O CABO FRIO QUE APARECE NA VINDA DE D. PEDRO II EM 1847

José Correia Baptista

A passagem de D. Pedro II (1825-1891) por Cabo Frio nos dias 24 e 25 de abril de 1847 se inscreve numa viagem mais ampla de fortalecimento da instituição monárquica. Por mais de um mês D. Pedro II visitou cidades e vilas da província fluminense. De Campos dos Goytacazes em direção à capital, margeando o litoral do Estado. Nesse périplo – registrado pelo “O Correio da Tarde” e a “Gazeta Official do Império do Brasil” -, D. Pedro II contava 21 anos de idade, sua mulher a Imperatriz Teresa Cristina estava grávida do terceiro filho, Leopoldina, e a coroação como Imperador do Brasil era recente, 1841, com 14 anos de idade. O novo monarca precisava ser visto e era instigado a participar do gerenciamento da vida política e administrativa do Império.

Campos dos Goytacazes até 1677 estava sob jurisdição de Cabo Frio. 170 anos depois, o tempo que D. Pedro II permaneceu em Campos e em Cabo Frio dá a medida exata da importância de cada cidade, do que cada uma conquistara até aquele 1847. Em Campos, D. Pedro II encontrou um modo de vida mais cheio, aristocrático – o que Alberto Lamego chamou de “civilização açucareira -, e andou por lá à vontade por 22 dias – de 25 de março a 16 de abril -, recebido até com apresentações musicais interpretadas por jovens pianistas em ricos solares. Em Cabo Frio cumpriu agenda oficial por apenas dois dias. E em um final de semana. Não tinha muito que ver e nem com quem conviver.

É a Câmara de Cabo Frio que centraliza a visita real, onde em sua sede se realiza no sábado o grande baile que reúne autoridades civis, militares, eclesiásticas, várias famílias e as chamadas pessoas distintas do município. D. Pedro II passa também pelo poder religioso: assiste a um “Te Deum” no Convento de Santo Antonio e outra missa e “Te Deum” na manhã de domingo na Igreja de Nossa Senhora de Assunção. Visita a igreja de Nossa Senhora dos Remédios em Arraial do Cabo. Conhece o Forte São Mateus, representação histórica da presença militar portuguesa, quando foi recebido por uma salva imperial da artilharia. O que naquele momento tem de iniciativa econômica digna da visita de D. Pedro II é o empreendimento salineiro de Luís Lindenberg que recebera apoio do Estado a fim de introduzir inovações técnicas na produção do sal, usando a combustão como meio de reduzir o tempo de sua cristalização. D. Pedro II no entanto não almoçou na casa do alemão Lindenberg que o aguardava com um “rico almoço” – conforme relata a ata da Câmara -, “aceitando só um pouco de doce”. É digno de registro que D. Pedro II escolheu almoçar naquele domingo em Arraial do Cabo na casa do cidadão Manuel dos Santos Moreira, onde também descansou. Nessa casa, D. Pedro II teve à mesa o presidente da Câmara de Cabo Frio e o juiz de Direito da Comarca que o acompanhavam a Arraial. Sem dúvida uma confirmação dessa notável simplicidade atribuída a D. Pedro II.

Há outros registros que chamam a nossa atenção na bela ata da Câmara produzida nesta visita de D. Pedro II, como a população que em diversos momentos recebeu o Imperador. Ao passar por Campos Novos – ponto importante do roteiro do tráfico negreiro comandado por José Gonçalves -, onde almoçou e descansou, “o povo estava reunido em grande número para dar vivas de saudação à S. M. e à imperial família.” Certamente mais escravos que homens livres. Ao chegar à cidade, em frente à hoje conhecida Praça D. Pedro II, “imenso público”, “inúmeros cidadãos” saudaram o Imperador. E finalmente na partida, na segunda-feira pela manhã às 6h, havia um “imenso povo que se achava apinhado na praça à despedida do seu adorado monarca.” Dados de 1850 sobre a população de Cabo Frio mostram que com pouco mais de 19 mil habitantes, 48,66%, ou seja, 9.274 eram escravos. Não havia um sentido pessoal para esse volume da história.

