“É tudo chichica pra passar o tempo”!

Muitos candidatos a câmara estão “pedindo amizade” no Facebook e nas redes sociais. Parcas informações e aquele papo velho que vão acabar com os buracos nas ruas e fazendo denúncias contra o atendimento na saúde: pegam alguns incautos e gravam situações constrangedoras. Muito pouco para credenciar alguém a sentar nas confortáveis poltronas do Plenário Oswaldo Rodrigues.

ARRECADAÇÃO

Arrecadação

A orla da Praia do Forte hoje estava repleta de carros estacionados. Aí a pergunta que não quer calar. Por qual motivo os parquímetros estão desativados num momento de vacas magras para a arrecadação municipal? Cabo Frio não é para amadores.

Mulheres

Cresce o número de mulheres participando da política municipal. Exemplo a engenheira Tita Calvet (PDT) e a professora Luciene Lima (Rede Sustentabilidade), de Tamoios. As duas querem sentar nas confortáveis poltronas do Plenário Oswaldo Rodrigues. As mulheres são maioria do eleitorado brasileiro.

Crise sem fim

A secretaria municipal de saúde parece ter um burro enterrado. É uma crise sem fim. O secretário Iranildo Campos, que demonstra ter mais força política que o próprio prefeito Adriano Moreno, demitiu todo o setor de licitações.

LAMBENDO A CRIA – José Sette de Barros (*)

Você conhece um cara chamado Emiliano Sette, que é músico de cinema, ator, compositor e poeta – já fez trilha sonora musical de alguns filmes no seu estúdio “Garimpo”, que fica na Gávea, Rio de Janeiro – gosta de rock, toca guitarra na banda Urubu Sertão e criou uma banda de rock chamada SolanaStar? Outro dia tivemos uma pequena polêmica, não sei ao certo: só sei que eu achava, e ainda acho que se pode tocar e gostar de todas as músicas populares desse planeta, mas que elas sejam inteligentes, bem feitas e traga uma boa poesia, um bom texto. Agora, cantar em inglês, tudo bem! Imitar músicas conhecidas do hit internacional, aí já é demais. Eu não gosto! Gosto de algumas músicas do rock inglês e só gosto no original. Sou um radical? Um inglês excêntrico? Temos no rock brasileiro, que é bom, algumas composições que são excelentes, então por que cantar e tocar sucessos do rock em inglês? Para vender shows, discos? Eu acho que os brasileiros ultimamente têm a mania de ouvir e de cantar músicas de quinta, decoradas na língua inglesa, que falam de coisas distantes, asnices que ele não vive porque não sente que não fazem parte de sua cultura e que, na maioria das vezes, ele nem sabe o que a letra está dizendo. São sucessos graças ao jabá e à repetição massacrante delas nos meios de comunicação.

São poucos no Brasil aqueles que dominam a língua inglesa e a cultura daquela ilha velha que só nos fez um bem, um Big Bem! Bum! Morei em Londres e sei do que estou falando.

Para valer a pena criar uma canção de sucesso é preciso atingir o público com coisas nossas e não apelar ao público pelo que já foi dito lá fora milhões de vezes. Sei que é preciso, às vezes, não ser tão radical. Mas é que eu acho que o dito mercado empurra os nossos jovens artistas para um caminho distante de sua verdadeira vocação. Veja o caso dos sertanejos cópia do que de pior fizeram na América. Mas, o cara brasileiro, principalmente o nordestino, é bom músico, excelente poeta, grande artista, pode ser o que quiser ser, ele sabe disso, sua música vai acontecer apesar do mercado e da selvagem competição promovida pelos interesses do capital.

(*) José Sette de Barros é artista plástico e cineasta.

O SARGENTO E A MULHER DO CORONEL – Tati BUENO

Numa dessas missas dominicais , eu sai de casa de carro, embora eu morasse praticamente ao lado da famosa Igrejinha do Posto 6 , e estacionei bem em frente à guarita do Exército . O guarda, um sargento zangado, pulou da cabine armado e dirigindo-se a mim ordenou sério : – A senhora não pode estacionar aí ! Vociferou feroz .

– Porque? Fingindo eu, não saber que era uma área exclusiva das Forças Armadas, tão temidas nesta época!

E ele incisivo falou grosso:

– É privativo dos militares e principalmente frisou: da altas patentes militares!

-Então eu posso , respondi fechando a porta do carro displicentemente, fingindo coragem, e andei apressada em direção do pátio da Igrejinha.

