QUEM MANDA NA PARADA!

Cada vez mais evidente que Adriano Moreno é o “laranja” e quem manda na parada é Aquiles Barreto, Miguel Alencar e Antônio Carlos Vieira, conhecido por Cati. O grupo comanda a prefeitura e as articulações político-eleitorais. Tentam de todas as formas desvincularem a candidatura de Aquiles Barreto do governo, que tem mais de 90% de rejeição junto à opinião pública.

O DESASTRE!

O medo dessa turma é que se consolide na população a idéia da aliança entre os grupos de Adriano + Cati e Aquiles + Marquinhos + Miguel Alencar: por essas e outras é que simulam uma divergência aqui outra acolá. Seria um desastre eleitoral para eles, por que incorporariam uma multiplicidade de rejeições: afinal, os dois últimos governos controlados por eles (Marquinhos e depois Adriano) foram um desastre absoluto.

A BUSCA DA POLARIZAÇÃO

Os grupos de Adriano Moreno e Aquiles Barreto disputam com o do deputado Sérgio Luiz Azevedo à polarização com José Bonifácio Novellino. A observação do cenário político-eleitoral permite dizer que está valendo tudo ou quase tudo. Nenhum dos dois, Aquiles e Sérgio conseguiram consolidar seus nomes para enfrentar José Bonifácio, o que explica o verdadeiro “arranha gato” entre os dois.

CANDIDATOS FAKES

Está chegando a 30 o número de “candidatos fakes” a prefeito de Cabo Frio. Candidaturas pra valer não devem chegar a cinco e com muita boa vontade. Alguns buscam desesperadamente alguma notoriedade para negociar, sem ter o que entregar, porque o embornal de votos é pouco diferente de zero. Outros querem mesmo é uma cadeira na câmara ou mesmo uma portaria gorda com o vencedor da eleição.

ADEUS BURACO!

Os fiscais de buracos, defensores de “quebra molas”, críticos ferozes das prestadoras de serviço monopolizado como a Prolagos e a Enel proliferam nos meses que precedem a eleição. São tantos que se assemelham a mosquitada no Verão, mas desaparecem em velocidade da luz após o pleito. Quando os votos são razoavelmente bons arrumam um emprego público e “Adeus Buraco”. E não se envergonham.

OS EXTREMISTAS

Os bolsonaristas e assemelhados já constam cerca de quatro candidatos a prefeito de Cabo Frio: uma riqueza! Cada um tem o discurso mais extremista que o outro. O assunto principal é sempre punitivo, preconceituoso e voltado para a segurança, sempre privilegiando o setor privado, que é a onda deles. Cresceram em 2018, mas depois do fracasso do governo federal vem murchando com rapidez.

ARRAIAL É ARRAIAL

E Arraial do Cabo continua sendo arraial. De dia policia civil bate na prefeitura e a noite a companheirada abraça Renatinho Vianna. Como diz Vovô Bibiu em suas cartas psicografadas e também alguns cartomantes do Portinho”, Arraial é outro mundo”.

CHOVE DENTRO DO ISOLAMENTO

Desde antes da manhã sair pelas beiradas da noite já chovia por aqui. Talvez chovesse aí também. E a criança, já em alguma medida aprisionada pelo isolamento social, ficou ainda mais desassossegada. Esse momento tão extraordinário da vida podia, pelo menos, ser de um sol incessante. Nesse dia de clausura dentro da clausura, parece que ninguém com menos de oito anos pensa em fazer outra coisa que não seja ver um filme. Ver e rever o mesmo. Já visto antes e antes numa repetição de decorar todas as falas.

Pois é em meio a negociação de quereres humanos que a crônica ainda precisa nascer. Então a criança, cujo filme está no computador que ainda não viu a crônica, vem ajudar nesse parto. Me falta um tema e ela dispara uma série intuitiva de palavras: Panela, bateria, comida, passarinho, canarinho, pilha, colher. Por um instante penso em produzir um texto surrealista. Dialogar com o inconsciente, gargalhar sem porque e no fim assinar e produzir uma nota explicativa, consciente, séria e cheia de motivos.

A criança está no meu encalço. Em pé, ao lado da cadeira na qual me sento, ela vigia cada investida dos meus dedos às teclas. Está à beira de me dizer “Se quiser eu escrevo.”. Estou a um triz de aceitar. A chuva não cessa. Sol, na mais otimista das expectativas, somente amanhã.