Outro detalhe muito importante que traduz aquele acontecimento histórico para Cabo Frio e o espírito do momento que circula e não encontra nomeação – que já abordei na revista cultural “Nossa Tribo” – é o poema que a menina Engrácia Francisca de Marins, cercada por 18 meninas vestidas de branco e coroadas de flores, lê para D. Pedro II saudando sua chegada no sábado às 17h. O tema é: a cidade “pobre, pequena, acanhada” está honrada em receber o Imperador, queria ofertar ricos dons, mas “falta-lhe tudo e por isso/ se abriga em nossa inocência”. A cidade lhe oferece então com certeza o amor que tem por Pedro II e Teresa.

O termo chave do poema é a cidade pobre. O que justifica portanto que o traficante de escravos José Gonçalves da Silva pudesse contribuir para os festejos de recepção ao Imperador. E a ata da Câmara registra oficialmente algumas dessas contribuições do traficante de escravos: “chegando o mesmo augusto senhor ao Passageiro, desembarcando da carruagem, embarcando-se no escaler, que de prevenção tinha decentemente preparado o cidadão José Gonçalves da Silva, dirigiu-se a esta cidade (…)”. Quando D. Pedro II foi visitar o Forte São Mateus da Barra, “várias girândolas que subiram ao ar, de propriedade do cidadão José Gonçalves da Silva” saudaram o monarca.

Desde 1838, o governo brasileiro declarara extinto o tráfico negreiro que já era reprimido nos mares pela Marinha inglesa. No período de 1844 a 1845, portanto, dois a três anos antes de D. Pedro II vir a Cabo Frio, estima-se que 7.040 africanos foram desembarcados em praias de Búzios. Havia uma tolerância do Império para o tráfico negreiro. O livre trânsito e prestígio com que José Gonçalves circulava com os políticos e o judiciário local revela que havia na sociedade cabo-friense um lugar para ele.

Só a partir de 1850 é que se intensificará a repressão a essa atividade comercial ilegal e desumana.  Nos anos seguintes, o governo endurece com José Gonçalves, chega a expropriar seus bens e a prendê-lo. José Gonçalves, morando no Rio de Janeiro, reage publicamente com uma série de artigos no “Jornal do Commercio”. Não se conforma com o que ele chama de espoliação e recorda em um de seus artigos o quanto ajudou na recepção ao Imperador naquele 1847: “(…) inclusive a propria galeota que tive a honra de offerecer ao meu digno monarcha quando foi visitar a cidade de Cabo-Frio” (in: “Jornal do Commercio” de 16/06/1860).

Campos dos Goytacazes recebeu a visita de D. Pedro II por mais três vezes (1875,1878 e 1883). A cidade disputava a indicação de ser a capital da província do Rio de Janeiro. Era a mais rica do interior do Estado e recebia incentivos e a atenção do Império. Uma economia forte. Já Cabo Frio contabiliza uma única visita de D. Pedro II, a de 1847. Que ainda foi repercutida negativamente no Rio de Janeiro em 1860 pelo traficante de escravos José Gonçalves que revelou por meio de um dos mais importantes jornais da capital que a receptividade que Cabo Frio dera ao Imperador tinha o seu dinheiro, portanto, o dinheiro do tráfico negreiro.

Acredito que esse retrato de 1847 exibindo uma frágil sociedade cabo-friense que procurava acertar seu destino econômico deva ser levado em consideração para nos ajudar a entender porque Cabo Frio foi construindo uma cidade cindida, separada, fracionada, radicalizada, que nos levou 60 anos depois à explosão assassina ao executar públicamente João Cherubim no dia 1 de janeiro de 1907. 

