APOCALIPSE NO CERRADO

By: Marcelo de Paula – fotógrafo/cineasta Código Solar Produções

marcelodepaula.codigosolar@gmail.com

Minha consciência sobre à importância do Meio Ambiente e dedicação ao ativismo ambiental vem de tempos atrás! No final dos anos 80 eu já rodava os Parques Nacionais do Brasil, em incursões fotográficas junto à expedições científicas em várias regiões do País: Parques Nacionais da Tijuca, Serra dos Órgãos, Itatiaia, Reserva Biológica Poço das Antas, Reserva Biológica União (RJ); Fernando de Noronha (PE); Iguaçu e Superagüi (PR); Chapada dos Guimarães e Estação Ecológica de Taiamã  (MT); Chapada dos Veadeiros (GO); Amazônia e Anavilhanas (AM); Lagoa do Peixe (RS); do Caparaó (MG); Serra da Bodoquena (MS); Serra da Bocaina (SP); Parque Indígena da Ilha do Bananal (TO) e outros.

Sou fotógrafo dedicado à natureza com inúmeros registros fotográficos e textos publicados em livros da Fundação SOS Mata Atlântica; Fundação Roberto Marinho; Conservação Internacional do Brasil; Revista de Domingo do Jornal do Brasil etc. Além de ter residido em duas tribos indígenas.

São andanças e pesquisas in loco que me credenciam para falar um pouco sobre preservação ambiental, sobre ecossistemas e espécies ameaçados de extinção!

O foco do texto de hoje é sobre o Cerrado brasileiro, que vem sofrendo uma verdadeira era apocalíptica com invasão do agronegócio e seus poderosos venenos e uma alta exploração predatória dos seus recursos naturais.

Apocalipse no Cerrado é o nome do meu filme recém-finalizado, que iniciou sua           trajetória pelos festivais de cinema nacionais e internacionais! Um documentário que versa sobre o caos que se instalou na região do Parque Nacional da Chapada do Guimarães, no Estado do Mato Grosso.

Em 2020, a lista de Agrotóxicos liberados no Brasil bateu recorde! Cerca de 20% dos pesticidas fabricados no mundo são despejados no Brasil. Classificados como perigosos para a saúde, mais de 2 mil produtos estão envenenando o meio ambiente e a mesa dos brasileiros! Tão perigosos que foram proibidos mundialmente!

Além de afetar abelhas, pássaros e animais de grande porte, há mais de 40 mil casos registrados de pessoas intoxicadas por agrotóxicos no País: morte, câncer, má formação de bebês, aborto etc.

E vale aqui lembrar uma frase de Albert Einstein sobre essa questão: “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais não haverá raça humana.”

Estamos mais uma vez falando sobre extinção, mas aqui no Brasil ela é patrocinada pelo atual Governo Bolsonaro e suas péssimas políticas ambientais!

Cerrado é um ecossistema do tipo savana que ocorre em 25% do território nacional. É o segundo maior bioma da América do Sul!Continuamente abrange os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná e São Paulo. Com áreas fragmentadas no Amapá, Roraima e Amazonas. (2.036.448 km²)

O Cerrado abriga as nascentes e boa parte das três maiores Bacias Hidrográficas da América do Sul:  Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata. Abundância aquífera favorecendo a alta biodiversidade!

São 11 mil espécies de plantas nativas catalogadas. Mais de 220 têm uso medicinal, Mais de 400 são usadas na recuperação e erosão dos solos, como barreiras contra vento e de habitat para predadores naturais das pragas! Fora a grande quantidade de frutos consumidos pelas populações tradicionais e nos centros urbanos.

O bioma também é refúgio de inúmeras espécies de animais ameaçados.O Cerrado brasileiro é considerado a savana mais rica do mundo. Uma biodiversidade única ameaçada de extinção!

Depois da Mata Atlântica é o ecossistema mais degradado pela ocupação humana. Seu território vem sendo destruído pela expansão agrícola e seus venenos, por aberturas de imensas áreas para o consumo de carne, exploração de suas madeiras para carvão e especulação imobiliária.

Essas ações predatórias ao Cerrado estão atingindo diretamente as populações tradicionais que sobrevivem e detêm o verdadeiro conhecimento milenar desses recursos naturais: etnias indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outras comunidades que integram o Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro.

Apesar do crescente dano a sua biodiversidade, o Cerrado é o bioma que possui a menor porcentagem de áreas protegidas (8,21%). E ainda sofre pressões governamentais e poderosas influências para diminuir essas áreas protegidas para o agronegócio e o avanço imobiliário. Como é o caso do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães!

Há quem pense que o agronegócio é um bem ou é pop, como dizem por aí! Mas a realidade é outra: Isenções mais redução de impostos para o agronegócio somam    R$ 10 Bilhões/ano; contra R$ 2,7 Bilhões do orçamento previsto para o Ministério do Meio Ambiente em 2020.

Na verdade, o agronegócio vem acabando com o Cerrado, com a Amazônia, com o Pantanal e com diversos outros ecossistemas nacionais!

Como o nome diz, Apocalipse no Cerrado é um documentário impactante, que trata sobre a dura realidade da devastação de um dos mais ricos ecossistemas do Brasil.

Um bioma que vem sendo degradado pelo agronegócio, através do uso abusivo de agrotóxicos, expansão das monoculturas da soja, milho e algodão e aumento da produção pecuária ao redor das suas poucas áreas preservadas, especulação imobiliária e interesses políticos contrários à manutenção do Cerrado.

Apocalipse no Cerrado é narrado a partir de fatos relevantes relacionados à tentativa de suprimir o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e suas áreas de entorno. 

Apocalipse no Cerrado é um filme denúncia, de média-metragem, contra a ameaça de extermínio do Cerrado, contra a opressão bancada pelo poder econômico e apoiada pela atual e péssima política ambiental do País.

Um cinema de guerrilha em prol da conservação ambiental brasileira! Faço o meu combate com palavras, fotos e filmes!

“É triste pensar que a Natureza fala e que o gênero humano não a ouve.” – Victor Hugo (dramaturgo francês).

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3 comentários em “APOCALIPSE NO CERRADO”

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