É preciso entender as dificuldades que o momento traz para todos. Sobretudo para as crianças.

Ela me olha e pede com um “por favor” agoniado. Ponho um ponto na frase e decido que será o final. Está bem assim. Há fins nessa vida cuja natureza é mesmo imprevisível.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 30 de julho de 2020

A IMPORTÂNCIA DA SAÚDE DE BASE E DA FISCALIZAÇÃO DOS RECURSOS

A cobertura de 54% é muito baixa. Tanto a população quanto a Câmara precisam cobrar do prefeito eleito para 2021 que implemente ações para criar novas equipes e ampliar os postos do principal programa de saúde pública do país.

A meta tem que ser 100% de cobertura. Precisamos cuidar da saúde das pessoas e não apenas tratar das doenças, e consequentemente, reduzir as demandas nas estruturas emergenciais.

Entretanto, é fundamental que o vereador conheça o orçamento público para uma efetiva e rigorosa fiscalização dos recursos, tanto os de origem federal quanto, principalmente, os recursos provenientes de arrecadação própria.

A Lei Orçamentária determina um repasse de no mínimo 15% do que foi arrecadado. E aí que ocorrem os maiores desvios para outras áreas.

Eu estarei nesta luta !

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RAFAEL PEÇANHA

Embora compreendam a postura do vereador Rafael Peçanha (Cidadania) os demais representantes partidários, que compõem a aliança de apoio a José Bonifácio (PDT) acreditam ainda na possibilidade de seu engajamento na campanha, como vice na chapa. O vereador disse que ficou lisonjeado, mas ainda continua a dizer não.

TRAGÉDIA ANUNCIADA – 1

O Arraial do Cabo não dá sorte com seus prefeitos, Hermes Barcelos, Renato Vianna, Henrique Melman, Wanderson Cardoso (Andinho) e Renatinho Vianna: é muita dor de cabeça para um município só. Mais uma vez, está virando rotina, o Ministério Público e a Polícia Civil estão na cidade e não estão de brincadeira.

TRAGÉDIA ANUNCIADA – 2

A Operação Porto Franco, realizada na manhã de ontem, quarta-feira, 29, levou o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil mais uma vez ao Arraial do Cabo, cumprindo sete mandados de busca e apreensão por corrupção e fraude. A pergunta inocente é: vai virar rotina?

TRAGÉDIA ANUNCIADA – 3

O prefeito Renatinho Vianna foi “privilegiado” pelo Ministério Público do Estado. No seu caso o mandado objetivava recolher em sua própria residência computadores, notebooks e aparelhos telefônicos celulares. Em sua defesa, o governo municipal soltou nota dizendo que prima pela transparência. Que bom! A gente acredita!

A SAÚDE É MAIS IMPORTANTE

O vereador Aquiles Barreto passou um grande susto com a infecção e a internação gerada pelo novo corona vírus (covid-19). O vereador, certamente vai precisar de algum tempo para recuperar a plenitude de sua saúde e poder retomar plenamente todas as atividades políticas, nas quais estava envolvido.

TEIXEIRA E SOUSA E O PROBLEMA DO MAL

José Correia Baptista

A atualidade de Antonio Gonçalves Teixeira e Sousa (1812-1861) – o primeiro romancista brasileiro com a publicação de “O filho do pescador” em 1843 – está na leitura que ele fez de seu tempo. A obra ficcional de Teixeira e Sousa, muito voltada para o folhetim cujo propósito era atender a um público que valorizava as peripécias e reviravoltas imprevisíveis dos personagens e suas histórias, estruturada pelas exigências da corrente do sucesso momentâneo, ficou datada, desinteressante e até enfadonha de se ler. Essa crítica Teixeira e Sousa já recebia em sua própria época, principalmente do mal humorado e honesto Sílvio Romero.

Mas foi o Teixeira e Sousa observador atento que era dos costumes de seu tempo que deu fôlego à sua literatura – José Ramos Tinhorão escreve um capítulo em “A música popular no romance brasileiro” mostrando que Teixeira e Sousa já registra detalhes preciosos da música popular brasileira urbana -, da figura crítica que se formou na vida dura e do homem ético que aparece em sua obra pelos altos valores que conservou muito em virtude da criação amorosa que recebeu dos pais em Cabo Frio (e ele reconhece isso em uma de suas dedicatórias).