E ele, quem é a senhora ? Porque a senhora pode tanto?

E eu com passos mais rápidos respondi balançando os ombros fingindo indiferença:

– Eu posso porque sou a mulher do Ministro da Marinha (que era um Almirante famoso)

Aí assisti à missa tranquilamente e fui embora sem maiores incidentes.

Dias depois, talvez duas semanas, voltei ao mesmo estacionamento, e coincidentemente , era o mesmo guarda na guarita – que eu não reconheci- e aconteceu, claro, o mesmo diálogo, e eu apenas mudei de “marido“ e repliquei mais convicta.

– Esqueceu de mim? Sou a mulher do Ministro da Guerra! Lógico, tinha que ter farda nessa história!

O sargento levou um susto enorme, me olhou fixamente e surpreendentemente me deixou assistir à missa!

“Eita causo longo“: Domingo depois , com o mesmo carro OPEL importado, e talvez mais pelo carro do que por mim, ele estivesse me reconhecendo, e antes de qualquer “papo”, veio brabo em minha direção e disparou categórico; Olha aqui moça, durante esse mês a senhora foi casada com dois Ministros diferentes (milícos; claro) e se hoje a senhora disser que é casada com o General que é o Presidente do Brasil, vai ter briga porque a mulher dele eu conheço, está lá dentro na missa, e ela é uma fera!

Nunca mais fui à missa de carro. A Igrejinha foi demolida, mudou para o lado de minha casa, virou Paróquia da Ressurreição e eu na época casada com um Coronel da Aeronáutica me separei, e nunca mais casei com coronel nenhum.

 Coronel, cruz credo! Tem mulher demais!

E como tem !

(*) Tati BUENO é jornalista.

A ARTE DA ESCOLHA – Aroldo Póvoas Pereira

Embora para nós seja apenas utopia, eleições municipais estão chegando…
Saber escolher é fundamental para que não se diga mais tarde: “me decepcionei, me enganou, não cumpriu o que prometeu…”
Opções existem várias, até mesmo aquelas que se colocam como “arautos da moral e bons costumes, de boas intenções, de soluções milagreiras” enfim, ofertam ilusões e sonhos mirabolantes…
Muitas vezes não passam de lobos em pele de carneiro…
É o que aconteceu com o país e ontem com o estado!
O momento é de escolha pela competência e seriedade com a coisa pública, pois nossa terra precisa de alguém que desperte em nós, o orgulho de sermos cabofrienses natos ou não!
Creio não ser preciso desenhar ou copiar!
“Todo governo deve ter por único objetivo o bem dos governados.”
Santo Agostinho
Bom sábado pra nós!

OLHO DA JUSTIÇA

By: Marcelo de Paula – fotógrafo/cineasta Código Solar Produções

marcelodepaula.codigosolar@gmail.com

A figura representativa da Justiça é uma estátua feminina, de olhos vendados, que tenta indicar imparcialidade; com uma espada na mão, que demonstra força para impor o direito, as Leis e uma balança que representa a ponderação das partes em litígio!

Mas tenho certeza de que a estátua da Justiça no Brasil anda vendo muito, mesmo com os olhos vendados; que a lâmina de sua espada está mais afiada para um lado do que para o outro e que sua balança está quebrada!

Vamos analisar os fatos da injustiça social que assola o País! Não precisa nem buscar histórias muito passadas, podemos julgar a Justiça do Golpe do Impeachment da Dilma para cá!

Sem que nada fosse comprovado de irregularidades no seu Governo, concluiu o processo após o Impeachment, Dilma foi julgada e afastada numa rapidez impressionante!

As pedaladas fiscais, devem estar comentando os bolsonaristas de plantão! Essas mesmas pedaladas fiscais, não apareceram na prestação de contas do Governo Dilma e ainda assim ela foi julgada pela Rainha de Copas de Alice no Brasil das Maravilhas – Cortem as Cabeças!

Essa mesma Justiça, que tudo vê, não foi tão veloz ao levantar sua espada para os obreiros do Golpe! A começar por Dallagnol, arquiteto do PowerPoint de 2016 que incriminou Lula.

Essa apresentação de Deltan Dallagnol, que é considerada um abuso de poder ao apontar o Ex-presidente Lula como chefe de uma quadrilha, teve sua análise e julgamento adiados por mais de 42 vezespelo Conselho Nacional do Ministério Público e acabou de prescrever!

