NÃO DOU PÉROLAS AOS PORCOS – José Sette de Barros (*)

Um amigo me pediu para eu falar, em poucas palavras, sobre a frente de uma esquerda solitária e eu fiquei pensando a respeito. O que é o movimento de esquerda e qual é a esquerda em que me situo? São coisas diferentes na essência. Pensamentos e ações diferentes. Uma das coisas que nos unem é a solidariedade com a classe trabalhadora, com os explorados pelo capital e com a reformulação total do estado republicano e a outra é que todos acreditamos que caminhamos inexoravelmente para o socialismo. O que nos distancia é a forma de chegar lá. Sei que as revoluções armadas não fazem mais sentido, não se ganha uma guerra com atiradeira, nem com foices, facas e martelos… Já sabia disso quando não quis ir para a guerrilha do Araguaia… Vivíamos e vivemos a contradição democrática onde quem manda é quem tem do seu lado o capital financeiro e quando a esquerda chega ao poder, democraticamente, tem que se unir a ele. Essa união nunca vai chegar a um lugar comum. Assim está escrito na história. Não adianta dar o coração aos pobres e os braços aos ricos. Hoje, no momento em que vivemos uma pandemia, que estamos fechados em casa, não há mobilização popular para um levante comandado pela esquerda. Agora querer comandar uma união de contrários em nome de uma frente democrática é dormir com o inimigo, é levar o movimento socialistas para o caos, pois o povo vai continuar acreditando nos que podem pagar melhor, nos mais bem sucedidos, no capital internacional e isso vai atrasar por décadas a tão falada e desejada justiça social. Estaremos todos juntos em uma esquerda ideológica sem atravessadores mesquinhos com outros interesses ou então seremos todos mortos com ou sem vírus.

(*) José Sette de Barros é cineasta.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *