de Aníbal Machado que pede a Magalhães Junior para chamar Afonso Arinos de Mello Franco. Magalhães Junior telefona para Afonso Arinos que declina do convite alegando que estava chovendo, ele estava cansado e iria ler Montaigne. Magalhães Junior passa o recado e Aníbal Machado responde: “Você não soube convidá-lo. Deixa comigo.” Aníbal Machado telefona então para Afonso Arinos: “Arinos, estamos aqui em casa reunidos e gostaríamos que você viesse para cá.” Afonso Arinos: “Não dá. Está chovendo, estou cansado e vou ler meu Montaigne.” “Mas, Arinos, a gente está falando mal de Gilberto Freyre.” Afonso Arinos: “Em cinco minutos chego aí.”

Carlos Heitor Cony intercala convincentemente ficção e realidade. Para ele, pode-se dar a tudo um ou mais sentidos. Pergunto a ele qual destas histórias é a real. Cony já contou a mesma história algumas vezes mas com desfechos diferentes. Seu avô era mulherengo. Até que já bem velho cai doente e espera a morte na cama. A vida de seu avô chegara ao fim. A família, muito católica, chama o padre para dar a extrema unção. Alguns filhos sabiam da paixão secreta do pai por uma certa mulher. E o medo deles era que, no delírio, o velho pronunciasse o nome dela. O padre aproxima então a imagem de Jesus Cristo. O velho levanta a cabeça, encara o crucifixo, e afirma … Neste ponto, Carlos Heitor Cony me interrompe e completa: “Eu quero carne seca.” Mas na outra história, que digo para Cony que para mim tem o melhor final, seu avô mulherengo ao ver o crucifixo colado em seu rosto afirma: “Que pernas!” Carlos Heitor Cony sorri e garante: “Essa história é uma invenção minha!”

As histórias de Carlos Heitor Cony recusam o tom moralista da vida e, enraizadas em uma visão de mundo existencialista, dão a cada personagem a liberdade da escolha. Há também em suas histórias um componente de impotência que percorre um caos silencioso implantado em nossas vidas. Seu humor, no entanto, cai sempre para o que ele chama de um pessimismo light. “O otimista é um idiota”, afirmou no Museu José de Dome. Indago sobre sua estrutura básica para escrever todos os dias. Ele tinha duas secretárias, uma especializada em arquivo, outra em pesquisa. Nos comentários diários da CBN era com pauta. O que Cony considerava ser bom. Nos artigos da “Folha de S. Paulo” os temas eram livres. Aí ele se socorria muito da memória.

Carlos Heitor Cony exibe esse espírito carioca da cordialidade e da conversa solta. Preso na ditadura militar, dividiu uma cela com Glauber Rocha. Admira figuras como a esquecida atriz Darlene Glória. Em uma incerta quinta-feira um encontro memorável com Carlos Heitor Cony e Gerson Tavares.

(*) José Correia Baptista é editor da revista cultural Nossa Tribo, formado em Ciências Sociais e Letras pela UFF e ex-secretário de Cultura de Cabo Frio (2009/2012)

MÁS COMPANHIAS

Mamãe eu perdoei

Os analistas que examinam as pesquisas aqui na Região dos Lagos estão espantados com o acentuado nível de rejeição do candidato da extrema direita. Segundo esses mesmos analistas a propaganda do candidato foca na família, na tentativa de mitigar o estrago que a presença constante dos amigos da Baixada Fluminense e da Zona Metropolitana do Rio de Janeiro, provocam.

Más companhias

A presença de políticos da Baixada Fluminense, com posições truculentas, linguajar chulo e no mínimo bem pouco educados, chocam a sociedade de Cabo Frio. Impedem também a assimilação do candidato que quer criar uma imagem família: as más companhias não deixam.

A campanha de Adriano

A campanha a reeleição do prefeito Adriano Moreno não é lá muito concorrida. Sua vice nem de longe tem a unanimidade das entidades ligadas ao Movimento Negro, em Cabo Frio. Seus companheiros na propaganda televisiva e nas redes sociais são sempre secretários, que lhe devem o emprego e o cargo. Complicado!

Quantos votos?