Batman e Robin! Assim, Sérgio Moro e Dallagnol atuaram injustamente contra o Ex-presidente Lula e o afastaram dos palanques eleitorais de 2018, o qual elegeram o Governo das irregularidades, que só a Justiça e o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, não querem ver!

No processo de prisão de Lula, Sérgio Moro atuou como acusador e juiz, apresentou provas infundadas contra Lula e depois foi escolhido para ser Ministro da Justiça do Governo Bolsonaro e já deixou o cargo incriminando o Presidente de querer interferir na Justiça e nas investigações contra o clã mais lambuzado de crimes, que não param de emergir da lama!

De volta às pedaladas fiscais que“decapitaram” Dilma, elas também foram usadas pelo Governo Bolsonaro e foram graciosamente apelidadas de dribles, com um informal pedido de desculpas do bom samaritano Ministro Paulo Guedes e aceitas pela Senhora que tudo vê, Justiça do Brasil!

Só em 2019, as pedaladas fiscais de Paulo Guedes chegaram à bagatela de R$ 55 Bilhões, superando os valores de R$ 36,07 e R$ 52 Bilhões, nos anos de 2013 e 2014, respectivamente, do Governo Dilma, que motivaram o Impeachment produzido por Janaína Paschoal e Miguel Reale Jr., a mando do PSDB.

E não paramos por aí! Voltamos ao Messias Bolsonaro e seu Governo salvador que tem mais de 1457 pedidos de Impeachment protocolados contra ele, que não andam e não são analisados na mesma velocidade meteórica que fizeram, ao golpear a única mulher presidente na história do País!

Genocídio Indígena; descaso, inabilidade e inoperância política no enfrentamento da pandemia de saúde pública do Covid-19, que já computou mais de 119 mil mortes, sem nem ao menos incomodar a consciência do governante do Brasil!

Total descaso ambiental com as queimadas pela Amazônia e Pantanal, diminuição do Cerrado e Mata Atlântica, que culminaram com o corte de verbas do orçamento do ICMBIO e do IBAMA, na casa dos R$ 60 Milhões. O corte teve a assinatura do Ministro do Mal Ambiente, Ricardo Salles, que foi tão criticado que voltou atrás! O tal corte de verbas praticamente quebrava as pernas das fiscalizações ambientais!

São aí inúmeros motivos para que Rodrigo Maia e a Justiça, nem tão cega assim, desengavete os pedidos protocolados de Impeachment do Presidente Bolsonaro e dê trâmites legais aos mesmos!

E nem mencionamos aqui as falcatruas que envolvem os filhos do Presidente: Fake News; rachadinhas; favorecimentos de informação em processos em que eles estão envolvidos etc.

A lama podre da corrupção fervilha nos porões do Governo Bolsonaro! E o cheiro ruim está chegando aqui em Cabo Frio e respingando nos candidatos que insistem em apoiar suas candidaturas nesse pilar corroído da política brasileira – o bolsonarismo!

Presidente Bolsonaro, porque o Queiroz depositou R$ 89 Mil Reais na conta da Primeira Dama Michelle Bolsonaro?

É a pergunta que não quer calar!

Zeladores de buracos

Em Cabo Frio, na medida em que o processo eleitoral vai chegando aumentam as notícias falsas, acusações levianas e os inúmeros “zeladores de buracos” nas ruas da cidade. Quando a eleição chega ao fim os “zeladores de buracos”, poças d’água e outras mazelas urbanas desaparecem para voltar depois de quatro anos.

Sem o Witzel

O meio político cabofriense especula que muito possivelmente o secretário municipal de saúde, o Policial Militar reformado, Iranildo Campos, tem muita chance de tirar o time de campo. Afinal, sem o apoio de Witzel sua permanência perde o sentido. Ou não?

Lambuzados na corrupção

A extrema direita subiu ao poder em 2018 e está se lambuzando, alvo de inumeráveis processos em casos de corrupção. Não se esperava outra coisa desses falsos profetas, que infestam o processo político e religioso do país. Estão promovendo o maior retrocesso da História do Brasil.

Mudanças para a eleição

As eleições municipais de novembro terão o horário ampliado: 7 às 17h. Além disso, entre as 7h e às 10h haverá atendimento preferencial aos maiores de 60 anos, isto é, o pessoal da 3ª idade. Essas medidas fazem parte do conjunto de novas regras para realizar as eleições durante a pandemia.

Todo mundo atento

A reunião mensal do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (CMUPAC) acontece on-line na próxima quarta-feira (2), às 15h. A convocação é feita pela Secretaria de Cultura e é aberta à população, para acompanhamento das pautas debatidas entre os conselheiros, representantes do poder público e da sociedade civil organizada.

