Do outro lado da ponte.

Leandra Ferreira Bento (*)

Nas histórias infantis, quase sempre se espera o mágico, o desconhecido mágico. Seria como o “além do arco-íris”. A magia poderia acontecer. Mas aqui, o outro lado da ponte tem um significado muitas vezes sombrio.

Quem vive do outro lado da ponte, sabe… Tem um povo trabalhador, alegre, rico em sabedoria popular, gente que conta histórias e nos enriquece… Mas que vive sitiado pelo pré-conceito.

Aqui, desse lado, do outro lado da ponte, temos tudo para a subsistência. Mas não temos lazer, não temos onde nossos jovens possam estar se desenvolvendo socialmente com segurança. Aqui, não há descanso, há vigilância.

Do outro lado da ponte não tem magia. Tem a dureza da vida cotidiana… amarrada na insegurança. Entristecida pelo abandono do poder público.

Aqui… do outro lado da ponte, somos sobreviventes.

Nos viramos, nos apoiamos… Vivemos e sobrevivemos esquecidos, deixados de lado, para depois… Para mais tarde, para o depois que nunca chega.

E sobrevivemos. Mas até quando?

(*) Leandra Ferreira Bento é Professora.

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2 comentários em “Do outro lado da ponte.”

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