GUERRA DOS MUNDOS – Rogério Carvalho (*)

No último dia 26 completamos um mês desde a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Brasil. Neste período registramos 77 mortos, 2915 infectados e os números não param de crescer, como já previsto pelos especialistas em epidemiologia. Mas o que não podíamos prever era que a luta contra esse microscópico inimigo escancararia diante dos nossos olhos tantos conflitos nos mais variados aspectos do cotidiano.

Na verdade, o impacto da chegada da pandemia foi tão forte que nos fez parar para pensar na própria condição humana, tanto pela fragilidade do nosso organismo quanto pela força que a humanidade pode mobilizar ou não para garantir o bem comum.

A pandemia, que tem feito mais vítimas fatais entre os idosos, pôs de cama o jovem, vigoroso e arrogante neoliberalismo, deixando as mãos antes invisíveis do mercado infectadas e visivelmente manchadas pelos fluidos asfixiantes da concentração de renda e da indiferença que lhe é peculiar. Uma vez contaminado o organismo social, nossas fraquezas se evidenciaram e se potencializaram, revelando além da falta de anticorpos, a importância da higienização das nossas relações sociais, sejam interpessoais ou de trabalho.

O cérebro globalizado não pode prever que no alvorecer do século XXI, um microrganismo arrancaria do subconsciente da humanidade verdades desconfortáveis que as ilusões do capitalismo insistiam em manter adormecidas.

Agora, uma vez conscientes, somos forçados a assumir diante do espelho da condição humana, a responsabilidade pelo nosso próprio desequilíbrio.

(*) Professor de História.

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