Os interessados em acompanhar a reunião podem pedir o link de acesso por meio do e-mail: cmupac.conselhodepatrimonio@gmail.com .

Na reunião serão discutidas sobre as deliberações da reunião anterior (Reunião Ordinária realizada no dia 12.08.2020); aprovação da Ata da Reunião Ordinária realizada no dia 12.08.2020; análise do valor histórico do denominado “Galpão do Sal” e votação do PA nº 17298/2017. Além disso, será definida a pauta da próxima reunião e será tratado assuntos gerais.

O link para acesso é: https://meet.google.com/hwy-oimb-vzh .

ATRAVESSANDO OS ARCOS

Minha rua tem passarela

e às vezes arcos-da-chuva

mas o meu maior desafio

é atravessar o meio-fio

sem pensar nela

Vento viajeiro

leva minha mala de horizontes

e põe no coração da minha amada

um pôr-do-sol e um diamante

Recita

receita ou sopra

esse poema

assassinado às pressas

com a minha letra

e a minha tristeza

Já gritei por escrito

duzentas vezes

no livro de insistências

mas ela só namora de ouvido

não conhece clave de sol

nem fã sustenido

Como a traça

lê a seu modo

procuro entender

o motivo

Eu venho eu vou

eu vivo em busca do sublime

que nenhuma hp imprime

O sublime

que pode ser somente

estar deslumbrado

com o que há de mais simples

Como por exemplo:

atravessar (com ela)

de mãos dadas

os Arcos — íris — da Lapa

(Ricardo do Carmo)

ALVINHO, BOM PALPITE – Plínio Marcos

O Alvinho encarava um batente que não era mole. Se virava mais que charuto em boca de bêbado por uma grana muito mixuruca, que mal dava pra ele escorar os repuxos. Coisa que não é mole, hoje em dia, com a vida custando os olhos da cara como anda. Muito nego se abilola. Principalmente se o pinta é casado e tem montes de filhos pra sustentar. Às vezes, entra em bobeira e sai falando sozinho. E esse era o lance do Alvinho. Cheio de bronca com a sinuca de bico em que estava, ficava pelos botecos cavernosos e biroscas escamosas fazendo o maior quás-quás-quás da paróquia:

— Estou na piorada. Sei que estou. Mas um dia vira o jogo. Tem que virar. Do jeito que está não pode ser. Vê eu? Mino linha de frente, me atucanando nessa zorra encardida. Tá direito? Tá, não. Eu, Alvinho boa cuca, cheio de embaixada, perdido aqui nessa joça. Entregue às traças. A perigo perpétuo. Um dia tem que mudar.

E como esse papo que ele engrenava não dizia nada a ninguém, o jeito era ele mesmo continuar charlando:

— Nasci pra ser tratado a pão-de-ló. E, no entanto, estou só comendo capim pela raiz. Não dá pedal. Um dia me arrumo. Nem que precise fazer uma desgraça.

Claro que era conversa de bêbado. Nem o mais loque dos ouvintes botava fé. Estava tão escancarado que o bafo de boca do Alvinho era só desabafo que a curriola nem se tocava. E assim foi por anos e anos a fio. O Alvinho, na volta do trampo, parava na tendinha, enchia a fuça de cachaça e chorava as pitangas. Mas até araruta tem seu dia de mingau. Certa tarde, o Alvinho piou na parada e só deu um alô:

— Manda a penúltima.

O português do boteco fez a vontade do freguês. Botou a pinga, o Alvinho virou num gole e deu uma dica que fundiu a cuca de muito xereta:

— Inté. Vou cuidar de mim, que tou na bica pra ficar rico. E, sem maiores explicações, se picou. Largou a patota se badalando no seu destino:

— Não gostei dessa história do Alvinho.

— Nem eu. Ele não é de sair daqui antes das nove.

— Não vai ele, com essa mania de se acertar, entrar em canoa furada.

— Que ele pode fazer?

— Sei lá. Com essa mania de ficar rico, ele pode aprontar.

— Quê? Meter a mão grande em cima dos outros?

— E não pode querer sair por aí?

— Não ele. O Alvinho é de coisa nenhuma.

— Já vi muito papagaio enfeitado endoidar e fazer façanha.

— Isso eu também vi. Mas deixa andar. A cabeça dele é o seu guia. Se arrumar sarna, que se coce.

