MORDE & ASSOPRA

Morde & Assopra

O vereador Vanderlei Bento fez uma postagem patrocinada, no Facebook, elogiando o trabalho do secretário de saúde Iranildo Campos e criticando Martha Bastos, secretária de assistência social. Vanderlei Bento deve ser o vice de Adriano Moreno, na próxima eleição.

O articulador!

Poder em política não é apenas voto, também capacidade de articulação. É o que pode explicar a presença de Cláudio Bastos no governo de Marquinhos Mendes e no de Renatinho Vianna, onde exerce a função de secretário de governo. Cláudio Bastos é o coordenador do Republicanos (antigo PRB), na Região dos Lagos.

Segundo Vovô Bibiu …

Em meio a pandemia, o Republicanos (antigo PRB) conseguiu montar uma nominata forte para a câmara, tendo como puxadores de legenda: Luis Geraldo, Adeir Novaes, Wagne Simões, Alexandra Codeço e o Pastor Marcelo. Vai ser briga de cachorro grande como diria o inenarrável Vovô Bibiu.

Nas redes sociais

Pouca gente acreditou, mas José Bonifácio intensificou ainda mais sua presença nas redes sociais da Internet. O ex-prefeito está no Instagran, no Facebook, Twitter e whatsapp. Utiliza as ferramentas para debater com a sociedade e os pré-candidatos a vereador os problemas de Cabo Frio.

Crime de responsabilidade?

Em plena pandemia do covi-19, o governo do médico ortopedista Adriano Moreno erra muito. Como explicar que o Hospital São José Operário não faz mais cirurgias? Por que as cirurgias são direcionadas para os hospitais privados? E o governo diz que está em crise financeira. Crime de responsabilidade?

A Baixada na Região dos Lagos

Alguém pode explicar por que os políticos da Baixada Fluminense exercem tanta atração em meio aos poderosos da Região dos Lagos? Basta olhar o gabinete dos dois deputados da região, eleitos em 2018, na onda bolsonarista. É grande a influência da PM e de políticos da Baixada.

Ao trabalho!

Não dá para o deputado Mauro Bernard, eleito pelo PROS, ficar um mês inteiro (abril) sem estar presente as sessões online da ALERJ. Afinal, os salários que o deputado recebe são fruto dos numerosos impostos que a população paga com muita dificuldade. Chega de desculpas. Ao trabalho!


EM DEFESA DA DEMOCRACIA

A análise da política cabofriense, após as eleições de 2018, e a grande decepção gerada pelo governo de Adriano Moreno/Cati, revela a necessidade de uma frente antifascista que os que defendem o Estado Democrático de Direito. A ameaça bolsonarista as instituições e grave e deve ter como resposta a superação das divergências menores em prol da luta contra o obscurantismo.

DOS FILHOS DA TERRA PARA A GERAÇÃO DO FUTURO – Jullia Turrini (*)

Das beiras de praia e lagunas, do mar adentro ou da baixada, na história dos homens e mulheres que caminharam por essas terras, jaz em seus túmulos a memória da cobiça, da exploração e do extermínio. Se o vento ressoasse lamentos, ouviríamos o último brado tupinambá; ecoaria, do ventre dos navios negreiros, o canto de resistência dos pretos e pretas africanos; e da noite fria, o silêncio da canoa embalaria a bateria ritmada do coração do pescador.

Na sina imposta à nossa gente, nem a fartura das águas e do sol impediu o sequestro de nossas terras, nossa história e futuro. Sob os auspícios do progresso e de seus ilustres signatários, o fardo arcaico e conservador do pensamento politico sobreviria até mesmo aos novos tempos democráticos. Nem o suspirante clamor pela participação popular dos anos 80 e 90, nem a força de Sebastião, de Celinhos, Anitas, Josés, Marcios, Margaridas, Manoeis, Merinhas, Amenas, Betos ou Lianas foram capazes de livrar-nos do assalto, da carestia e do estupro de nossas riquezas.  Pois do ouro negro se lambuzaram as rapinas dos cofres públicos.

E num piscar de olhos lançaram mármore nos cômoros de areia, afogaram as lagunas, sufocaram a restinga e promoveram o perverso e maior ciclo de especulação e invasão fundiária. Moveram e subordinaram o orçamento do município ao projeto de expansão de  empresários associados à corruptela de agentes públicos. E, sob o véu das eleições, exerceram a manutenção dos seus contratos, licitações, fraudes cartoriais e licenças ambientais. Da farra ficou uma cidade arrasada, submissa e apática. Já não são tempos dos sheiks, mas a promíscua máquina pública funciona em plena engrenagem. E dessa cobiça se avizinha, pelos mesmos sussurros autoritários e neofacistas da capital do Brasil, uma proposta ainda mais nefasta. Pois do berço do menino Jesus, somente a certeza que tem muita “gente de bem”, que só tem mal para dar.

Clama-se pela universalidade dos filhos da terra para influir sobre uma ação em direção consciente.  Para que os laços comunitários, a natureza, enquanto bem comum, e o apreço pela democracia vençam as rapinas, o personalismo exacerbado e os abutres que seguem o capitão.

Para a geração sem futuro, é no presente que se age.

(*) Socióloga.

OBRIGADO PROFESSOR JOSÉ BULCÃO

Na foto, o professor José Bulcão, com a nossa amiga e ex-aluna Patrícia Alegre.

Guardo muitas lembranças do Colégio Estadual Miguel Couto, como aluno e professor. Uma delas, certamente a mais doce, o Professor José Bulcão, que dava aulas de Matemática, de elegância, de sorrisos e de profundo sentimento humanista.

Na década de 60 saí de Cabo Frio para estudar no Rio. Quando voltei, professor, quem encontro na sala dos professores? José Bulcão, com os cabelo brancos, sereno e ainda mais doce e afetuoso.

A vida, às vezes tão dura me deu o privilégio de ser seu aluno e colega, admirando-o em toda sua extensão como profissional e ser humano.

Ele se foi, mas em todos nós deixou um pedacinho dele, do seu amor e dedicação.

Obrigado professor José Bulcão.

MEIOS E MÉTODOS DA BAIXADA

Meios & Métodos

Os meios e métodos da politicagem da Baixada Fluminense chegaram a Cabo Frio: primeiro com Washington Reis (Duque de Caxias) e agora com Iranildo Campos (São João de Meriti). A reação do vereador Rafael Peçanha foi muito boa, mostrando que Cabo Frio não é terra de ninguém.

Tratamento diferenciado

Washington Reis, prefeito de Caxias, não preparou sua cidade para a pandemia do covid-19. Resultado: a situação do município é gravíssima, mas ele, o espertalhão incompetente foi se tratar no Pró-Cardíaco, clínica de alto nível no Rio de Janeiro. Para o povo, uma saúde pública quebrada.

Transparência & Fiscalização

A Cabo Frio vai caber cerca de 22 milhões de reais dá “ajuda” do governo federal para combater a pandemia do covid-19. Mais do que em qualquer época, essa grana tem que ser milimetricamente fiscalizada, tanto pela câmara de vereadores como pela sociedade em geral.

Incompetência & Irresponsabilidade

A cidade está com sua economia em frangalhos. Tem aí o dedo da incompetência do governo Adriano Moreno/Cati, que foi a cereja do bolo da irresponsabilidade da dupla Alair Corrêa/Marquinhos Mendes, que fizeram festa com o dinheiro público.

Jogaram dinheiro fora

Os dois, Alair e Marquinhos, acreditavam que os recursos provenientes dos royalties do petróleo eram infinitos: gastaram a rodo. O dinheiro saiu pelo ralo e nada foi investido em infraestrutura. Fundo Soberano? Nem pensar. Investiram em politicagem barata, festas e empreguismo sem controle.