(*) José Correia Baptista é editor da revista cultural Nossa Tribo, formado em Ciências Sociais e Português/Literatura pela UFF e ex-secretário de Cultura de Cabo Frio (2009/2012).

ALGUMAS OBVIEDADES DA POLÍTICA MUNICIPAL – Cláudio Leitão (*)

Não existe prefeito corrupto com uma câmara honesta. Se a Câmara de Vereadores agir dentro de suas prerrogativas legais, ele cai. Se ele fica, mesmo diante de inúmeras ilegalidades e escândalos, a câmara não é honesta. Nada mais óbvio!

O voto a ser dado ao representante do poder legislativo, o vereador, deve ter a mesma importância do voto dado ao prefeito, chefe do executivo municipal. Se acharmos que o voto no vereador é uma “coisa menor” e sem critérios específicos o poder de fiscalização e de legislação em prol da coletividade não vai funcionar.

Não pode existir subordinação entre os poderes executivo e legislativo. São autônomos, independentes, com a mesma importância, porém, com atribuições e prerrogativas diferentes. O processo político só funciona a favor da população quando ambos cumprem o seu papel constitucional.

Vereador que marca consultas e exames na saúde privilegiando alguns, furando a fila, viola a cidadania e o direito de milhares de outras pessoas. Só age assim aquele que está no “bolso” do prefeito.

Vereador que tem parentes e cabos eleitorais empregados na prefeitura perde sua independência, uma das prerrogativas fundamentais da função, e se transforma em “lacaio” do prefeito. Não representa mais a população porque também está no “bolso” do prefeito.

O vereador não é eleito para te substituir, mas sim para te representar. Parece uma tênue diferença, mas não é. O mandato precisa ter caráter participativo. Ele é eleito para defender os interesses coletivos e não seus interesses individuais. E tem muitas outras.

Se tudo isso é o “óbvio ululante”, parafraseando Nelson Rodrigues, por que repetir este mesmo comportamento de anos na hora do voto percebendo tudo isso?

O vereador está normalmente mais perto do povo do que o próprio prefeito. Vereador omisso é pior do que prefeito ruim.

Atos individuais numa eleição produzem fortes transformações coletivas. Não podemos esperar pelos outros. Cada um tem que fazer a sua parte. A pandemia vai passar e a eleição provavelmente deve ser adiada para 6 de dezembro, conforme entendimentos que tramitam no Congresso, o que vai nos dar mais tempo para refletir sobre tudo isso.

A mudança está em cada um de nós !

(*) Claudio Leitão é economista, professor de história e pré-candidato a vereador pelo PDT.

Os Incautos!

Após a saída do grupo original, que venceu as eleições, o governo Adriano Moreno/Cati caiu nos braços do grupo do ex-prefeito Marquinhos Mendes. Portanto, a aliança agora só surpreende os incautos da política cabofriense.

Que turma!

Como estará o ânimo de gente como Adriano Moreno, Antônio Carlos Vieira/Cati, Iranildo Campos e tantos outros depois do vexame pelo qual passa o governador Wilson Witzel? Não dá pra fingir que não conhecem ou nunca ouviram falar.

Semelhante, mas não igual

O PT de Cabo Frio tem o perfil parecido com o de QuáQuá, ex-prefeito de Maricá. Não é igual, porque só elegeu um vereador ao longo de sua história e permaneceu quase todo o tempo aliado formal e informalmente a Alair Corrêa e Marquinhos Mendes.

Dividindo o indivisível

Alair nunca dividiu o poder, mesmo com aqueles mais próximos. O “velho morubixaba”, extremamente centralizador nunca permitiu que o leme escorregasse de suas mãos: gostava do poder, o demonstrava e dele fazia um deleite.

É dose!

Adriano Moreno construiu a “República do Edifício das Professoras” (“República do Edifício Lila”) onde o poder é dividido com a família. Tem o velho amigo de infância, Antônio Carlos Vieira, o Cati e agora com Marquinhos Mendes.