Mas não tinha chaveco nenhum na esperança do Alvinho. Acontece que, naquela semana, inaugurava a Loteria Esportiva. E como todo o povão das quebradas do mundaréu, desde onde o vento encosta o lixo até onde o vagau pisa devagarinho, o Alvinho via naquele babado a chance de tirar o pé do lodo. E, na cisma firme, se vidrou na loteria. Dali pra frente, até deixou de beber. Nem estrilava mais. Seu negócio era saber quem era o A.B.C. do escambau, o Lagarto da Barra do Catimbó, Nacional do fim da linha e tal e coisa. Então, era tentar a sorte. Sacrificava a família, deixava os mumus sem gororoba, mas arriscava seu palpite. Se alguém botava areia, ele descurtia:

— Que nada! Um dia eu faço treze pontos. Um dia dá eu na cabeceira. E tem um negócio: se eu beliscar uma nota, que nem precisa ser grande, pode ser dividida com um gango, eu nunca mais fico duro. Podem crer. Eu sei de mim. Se meu orixá me valer, eu faço e aconteço. Juro por essa luz que me ilumina.

E por nada desse mundo saía da cola. Estava rente. Fazia doze, onze, nunca menos de dez pontos. E, com essas e outras, o bruto sofria. Torcia. Passava o fim de semana inteiro com um brinco de malandro pendurado na orelha. Só de radinho de pilha, conferindo o resultado. E, remando a catraia em águas barrentas, o Alvinho ficava plantado na boca de espera.

E ficou nesse chove-não-molha até que veio o teste 44. Fanático como era, o Alvinho manjou o cartão e urrou. Se pudesse fazer três triplos, era barbada. Não teria erro. Contou sua grana e se apavorou: só tinha dois pixulés muito sem-vergonhas. No desespero, saiu caitituando pra cima do seu irmão e do seu cunhado. Azucrinou tanto os parentes que conseguiu dobrá-los. Conseguiu a bufunfa, apostou. Ficou na moita e se deu bem. Treze pontos. Uma glória! Treze pontos. Porém (e sempre tem um porém), mais novecentos e sessenta e oito negos, além dele, fizeram os treze pontos. A parte que lhe tocou foi de treze mil e novecentas jiripocas. Como teve que rachar por três, ficou com quatro milhos e caqueiradas. Quase nada. Mas, pra ele, que era salário-mínimo, era uma fortuna. E, sem se afobar, anunciou pros cupinchas:

—Como falei, nunca mais vou ficar duro.

E, mesmo a moçada do pedaço estranhando, o Alvinho meteu os peitos. Jogou o emprego pro alto. Comprou uma bicheira Buick 58, se encheu de roupas e virou outro Alvinho. Se embandeirou. Estava sempre à vontade. Sem ter que levantar cedo pra trabalhar, o pinta ficou um alegrão. E, de tanta folga que ele tinha, despertou inveja. Os bochichos começaram:

— Pombas! Quatro milhos dá pra tanto luxo?

— Sei lá. Eu nunca tive.

— Já faz tempo que ele ganhou na loteria.

— Pra tu ver. Já dava pra ter torrado a bufunfa.

— Principalmente gastando como gasta.

— E sem trampo.

— Deixa ele. Está com a vida que pediu a Deus.

E tanto o povaréu cortou o assunto que a pala bateu nas antenas de um cachorrinho. O cagüeta alertou o tira que era seu chapa. O tira precisava mostrar serviço e se botou na campana do Alvinho. O pesqueiro dele era maconha. Sem rodeio, o tira deu a dura. Flagrou o vencedor da loteria com a boca na botija. E foi cana dura.

No aperto, o Alvinho se abriu:

— Sabe como é. Arrumei a grana, me botei no comércio. Agora, ele vai puxar um tempão na galera gelada. Talvez dê pra ele se mancar que grana em bolso de otário atrapalha paca.

MEUS PEQUENOS VERSOS

Meus Pequenos Versos – Vanessa Vieira (*)

Quando a poesia toca não há quem saia ileso. O verso incomoda a alma e faz transbordar os mais íntimos sentimentos. A vida, o tempo, a natureza, o amor e tantos outros temas incomodam o poeta e ele, atendo, escreve! Manobra as palavras, lapida e as entrega configuradas em poesia! Eis o trabalho deste pequeno livro de poesias, entregar-lhes palavras lapidadas em forma de poema convidando-lhes a conVersar sobre as faces da vida.

(*) Vanessa Vieira e Professora e Escritora.