PEQUENAS DOSES

A execução!

A execução que aconteceu na manhã de ontem no centro de Cabo Frio revela bem em que a cidade está se transformando. Violência antes presente na periferia das grandes cidades chegou com tudo por aqui.

Pindaíba

Espera-se que o governo da dupla Adriano Moreno/Antônio Carlos Vieira (Cati) consiga terminar de pagar a folha, hoje, 31. Os servidores agradeceriam aos céus e o comércio, que vive na pindaíba, também.

Sem definição?

O vice-prefeito Felipe Monteiro sempre que perguntado do seu destino partidário desconversa. Diz apenas que é candidato a vereador e que não mais pertence ao grupo de Adriano Moreno.

O retorno do Tenera

O link patrocinado do Tenera, em rede social, deu o que falar na mídia. Nada de sério, porém, na medida em que o falastrão sumiu após denúncias, no Programa do Dirlei Pereira. E se lançou candidato a prefeito. A política está virando uma comédia bufa.

Só mídia!

A candidatura do Tenera se incorpora a uma legião de pequenas figuras da política, que estão mais interessadas no espetáculo midiático, do que em voto, que sabem não possuir. Quais serão os seus verdadeiros objetivos?

Os caciques e as nominatas

Os caciques políticos de Cabo Frio estão se esmerando na preparação das nominatas para a eleição. Cada vez é mais importante a constituição de uma base parlamentar forte e com o mínimo de coerência política e ideológica. Sem uma boa nominata, ninguém se elege.

Degradada & Desfigurada

O estado caótico e degradado em que se encontra a Praça Porto Rocha, a mais importante da cidade, é um desrespeito a história de Cabo Frio. Não se conhece nenhum cidadão que admire a tal reforma que a desfigurou.

Indiferença

A maneira pela qual a prefeitura trata o patrimônio histórico, a cultura e o meio ambiente de Cabo Frio dá bem a dimensão da indiferença com a qual os governos tratam, sob diferentes ângulos, o patrimônio do município.

Fazenda Campos Novos

É bom não esquecer que a sede da Fazenda Campos Novos está literalmente caindo. O prédio é tombado e sofreu sua última reforma no governo de José Bonifácio, entre 1993/1996. Depois disso, nada foi feito para preservá-la.

Dor de cabeça

A mudança do retorno para beneficiar um empreendimento comercial, até hoje, está dando dor de cabeça a determinado político. Não pelo gesto em si, mas porque revelou uma proximidade do qual não se tinha notícia e muito menos comprovação.

Pré-secretários?

Tem candidatos a prefeito que estão nomeando o secretariado por antecipação: segundo os observadores, dá um azar danado, mas os neófitos continuam acreditando. Tem candidato que já “nomeou” ao menos cinco secretários de cultura e até “porta voz”.

UM ESCONDERIJO PARA O CRONISTA.

O cronista se escondia. Pois devia a crônica ao seu editor. Mas o atraso do texto não era fruto de falta de inspiração. Tinha, inclusive, um bom motivo para começar a escrevinhação naquela tarde.

Entretanto, como os motivos são vivos e a inspiração uma mísera parte em todo trabalho, o texto se transformou e ganhou ares de conto. Era grande e tinha um personagem humano porque demasiado contraditório. Enfim, uma leitura que não cabia em um café e por isso o próprio cronista não o classificava como crônica.

Permanecia, portanto, o problema da falta da crônica. E, com as orelhas em pé para o que disse Vinicius de Moraes, o cronista não recorreu a falta de tema como tema para escrever. Saiu de casa. Indo passear pela cidade que bufava de tanta vida.

Eis então que entra em uma cafeteria e quem ele encontra senão o editor. O jovem apela, em seguida, para a ignorância, dizendo não saber se aquele que encontrou é aquele mesmo. É ele. E todos riem. O cronista é pego como o garoto que rouba brigadeiro da mesa antes de cantarem o parabéns, ou seja, não pode, mas se ninguém faz que graça tem?

Mais que isso, não pode se sentar. Ora, porque tem pressa. Está às voltas com o texto que não necessita de nada mais que um instante dentro do qual qualquer coisa possa acontecer. Entra na cafeteria um mendigo vestindo seus trajes de sempre. Estaciona em frente ao balcão e analisa os preços. Por fim, dirige-se aos homens que passam, reclama da inflação e pergunta, Mas é por causa da crise, ainda?