Denúncias na eleição

Vai chegar ao processo eleitoral o rescaldo da crise que envolveu o prefeito Adriano Moreno, o secretário de educação Cláudio Leitão, a subsecretária Denize Alvarenga e o secretário de fazenda, Antônio Carlos Vieira. Até hoje o governo não explicou satisfatoriamente as denúncias de Cláudio Leitão.

Calçadas

A falta de cuidado dos dirigentes e do próprio povo com a cidade é uma das características de Cabo Frio. Entre os exemplos bem visíveis estão às calçadas, em grande parte, péssimas, inclinadas, desniveladas e repleta de buracos. E muito sujas!

Meio fio

Além disso, o meio-fio é ocupado por numerosos ambulantes, dificultando ainda mais o acesso das pessoas e principalmente dos cadeirantes. Esses são os que mais sofrem, enfrentando rampas, cuja construção não obedece a critérios técnicos e quase sempre bloqueadas por carros

“O que lindo jardim, ó que jardim lindo …”

Amigo e leitor diário do blog, cabofriense e morador de Niterói, ficou espantado com a degradação a qual sucessivos governos legaram o mais importante e histórico logradouro público de Cabo Frio, a Praça Porto Rocha. Quase sentado, porque mal se consegue sentar nos bancos “modernosos” da praça, ele declamou o poeta popular Agostinho Mergulhão.

Praça Porto Rocha, sem cuidado e respeito.

Reformada de qualquer maneira, no governo de Marquinhos Mendes e imediatamente depredada na administração seguinte de Alair Corrêa, a atual Praça Porto Rocha une péssimo urbanismo a equipamentos degradados e destruídos. A praça é o exemplo mais cabal da falta de cuidado e amor dos governantes com a cidade.

Falta a prancha de surf

O deputado Mauro Bernard, que passou o mês de abril inteiro sem cumprir sua obrigação de participar das sessões da ALERJ, dando uma de bom moço: desinfetando, com um ajudante alguns bancos da Praia do Forte.

Vai devolver?

Será que o nobre deputado tem a exata noção para o qual foi eleito? Faltou todas as sessões do mês de abril na ALERJ. Recebeu integral? Tendo recebido, devolveu a grana aos cofres públicos? É uma questão de respeito aos contribuintes, que se esfolam para pagar os impostos.

QUARTETO MÁGICO – CONTOS

Murilo Rubião, José J. Veiga, Campos de Carvalho, Victor Giudice

Miguel Conde (Organização)

Dos quatro autoresreunidos neste livro, pode-se dizer que são todos estranhos, ainda que cada um à sua maneira. Considere os personagens que se encontram nas páginas a seguir: um sujeito que compra um apito para controlar o trânsito dos pedestres debaixo da sua janela, uma senhora atropelada que estoura “como papo de anjo”, um coelho que vira homem e um homem que vira um arquivo de metal.

Pondo logo de saída as cartas na mesa, cabe a advertência: não se espante, leitor, se essas histórias fugirem aos bons costumes da verossimilhança, da medida justa da expressão ou da sequência certeira de episódios que costumamos atribuir às histórias “bem-amarradas”.

Melhor aqui pensar naquele parafuso meio solto que leva algumas histórias à vizinhança do absurdo e do disparate, aos detalhes extravagantes e tipos bizarros, aos silogismos em que premissas e conclusões estão sempre fora de lugar.

Tempo de TV & Votos

Como transformar tempo de televisão no horário eleitoral gratuito em votos será o grande desafio da candidatura do PT. Desde a associação da legenda com Alair Corrêa e Marquinhos Mendes não teve votação expressiva em Cabo Frio.

Será que cola?

A executiva nacional do PT não permite alianças com o Democratas da Família Maia e o pessoal do ninho tucano (PSDB). Como os petistas de Cabo Frio vão driblar esse obstáculo? A resposta não é fácil, vai exigir muita manobra. Será que cola?

