A CRISE NA REPRESENTAÇÃO POLÍTICA – Cláudio Leitão (*)

Vivemos hoje no Brasil uma crise na representatividade política e uma enorme fragmentação partidária. A nossa Constituição Federal permite a livre constituição de partidos políticos e a consequente representação política dos mais diversos grupos e ideologias. Em tese, é uma medida correta sob o ponto de vista democrático.

Entretanto, este fato tem permitido a criação de siglas que não possuem representação de forma clara em termos do que representa e que tipo de programa defende. Há uma infinidade de partidos que representam a mesma coisa, ou o que é pior, não representam coisa nenhuma.

Uma grande parte serve como “muleta” para siglas maiores na hora da composição de nominatas ou apoio no parlamento. Com a mudança na legislação eleitoral que impede a partir deste ano a coligação nas eleições proporcionais, ou seja, eleições parlamentares, esta primeira parte ficou prejudicada. Na minha opinião foi uma decisão correta do Congresso.

Essa profusão de partidos confunde o eleitor que passa a votar na pessoa e ignora a representação partidária e que tipo de programa ou projeto de país este partido defende. Cria um ambiente extremamente personalista na política. Daí vem este famoso “troca troca”, em que temos parlamentares que trocaram dezenas de vezes de partido em sua carreira política.

Isso não é bom para o debate político. Ele deixa de ser constituído por ideias e projetos e passa muitas vezes pela vida pregressa do candidato e deriva quase sempre para os ataques pessoais. Alguns partidos se destacam por estarem sempre envolvidos em casos de corrupção. Seus membros têm processos acumulados em várias áreas jurídicas. Outros se destacam por suas colocações sempre ao lado da população, defendendo as questões coletivas e de interesse público. Tem outros que não possuem nenhum destaque no parlamento, agem nos “espaços sombrios” da política, nos bastidores, buscando apenas interesses pessoais ou de grupos que os financiam.

Com esta profusão de partidos e o pouco ou quase nenhum acompanhamento que o eleitor brasileiro faz do dia a dia político do país, o processo eleitoral ficou “viciado”, dominado pelo poderio financeiro e pela despolitização das discussões sobre qual o melhor projeto político apresentado.

A melhor qualificação de um candidato com poucos recursos também sofre diante do “esforço marqueteiro” daqueles que tem muito dinheiro para a campanha, que criam uma imagem do candidato que não corresponde a vida real. Imagens são construídas artificialmente como se fosse um produto para “consumo político”. Já outros candidatos partem mesmo para a compra de votos e se estiverem atrelados a uma “máquina política de prefeitura” constroem sua campanha distribuindo cargos e benesses. Isso desmonta complemente o processo democrático de escolha.

O país precisa urgente de uma reforma política e uma reforma do sistema eleitoral para tornar este processo mais igual e democrático. Porém, já há muitos anos sempre encontra resistência no Congresso. Quem já está lá, como tem mais chances de retornar com este modelo desigual não quer mudar nada. Como um círculo vicioso, isso causa profundo desalento ao eleitor, que eleição após eleição apresenta alto índice percentual de não comparecimento às urnas ou de votos nulos. Este fato também afasta o jovem da política. Ele não se sente representado e participa pouco do debate político, fazendo com que as futuras gerações não lutem para aprimorar o sistema.

Infelizmente, não vejo solução no curto prazo. Penso que neste momento cabe um esforço individual de cada eleitor, principalmente daquele que tem melhor formação cultural e educacional, agir no sentido de mudar esta correlação de forças, prestigiando e votando de forma mais criteriosa e responsável, buscando uma mudança na representação parlamentar, mesmo que ainda de forma gradual.

Penso também que os grandes formadores de opinião na sociedade precisam assumir um papel mais proativo no sentido de orientar aqueles que estão sob sua área de influência para estas questões. Tudo depende de decisões políticas, embora o impacto delas seja diferente dependendo da posição social do cidadão.

É polêmico, mas entendo que é responsabilidade de quem conhece o processo político do país ajudar aqueles que estão sendo enganados sistematicamente por políticos pilantras uma eleição atrás da outra.

É paliativo, concordo, pode dar certo ou não, mas diante de tanta decepção política, por que não tentarmos este caminho alternativo?

Claudio Leitão é economista, professor de história e pré-candidato a vereador pelo PDT.

Quem paga a conta?

Os usuários dos boxes na Praça da Cidadania, na orla da Praia do Forte, realizaram manifestação pedindo a “flexibilização” do comércio por parte da prefeitura. Os comerciantes do local já pagam suas contas de energia ou ainda é o distinto público cabofriense?

Mau negócio

Na medida em que a crise se agrava o bolsonarismo vai entrando em declínio. O percentual de fanáticos fascistóides, desqualificados, inimigos das artes, da cultura e da ciência, diminui a cada pesquisa. Tudo leva a crer que, em Cabo Frio, os aproveitadores fizeram um mau negócio ao optarem pela bajulação ao “mito”.

União de rejeições

A união de Adriano Moreno, seu assessor especial, conhecido por Cati, Aquiles Barreto e Marquinhos Mendes funcionou como aglutinador de rejeição. Quem esperava catalisar no processo eleitoral de 2020 se frustrou: a pandemia está desestabilizando e desnudando a reputação dos “sheiks do petróleo”.

O dízimo acima de tudo

Os defensores da abertura dos templos como serviços essenciais deveriam assinar documento abrindo mão de vaga em UTI caso seja infectado pelo novo corona vírus. Os políticos que defendem a abertura deveriam ser responsabilizados por cada morte civil e criminalmente. Essa turma de espertalhões está se lixando para a vida humana.

O maior eleitor

O ex-prefeito de Búzios, Mirinho Braga, está cada vez mais ativo nas redes sociais, especialmente no Twitter e no Facebook. Mirinho, o primeiro prefeito pós-emancipação, continua sendo o maior eleitor do município e tem papel importante nas articulações políticas para as eleições de 2020.

OS BOTAFOGUENSES

ARMANDO NOGUEIRA

Pelada de Subúrbio
Nova Iguaçu, quatro horas da tarde, sábado de sol. Dois times suam a alma numa pelada barulhenta; o campo em que correm os dois times abre-se como um clarão de barro vermelho cercado por uma ponte velha, um matagal e uma chácara silenciosa, de muros altos.

A bola, das brancas, é nova e rola como um presente a encher o grande vazio de vidas tão humildes que, formalmente divididas, na verdade, juntam-se para conquistar a liberdade na abstração de uma vitória.

Um chute errado manda a bola, pelos ares, lá nos limites da chácara, de onde é devolvida, sem demora, por um arremesso misterioso. Alguns minutos mais tarde, outra vez a bola foi cair nos terrenos da chácara, de onde voltou lançada com as duas mãos por um velhinho com jeito de caseiro.

Na terceira, a bola ficou por lá; ou melhor, veio mas, cinco minutos depois, embaixo do braço de um homem gordo, cabeludo, vestido numa calça de pijama e nu da cintura para cima. Era o dono da chácara.

A rapaziada, meio assustada, ficou na defensiva, olhando: ele entrou, foi andando para o centro do campo, pôs a bola no chão e, quando os dois times ameaçavam agradecer, com palmas e risos, o gesto do vizinho generoso, o homem tirou da cintura um revólver e disparou seis tiros na bola.

No campo, invadido pela sombra da morte, só ficou a bola, murcha.

SANDRO MOREYRA

Vexame na Suíça (1)

Em 1954, o Brasil foi eliminado pela Hungria, na Copa da Suíça, perdendo de 4 x 2. Houve muito tumulto ao final da partida e, mesmo durante o jogo, com as expulsões de Nilton Santos e Humberto. Quando terminou, o craque Zibor, ponteiro húngaro, foi cumprimentar Maurinho e recebeu uma cuspida no rosto. Houve agressões de ambas as partes e o técnico Zezé Moreira deu com uma chuteira na cabeça do ministro dos Esportes da Hungria. O jornalista Paulo Planet Buarque derrubou com uma rasteira um bem-comportado guarda suíço. Mario Vianna, juiz brasileiro da Fifa, disse numa rádio que todos os juízes da entidade eram “uma cambada de ladrões”. Foi expulso da organização. Mesmo tentando substituir o termo “ladrões” por “fariseus”.

Vexame na Suíça (2)

Sandro Moreyra conta: “Torcedores no Rio de Janeiro, insuflados contra a Fifa, marcharam para apedrejar a embaixada Suíça, mas, por um lamentável equívoco, quebraram as vidraças da Embaixada da Suécia. O Itamaraty apresentou suas desculpas, mas não pagou os vidros quebrados. Tudo isso aconteceu no dia 19 de junho de 1954. Um dia de cão para o futebol brasileiro”.

Vexame na Suíça (3)

Jaime de Carvalho, criador da Charanga Rubro-Negra, acompanhou a Seleção na Suíça. Na estreia do Brasil, Jaime distribuiu, entre a torcida, os rojões de três tiros com que saudava o Flamengo no Maracanã. Os suíços não entenderam aqueles tiros potentes no estádio. “Guardas apitavam, sirenes tocavam e a fumaceira dos foguetes tornava ainda mais dramática a situação. No dia seguinte, a Fifa enviou à delegação brasileira um ofício enérgico com uma ameaça terrível: se o Brasil repetir o bombardeio de ontem, será para sempre eliminado das Copas do Mundo.”