Agravamento da crise

Com a queda vertiginosa dos preços do barril do petróleo, à exploração dos campos maduros da Bacia de Campos, se tornou inviável economicamente. A tendência é os royalties sofrerem drástica redução, jogando o município em uma crise ainda mais grave.

Bolsonarismo em declínio

Quem aposta em Bolsonaro para as eleições municipais em Cabo Frio pode se dar muito mal. As pesquisas mostram que o bolsonarismo está derretendo, sua popularidade em todas as classes está descendo a ladeira.

Moral & Bons costumes

Histeria, palavrões e agressões de toda ordem, inclusive físicas. Esse é o padrão de atuação dos bolsonaristas na rua e nas redes sociais. A aliança de Roberto Jefferson e Waldemar da Costa Neto com Bolsonaro deve ser um deleite para os defensores da moral e dos bons costumes.

O DEFUNTO – Pedro Nava (*)

Quando morto estiver meu corpo,
Evitem os inúteis disfarces,
Os disfarces com que os vivos,
Só por piedade consigo,
Procuram apagar no Morto
O grande castigo da Morte.

Não quero caixão de verniz
Nem os ramalhetes distintos,
Os superfinos candelabros
E as discretas decorações.

Quero a morte com mau-gosto!

Dêem-me coroas de pano.
Dêem-me as flores de roxo pano,
Angustiosas flores de pano,
Enormes coroas maciças,
Como enormes salva-vidas,
Com fitas negras pendentes.

E descubram bem minha cara:
Que a vejam bem os amigos.
Que não a esqueçam os amigos.
Que ela ponha nos seus espíritos
A incerteza, o pavor, o pasmo.
E a cada um leve bem nítida
A idéia da própria morte.

Descubram bem esta cara!

Descubram bem estas mãos.
Não se esqueçam destas mãos!
Meus amigos, olhem as mãos!
Onde andaram, que fizeram,
Em que sexos demoraram
Seus sabidos quirodáctilos?

Foram nelas esboçados
Todos os gestos malditos:
Até os furtos fracassados
E interrompidos assassinatos.

— Meus amigos! olhem as mãos
Que mentiram às vossas mãos…
Não se esqueçam! Elas fugiram
Da suprema purificação
Dos possíveis suicídios.

— Meus amigos, olhem as mãos!
As minhas e as vossas mãos!

Descubram bem minhas mãos!

Descubram todo o meu corpo.
Exibam todo o meu corpo,
E até mesmo do meu corpo
As partes excomungadas,
As sujas partes sem perdão.

— Meus amigos, olhem as partes…
Fujam das partes,
Das punitivas, malditas partes …

E, eu quero a morte nua e crua,
Terrífica e habitual,
Com o seu velório habitual.

— Ah! o seu velório habitual!

Não me envolvam em lençol:
A franciscana humildade
Bem sabeis que não se casa
Com meu amor da Carne,
Com meu apego ao Mundo.

E quero ir de casimira:
De jaquetão com debrum,
Calça listrada, plastron…
E os mais altos colarinhos.

Dêem-me um terno de Ministro
Ou roupa nova de noivo …
E assim Solene e sinistro,
Quero ser um tal defunto,
Um morto tão acabado,
Tão aflitivo e pungente,
Que sua lembrança envenene
O que resta aos amigos
De vida sem minha vida.

— Meus, amigos, lembrem de mim.
Se não de mim, deste morto,
Deste pobre terrível morto
Que vai se deitar para sempre
Calçando sapatos novos!
Que se vai como se vão

Os penetras escorraçados,
As prostitutas recusadas,
Os amantes despedidos,
Como os que saem enxotados
E tornariam sem brio
A qualquer gesto de chamada.

Meus amigos, tenham pena,
Senão do morto, ao menos
Dos dois sapatos do morto!
Dos seus incríveis, patéticos
Sapatos pretos de verniz.
Olhem bem estes sapatos,
E olhai os vossos também.

(*) 1903/1984