Laranja

A solução pode vir a ser o governo Adriano Moreno/Cati (Democratas) lançar um candidato laranja. Resta saber quem se apresentaria para exercer tal papel. Vovô Bibiu com seu vasto conhecimento da alma diria: “tem sempre gente que aceita qualquer papel”.

Aliança & Credibilidade

A aliança entre José Bonifácio e Rafael Peçanha parece ter realmente funcionado e se reflete nas redes sociais. Existe em Cabo Frio o sentimento que só uma candidatura com grande credibilidade pode reverter à decadência do município.

“Abacaxi”

O próximo prefeito vai pegar um “abacaxi” complicado de descascar. Um município inchado, em crise fiscal, maquina pública desacreditada e desemprego gigantesco. É a grande herança de Alair Corrêa, Marquinhos Mendes aprofundada pelos gênios da lâmpada Adriano Moreno & Cati.

Crise geral

Funcionários públicos da ativa, aposentados e pensionistas, que se preparem para o final trágico do governo Adriano moreno/Cati. Além da má gerência da Covid-19, dificilmente o governo vai conseguir manter os salários em dia.

Atenção!

O governo Adriano Moreno/Cati parece querer fazer da implantação das OSs a bola da vez. Será esse o objetivo do acordo com o governo estadual de Wilson Witzel? O “Gabinete de Crise” está cada vez mais em crise.

Desastre eleitoral

Os bolsonaristas cabofrienses começam a sentir na pele a perda de popularidade e credibilidade do governo Bolsonaro. A exibição da reunião ministerial do dia 22 foi um desastre eleitoral para os neofascistas: o futuro político dessa turma é incerto.

EM MATÉRIA DE AUTOMÓVEIS – Fernando Sabino.

Em matéria de automóveis, seu raciocínio era o seguinte:

— Para que ter automóvel, se eu não sei dirigir?

E se alguém lhe sugeria que aprendesse:

— Para que aprender, se não tenho automóvel?

Um dia, porém, não se sabe como, escapou de seu sofismático raciocínio e apareceu dirigindo um automóvel. Aprendera a dirigir, só Deus sabe como:

— Fazer o carro andar eu faço. Mas não sei como funciona, nem como é lá dentro. Outro dia ameaçou enguiçar e então me perguntaram se não seria o carburador. Só então fiquei sabendo que meu carro dispõe de um carburador.

O que o encanta principalmente é o poder sugestivo de certos nomes: carburador, embreagem, chassi. radiador, cárter, diferencial.

— Fala-se também numa famosa mola de seguimento, que deve ser muito importante. Para mim não há alternativa: se enguiçar, desço e tomo um táxi. Imagine se eu tiver de ficar dentro do carro indagando: será o dínamo? a bateria, os acumuladores? falta de fôrça no chassi? falta de óleo na bateria?

Tive de adverti-lo de que bateria e acumuladores eram uma coisa só, e que no radiador só se coloca água.

— Eu sei, eu sei: aliás, o meu carro, apesar de nôvo deve estar com algum defeito no radiador, não gasta água nunca! Todas as vêzes que mando botar água o homem diz que não é preciso, já tem. Com o óleo é a mesma coisa. Abrem a tampa do carro e retiram lá de dentro, de um lugar que jamais consegui ver direito onde é. um ferrinho comprido, enxugam o ferrinho, tornam a enfiar e retiram de nôvo, me mostram a ponta pingando óleo e dizem que não é preciso. Nunca é preciso.

— Você não costuma lubrificar o carro?

— Já lubrifiquei uma vez. Isso é fácil: basta levar o carro no posto e dizer: lubrificação geral, trocar o óleo do cárter. Não me esqueço, por causa daquele detetive dos folhetos do meu tempo, o Nick Cárter.