Até o momento ainda não apareceu em cena o gênio do sistema financeiro, que iria revolucionar as finanças do município, o ex-secretário de fazenda, Antônio Carlos Vieira, conhecido por Cati. Quem sabe, como presidente do caquerado ex-PFL, o Democratas, não se torna o grande eleitor de Adriano? Com seu trabalho e imagem consolidada na cidade, quantos votos Cati dará ao prefeito Adriano Moreno?

Atenção para os “gênios da lâmpada”

A oposição está atenta, porque sabe que o governo de Adriano Moreno/Cati, que está para sair, vai deixar o município em situação ainda pior do que encontrou. Os “gênios da lâmpada” deixam as finanças arrebentadas e as áreas urbanas parecendo um queijo suíço tal a quantidade de buracos.

A novidade!

A novidade nessa campanha eleitoral é a Unidade Popular Socialista, a UP. A sigla, de esquerda, tem uma moçada bem disposta e que vai as ruas brigar por suas posições políticas e ideológicas. Está em campo político semelhante ao do PSOL, que está a mais tempo instalado e militando em Cabo Frio. Algumas “fricções”, digamos assim, já aconteceram.

Junia Rocha

Lembro do quanto fiquei assustada ao ouvir mamãe dizer ao telefone que “vovó” Zulmira havia morrido e que Dirico estava muito mal. Haviam sofrido um acidente. Eu era menina, muito menina. Creio ter sido a minha primeira impressão real sobre a morte. Eu corri para um cantinho muito estreito que havia entre o sofá e a parede, ali me encolhi, me escondi, me abriguei.

Todas as mortes futuras acabaram por consolidar ainda mais em mim uma dificuldade enorme em deixar partir. Culturalmente somos passionais com essa ruptura. A morte não é só física, envolve todas as referências inerentes aquele ser. Para onde irão seus feitos, suas alegrias, dores e pesares?

O ser humano teme o esquecimento, a todo tempo necessita de reconhecimento, de pertencimento, de afirmação, de consolidar o seu estar no mundo… Sendo assim, como lidar com o vácuo, o abismo, o imponderável, o avesso do viver?

A todo tempo experenciamos e somos impelidos a refletir de variadas formas e sutilezas sobre tal realidade. O sol desponta e se esconde dia após dia. Pessoas surgem na nossa estrada e desaparecem com ou sem despedidas. Estações que se inauguram e se findam.

É o pulsar da vida nos ensinando o desapego, o deixar fluir, o despir-se das superficialidades para verdadeiramente virmos a ser.

É a vida nos incitando à magia, ao impalpável, é a sua sacudidela para o entendimento de que tudo é transitório, é fluxo contínuo, é seguir adiante, é ciclicidade.

É a exortação para que deixemos os pesos das sobrecargas inúteis que nos escravizam e nos tornam reféns de nossas próprias misérias.

Que estejamos atentos à todas as mortes e renasceres diários. Que na roda de Sansara possamos morrer, tantas vezes quanto forem necessárias, até renascermos vívidos, puros, plenos e sábios de amor, por amor, em amor.

JOSÉ CORREIA LANÇA LIVRO DE FICÇÃO EM QUE TEIXEIRA E SOUSA É O PERSONAGEM PRINCIPAL

Um romance que tem como personagem principal Teixeira e Sousa e dois amigos que saíram dos livros do escritor cabo-friense. José Correia Baptista acaba de lançar a ficção “O primeiro romancista brasileiro recebe uma mensagem secreta para comunicar a D. Pedro II”. O livro está disponível na plataforma da “Amazon” ao preço de R$ 11,01.

– O livro é construído sobre referências identificáveis: o primeiro romancista brasileiro, Antonio Gonçalves Teixeira e Sousa (1812-1861), seus amigos Paula Brito, José Norberto de Sousa Silva e sua mulher Carolina Maria, sua carreira de escritor e profissional, além do fato que D. Pedro II ter estado realmente em Cabo Frio nos dias 24 e 25 de abril de 1847, seguindo uma viagem que fazia pelo norte fluminense e outras cidades e vilas. Mas a história se sustenta sobre a construção imaginativa – explica José Correia.