O caso chama a atenção e o cronista aproveita para sair de fininho. Afinal, ali era mesmo um péssimo esconderijo.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 30 de janeiro de 2019

PEQUENAS DOSES

Dormitório das Garças

As secretarias do meio ambiente e desenvolvimento, através dos secretários Mário Flávio Moreira e Felipe Araújo, anunciam contrato para a recuperação do Dormitório das Garças. Os recursos são oriundos do Fundo Municipal do Meio Ambiente.

E a Praça Porto Rocha?

É pena que o mesmo esforço conjunto não esteja sendo desenvolvido para a recuperação da histórica Praça Porto Rocha. Degradada por uma “reforma”, nos estertores do governo de Marquinhos Mendes que a transformou em conjunto de lápides, semelhantes ao Cemitério Santa Izabel.

Dilapidação do patrimônio público

A seguir veio o governo do “velho morubixaba”, que assistiu impassível a destruição sistemática do equipamento urbano da praça, inclusive do material em bronze. Aos cidadãos que pagam impostos ficou a impressão que o governo se deliciava com a dilapidação do patrimônio público.

Segurança de que?

Em todas as esquinas do centro de Cabo Frio encontram-se homens das empresas de segurança privada. Entretanto, na hora que o “pau fuça”, como diz o povão, a segurança privada desaparece como por encanto, enquanto os bandidos fazem a festa.

Segurança de quem?

Os marginais esnobam prepotência e com tranqüilidade, certos que não serão incomodados, roubam o comércio e as pessoas. Moral dessa e de outras histórias: a segurança privada segura apenas seus lucros e expande seu poder político.

O Meteoro!

A PM poderia dar aos seus valorosos soldados cursos sobre a ética no uso dos celulares em serviço. Os soldados das viaturas, obviamente localizadas em “pontos estratégicos” são vistos mais preocupados com os celulares do que com o que acontece a sua volta. Pode cair um meteoro que eles não notam. Não é pra isso que se paga impostos.

Fôlego!

Os pré-candidatos a câmara municipal, que fazem parte da nominata de apoiadores de José Bonifácio estão espantados com a mobilidade do candidato, que não para. Coloca uma garrafa d’água na cintura e sai à luta: os candidatos que o acompanhem.

A Plenária

A primeira reunião plenária do PSOL, em 2020, acontece em 5 de fevereiro, no Teatro Quintal, da professora Silvana Lima. Informação do pré-candidato a prefeito, o professor Roberto Valentin da Costa Póvoas, o Betinho.

Levantando a mão para o céu!

Fontes da secretaria de fazenda dizem que a prefeitura deve quitar até o dia 31, sexta-feira, o pagamento de dezembro dos contratados da Saúde e comissionados geral, bem como pagar aposentados e pensionistas do IBASCAF.

O RABUGENTO!

– A “Pastelaria do Beiçola” virou o “outdoor” mais observado de Cabo Frio. Qual o recheio ou será mesmo o velho e popular “pastel de vento”?

– A extrema direita de Cabo Frio a toda hora é notícia nas colunas dos jornais cariocas: e sempre pra pior.

– Tenera que apareceu no programa do Dirlei, e tomou “chá de sumiço, reapareceu: se declara candidato a prefeito e carrega de quebra o médico otorrino, Tenório.

PEQUENAS DOSES

Preocupação: nominatas

A formação de nominatas fortes tem sido a grande preocupação dos partidos políticos em Cabo Frio. O Republicanos (antigo PRB) acredita que consegue fazer três vereadores, mas os caciques do partido estão preocupados.

Novatos na mídia

Ano eleitoral e os candidatos novatos a câmara ganham espaço na mídia: a procura é grande. Davi Souza esteve nessa 3ª na Rádio Litoral, com Ademílton Ferreira, o mesmo destino de Hélio Gualberto nesta 4ª, enquanto Cláudio Leitão vai estar no Programa de Dil Quaresma, na 5ª.

“Homem Forte”

Cláudio Bastos passou de secretário de Marquinhos Mendes para secretário de governo de Renatão/Renatinho Vianna: coordenador do Republicanos, Cláudio Bastos é o “homem forte” de Crivella, na Região dos Lagos.