— Convém não esquecer também a água da bateria. Tem de ser água distilada.

lsto ele também já sabia. Um dia o carro não quis pegar e alguém lhe disse que devia ser a água da bateria. Foi a um posto e mandou que olhassem se tinha água na bateria. Tinha. Então tirem, pediu. O sujeito ficou a olhá-lo como se êle fôsse doido: tirar a água? Então êle disse apenas a palavra mágica, que resolve tudo:

— Verifiquem.

Verificaram, enquanto êle aguardava, meio ressabiado. O homem do pôsto se aproximou, misterioso:

— Elemento sêco.

Olharam-se mùtuamente, em silêncio, sem que qualquer sombra de compreensão perpassasse entre os dois, esclarecendo os mistérios insondáveis da mecânica dos semoventes. Eis que impenetrável é o desígnio dos motores de explosão e traiçoeira a fôrça dos acumuladores.

— Elemento sêco?

Elemento sêco! Secam-se os elementos e esotérico se torna o segrêdo que faz o poderio dos sêres vivos no comando das máquinas inertes. Num repente de inspiração divinatória, com a voz embargada do emoção, êle sugeriu:

— Deve ser o giguelê.

Giguelê — palavra mágica que êle um dia ouviu alguém pronunciar, denunciando a existência de uma peça pequenina que não sabe para que serve nem onde fica, mas da qual certamente emana a energia que movimenta os automóveis, num fluxo de divina inspiração como o que movimenta a dança religiosa em tôrno à diminuta imagem de Exu e outros deuses pagãos.

— No mais — arremata êle — tirante o giguelê, em matéria de automóveis estou com as mulheres. Para elas como para mim um carro se compõe apenas de duas coisas: buzina e volante.

O vírus não é chinês, brasileiro, americano, italiano ou de qualquer outra nação.

Ele não precisa de passaporte, visto ou qualquer documento burocrático para viajar pelo Mundo.

Ele não necessita de licença para entrar em nossas casas.
É um intruso que precisa ser combatido pela esquerda, direita, centro e todas as ideologias possíveis.

Suas vítimas não precisam ser negras, brancas ou pardas.
Seus efeitos atacam pobres e ricos.

O Covid 19 não tem partido, não tem ideologia, não tem clemência, ele não ataca só você, ele vai atacar o sistema de saúde de sua cidade.

Então, para quem pode:
O máximo de distanciamento social!

Para quem não pode:
Todo cuidado possível para proteger sua família!

Não é uma gripe, corremos o risco de sermos o País com mais mortes no Mundo.
Cuide-se!

Mirinho Braga – Búzios

ANTÔNIO ÂNGELO, LEVADO AO CÉU PELOS PASSARINHOS, PARTIU ANTES DO COMBINADO.

Em plena pandemia estou revisitando os editoriais do Blog e o reencontrei. Datado de 24 de maio de 2019, fala de um amigo tão importante para a nossa cidade, que vai ficar no afeto de todos que amam Cabo Frio.

De acordo com o humor e a importância do momento vários temas se revezaram nos editoriais do ‘Momento’, ‘Jornal do Totonho’ e finalmente ao ‘Blog do Totonho’, entretanto, um deles permaneceu todo esse tempo: o meio ambiente.

Muito influenciado pela persistência e sabedoria do fotógrafo e ambientalista apaixonado, Antônio Ângelo Trindade Marques, meu ex-aluno no pré-vestibular, no Rio de Janeiro e emérito “matador de aula”. Nos bares vizinhos ao curso fazia sucesso com as garotas mais descoladas da Zona Sul: o “galã”!

Em Cabo Frio, nos reencontramos, ambos com a cabeça quase totalmente branca, debatemos e brigamos muito. Antônio Ângelo tinha o mau humor mais engraçado que conheci e imensa capacidade para cativar amigos, em qualquer nível da injusta escala social brasileira.

