COMER ALPISTE NÃO FAZ VOAR – Ricardo do Carmo.

Desço à rua por obrigação:
é preciso trabalhar!
Comer alpiste não faz voar
e as ilusões se perdem.
Se eu soubesse  
que senhores de escravos
continuariam a mandar aqui
teria convencido minha mãe
a me fabricar em outro lugar.
Agora já era!
Para cada voo uma pedrada,
uma espada fincada.
Bailarinos são desmontados no ar.
As tropas invadiram a biblioteca
deram Neruda e Nicanor Parra aos cavalos                                                   e os bichos saíram relinchando poemas.
Alegria de poeta dura louco!
Não vem querer pegar pra Cristo
que eu resisto.
Nem botar de castigo
que eu não fico.
Rio que é rio não vira água empoçada.
Não se trata de implicância 
ou ser do contra
mas se odiar agora é normal: 
Eu amo ainda mais.
Aderir aos rudes, jamais!

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