Tanto que “O filho do pescador” já nasce no partido da abolição da escravatura. Teixeira e Sousa não defende explícitamente esta causa, mas a visibilidade que ele dá aos personagens negros em seus livros, como seres autônomos, nobres, belos e corajosos, sustenta essa visão de que o negro, como ser, está fora do lugar naquele Brasil escravista. Porque Teixeira e Sousa, em toda a sua literatura, enxerga o negro como ser universal, como sujeito, e não como objeto, como simplesmente despersonalizada força de trabalho do sistema colonial. 

O PROBLEMA DO MAL – É intencional de Teixeira e Sousa intitular seu último romance folhetinesco de 1854 de “A Providência” (livro que só teve uma edição e que li os cinco tomos no site da Biblioteca José Mindlin). Desde o primeiro romance, a Providência, que é a intervenção divina nos negócios humanos, é quem reorganiza a vida de seus personagens combatidos pelo mal. A sociedade que aparece nos romances de Teixeira e Sousa é a constatação hobbesiana pré-contratual da guerra de todos contra todos. Teixeira e Sousa passa a ideia de que a violência, o mal contra os negros está associado a um quadro mais amplo da violência social institucionalizada.

A sociedade que ambienta “A Providência” é a dos tempos coloniais de meados do Setecentos. Mas isto é um recurso do romantismo para falar do tempo contemporâneo. Nos romances de Teixeira e Sousa não existe um mundo burguês mesmo que em seus antecedentes de formação de um mercado e de valores liberais. Em “A Providência” Teixeira e Sousa se pergunta sobre o processo de institucionalização de poder na sociedade brasileira e responde: “Acreditai-me: essas grandes, muito grandes casas dinheirosas, são feitas furtando-se ou roubando-se, matando-se ou iludindo-se, enganando-se, etc., etc.” E conclui com uma concepção mais geral da vida: “As venturas deste mundo são para os mais espertos, e esta esperteza consiste em enganar, e despojar os outros do que é seu.”

Com a pintura deste quadro realista constata-se que o mal está instalado no mundo e que nem o Império e nem a Igreja poderão impedir que ele se expanda, até porque Teixeira e Sousa entende que o mal se protege nessas instituições (“Tardes de um pintor” exemplifica isso). 

Esta é a visão orgânica e inteligível da história humana em Teixeira e Sousa. A conjuntura será sempre trágica. Mas Teixeira e Sousa não é indiferente ao que vê porque seus personagens têm sede de verdade e de amor. Deus dá liberdade e livre arbítrio aos homens. O mal aí se instala. O mal é contingente porque para existir precisa de um reino do bem. Não tem vida própria. Portanto, o mal não é substância. As ideias filosóficas de Teixeira e Sousa estão muito próximas às de Santo Agostinho. O conceito necessário, sim, é o de Deus. E a Providência é o governo divino do mundo. É o que dá racionalidade à história humana. Cujo final para Santo Agostinho é o triunfo geral da Igreja de Cristo. Mas para Teixeira e Sousa surge um conceito moderno que é, como defende em “A Providência”, o de que “a mudança é uma lei natural, uma lei necessária.” E naquele Império da escravidão, Teixeira e Sousa foi bem claro: “a vida é esperança; mas a alma da esperança é a liberdade”.

Bibliografia:

TEIXEIRA E SOUSA, Antonio Gonçalves. O filho do pescador. Rio de Janeiro: Edições Melhoramentos, 1977.

_________________. A providência. Rio de Janeiro: Typografia de M. Barreto, 1854. 5 v. Disponível em : <www.brasiliana.usp.br>

_________________ . As tardes de um pintor ou as intrigas de um jesuíta. São Paulo: Editora Três, 1973.

AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2010.

TINHORÃO, José Ramos. A música popular no romance brasileiro. Belo Horizonte: Oficina de livros, 1992. v. I.

(*) José Correia Baptista é editor da revista cultural Nossa Tribo, formado em Ciências Sociais e Letras pela UFF e ex-secretário de Cultura de Cabo Frio (2009/2012)