Rolando Boldrin, o trovador da música caipira diria, se o conhecesse, “Antônio Ângelo levado ao céu pelos passarinhos, partiu antes do combinado”. Saiu de cena, deixando grande lacuna, na luta pelo estudo, conservação ambiental e os amigos sem chão.

Quem sabe os passarinhos quiseram preservá-lo das ameaças que pairam sobre o Parque Municipal da Boca da Barra e lá dentro suas paixões: a Ilha do Japonês e a Praia da Barra, a velha senhora tão maltratada por aqueles que dela querem extrair tudo, inclusive a beleza.

Dúvida cruel

Os internautas estão em dúvida de como chamar os bolsonaristas após a divulgação do vídeo da reunião ministerial: hemorróida? Gado? Bosta? A escolha é sua. Viva a liberdade de expressão!

Calada!

A extrema direita cabofriense está calada nas redes sociais. Os internautas estão tirando sarro da cara dos poucos bolsonaristas, que tem a coragem de botar a cara na reta. Os que sobraram, entretanto, estão ainda mais agressivos.

“Cachorro Morto”

O governo de Adriano Moreno, com as novas alianças, está jogando uma última cartada para se salvar politicamente, embora as chances de reeleição estejam perto de zero. Adriano apanha de quase todos os lados, o que significa que o mundo político de Cabo Frio o considera “cachorro morto”.

São Tibúrcio.

Existe salvação política para o governo de Adriano Moreno? Em política não existe nunca, mas que precisa de milagre, lá isso precisa. É preciso convocar um santo desocupado, tipo São Tibúrcio ou São Genésio. São Jorge Guerreiro não dá, tem a vida muito atribulada pelo excesso de pedidos.

O que aconteceu?

Dirlei Pereira a lideranças ultraconservadoras foi um dos organizadores das concentrações e caminhadas que bradavam contra a corrupção pediam intervenção militar. Recentemente o ex-vereador anunciou o “mensaleiro” e ex-presidiário Roberto Jefferson em seu programa. Curiosidade: por que será que Dirlei rompeu totalmente com o grupo de Adriano Moreno?

Ora, ora …

A melhor observação sobre a turma da República do Edifício das Professoras (Edifício Lila) foi sem dúvida do “velho morubixaba”, o ex-prefeito Alair Corrêa: a “República das Taboas”. Ora, ora …..

De olho na prefeitura

A se manter o atual quadro político-eleitoral, a nominata do Democratas vai eleger prioritariamente o ex-secretário de governo, Miguel Alencar, bastante ligado a Aquiles Barreto. Reeleito, Miguel Alencar é candidatíssimo a prefeito em 2024.

O clarinetista!

O ex-deputado federal Paulo César Guia sempre relembra seu tempo de músico. “Cessé de Jairinho” foi clarinetista da “furiosa”, banda da Sociedade Musical Santa Helena. “Mão que salva” é candidato a prefeito de Cabo Frio pelo Patriotas.

A última porta

A candidatura de Aquiles Barreto foi à última porta para Marquinhos Mendes permanecer na política de Cabo Frio. O ex-prefeito tornou-se inelegível depois que a câmara municipal lhe deu apenas 10 votos contra o parecer do TCE-RJ. Os penduricalhos de Marquinhos são muitos e continuam sem solução a vista.

Não dá para ressuscitar

Quando a Bacia de Campos se tornou “madura” e o preço do barril de petróleo despencou os “sheiks do petróleo” perderam a túnica, os votos e a credibilidade como administradores. O modelo de governar, praticamente idêntico, revelou-se um rotundo fracasso, porque não resiste a “vacas magras”

“Vacas Magras”

O modelo criado no tempo da fartura não resiste à temporada de “vacas magras”. A herança dos ralos administrativos e financeiros e dos seguidos desmandos, persiste: mudaram algumas figuras, mas na essência a Corte, no governo de Adriano permanece a mesma. O modelo é podre e com ele não dá para governar.