MUNDINHO – Ricardo do Carmo

Não sou homem do mundo

Sou da minha vasta escuridão

Do meu quintal para dentro

Do meu peito pra fora

Não sou homem do mundo

Sou da janela onde acomodo meus cotovelos

Dos chinelos que reinventam meus dedos

Do recorte de chão que semeia meus pés plantados

Não sou homem do mundo

Sou do meu velocípede quebrado na infância

Dos meus medos e mapas desvairados

Meu passaporte inválido, minha esperança inútil

Minha face instalada

Não sou homem do mundo

Sou das minhas plantas sinceras

Meus pássaros e minha gaiola

Meu sofá de nuvens

Meu rodízio de doenças

Minhas crenças absurdas

Meu corrimão de letras

Não sou homem do mundo

Sou do meu grito

Do que vivi e fui vivido

Das minhas miudezas…

Eu sou do meu mundinho

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