O que dá sentido à criação desta história é uma mensagem que a mãe de terreiro do Andaraí, a velha Alexandrina, faz chegar a Teixeira e Sousa que o Imperador morrerá 30 anos depois da morte do escritor cabo-friense e o Império cairá 2 anos antes. Como Teixeira e Sousa acredita na intervenção da Providência nos assuntos humanos para reorganizar o mundo, ele encara imediatamente a mensagem como uma missão que foi lhe designada. Prepara então a viagem a Cabo Frio com os amigos Jacintha Ferreira, costureira, e José Cabinda, carpinteiro capoeira, porque sabe que é onde terá a chance de chegar ao Imperador. Sua viagem a Cabo Frio – que passa a cavalo por Saquarema, Araruama, Iguaba, aldeia de São Pedro, Cabo Frio e Campos Novos, uma viagem sentimental – é o ponto alto do romance. Teixeira e Sousa, com o apoio do presidente da Câmara, passa a mensagem ao Imperador em frente à Igreja Matriz. Depois de cumprir seu objetivo, Teixeira e Sousa faz uma outra leitura da mensagem: “Tio Antônio” na verdade está avisando que ele, Teixeira e Sousa, morrerá cedo. Em Campos Novos, na Igreja Santo Ignácio, pede em casamento a Jacintha (uma negra saída de seu romance “A Providência”). Mas ela não quer ainda se acorrentar a uma família, tem 24 anos de idade. Teixeira e Sousa conta aos amigos Jacintha e Cabinda a sua interpretação da mensagem. Volta para o Rio mudado. Ele tem pressa. Sabe que morrerá cedo. 

– Este romance mostra a evolução dos personagens na história. E para Teixeira e Sousa uma discussão de seu fazer literário, muito atrelado ao modelo do folhetim, que ele irá repensar. Promovo no livro um encontro entre Teixeira e Sousa e Waldemir Terra Cardoso. Há também na viagem a Cabo Frio uma relação entre a região que foi vista pelos viajantes Maximiliano de Wied Neuwied, Saint-Hilaire e Darwin, e a que Teixeira e Sousa e seus amigos encontram. Este livro não é portanto uma história romanceada da vida do escritor Antonio Gonçalves Teixeira e Sousa. Até porque o ano de 1847, ida do Imperador a Cabo Frio, obriga por exemplo a transferir seu casamento real com Carolina de 1846 para 1847. Mas talvez uma história bem possível de sua vida pessoal e imaginativa – conclui o autor do livro, José Correia Baptista.

TFP

TFP

O candidato da extrema direita tenta criar a imagem semelhante a TFP – Tradição Família e Propriedade – o que há de mais reacionário no país. Pior, tem a companhia do que há de pior na representação política na Baixada Fluminense e Zona Metropolitana do Rio de Janeiro.

Tristeza!

A população percebeu com muita rapidez o que representa para Cabo Frio a candidatura da extrema direita, sem qualquer experiência administrativa e duas passagens pela procuradoria em Búzios e Arraial do Cabo. É uma tristeza de dar dó.

Rejeição!

Não é por acaso que apesar de ser um nome praticamente desconhecido o candidato da extrema direita tem um nível de rejeição tão alto. Reúne em torno de si a “raspa do tacho” do ex-prefeito, que não conseguiu ser candidato.

Tão perto, mas tão longe

Ângela Maria Sampaio de Souza (*)

O mundo que nós vamos deixar p nossos filhos, depende muito dos filhos que deixarmos para este mundo.

Frase clássica e sugestiva. Talvez sejamos uma geração de adultos que esteja criando um buraco na convivência mais forte com a geração que vai nos suceder. Razões? Várias! Dia corrido, competitividade, deslocamento distante, jornada de trabalho e mais a pressão do sucesso, disputa do lugar, da vaga, da Vida. Com isso justificamos nossa ausência ou omissão, desencontros e falta de convivência. Muitas vezes o único adulto que sempre faz o contato é a pessoa que trabalha na família. E muitas vezes acontece os problemas de relação cotidiana. Tempo? Não tenho! Com isso estamos cometendo o assassinato da infância e da adolescência.

O mundo fica estarrecido com uso de armas e assassinatos, mas silencia diante dessas armas do sistema social, que provocam destruição em massa de nossas crianças e adolescentes. Nunca foi tão difícil educar uma geração! Infelizmente não estamos preparando para esse mundo tumultuado que nós mesmos criamos. Não há culpado! O sistema é culpado! Esse convívio muitas vezes longe está sendo substituído de forma eletrônica. Estamos dormindo e ao mesmo tempo sonhando com o mundo digital que criamos. Prestemos atenção porque tão perto, mas tão longe!

(*) Ângela Maria Sampaio de Souza é Professora.