Os Inelegíveis

O “mestre” (Alair Corrêa) e o “aluno” (Marquinhos Mendes), após anos de liderança política em Cabo Frio, estão inelegíveis. Alair procura um partido e Marquinhos está no “ninho tucano” (PSDB).

Sem rumo!

Alair Corrêa, embora apoiado por Carlos Quintão, teve negada pela estadual sua entrada no PC do B. Marquinhos Mendes migrou para o PSDB, mas a candidatura de sua esposa, Kamila, não conseguiu levantar vôo.

Atenção! O dinheiro é público!

Os bolsonaristas fazem discursos exaltando a “moral e os bons costumes”. A prática, entretanto, não é exatamente essa. O deputado cabofriense Sérgio Luiz Azevedo foi denunciado como o segundo que mais gasta na Alerj.

Não falta grana.

Em janeiro de 2018, Cabo Frio arrecadou mais de R$ 72 milhões. Em 2019 a arrecadação subiu para mais de R$ 79 milhões. Não existe argumento para falta de dinheiro como justificativa para o não pagamento do funcionalismo. Existe a incompetência e a falta de transparência do governo.

Arrecadação crescente.

O blog lembra a Adriano/Clésio/Cati, que em fevereiro a arrecadação é maior. Em 2018, mais de R$ 77 milhões e em 2019 superou R$ 89 milhões. O governo vai continuar dizendo que falta dinheiro?

Opressão!

O comércio no Guarany e Célula Mater fechou por “ordem” do poder paralelo. Até quando isso vai acontecer? O que antes era considerado submundo do crime, hoje está aberto, oprimindo a população.

Aguardando 4 de abril

Faltam dois meses para o quadro político de Cabo Frio ficar claro para todos. A janela partidária fecha no dia 04 de abril, onde veremos então a distribuição das forças políticas. Até lá, seguem as conversas intensamente.

A DAMA DO LOTAÇÃO – Nelson Rodrigues

Às dez horas da noite, debaixo de chuva, Carlinhos foi bater na casa do pai. O velho, que andava com a pressão baixa, ruim de saúde como o diabo, tomou um susto:

— Você aqui? A essa hora?

E ele, desabando na poltrona, com profundíssimo suspiro:

 — Pois é, meu pai, pois é!

— Como vai Solange? – perguntou o dono da casa. Carlinhos ergueu-se; foi até a janela espiar o jardim pelo vidro. Depois voltou e, sentando-se de novo, larga a bomba:

— Meu pai, desconfio de minha mulher.

Pânico do velho:

— De Solange? Mas você está maluco? Que cretinice é essa?

O filho riu, amargo:

— Antes fosse, meu pai, antes fosse cretinice.  Mas o diabo é que andei sabendo de umas coisas… E ela não é a mesma, mudou muito.

Então, o velho, que adorava a nora, que a colocava acima de qualquer dúvida, de qualquer suspeita, teve uma explosão:

— Brigo com você! Rompo! Não te dou nem mais um tostão!

Patético, abrindo os braços aos céus, trovejou:

— Imagine! Duvidar de Solange!

O filho já estava na porta, pronto para sair; disse ainda:

— Se for verdade o que eu desconfio, meu pai, mato minha mulher! Pela luz que me alumia, eu mato, meu pai!


A Suspeita


Casados há dois anos, eram felicíssimos. Ambos de ótima família. O pai dele, viúvo e general, em vésperas de aposentadoria, tinha uma dignidade de estátua; na família de Solange havia de tudo: médicos, advogados, banqueiros e, até, ministro de Estado. Dela mesma, se dizia, em toda parte, que era “um amor” ; os mais entusiastas e taxativos afirmavam: “É um doce-de-coco”. Sugeria nos gestos e mesmo na figura fina e frágil qualquer coisa de extraterreno. O velho e diabético general poderia pôr a mão no fogo pela nora. Qualquer um faria o mesmo. E todavia… Nessa mesma noite, do aguaceiro, coincidiu de ir jantar com o casal um amigo de infância de ambos, o Assunção. Era desses amigos que entram pela cozinha, que invadem os quartos, numa intimidade absoluta. No meio do jantar, acontece uma pequena fatalidade: cai o guardanapo de Carlinhos.  Este curva-se para apanhá-lo e, então, vê, debaixo da mesa, apenas isto: os pés de Solange por cima dos de Assunção ou vice-versa. Carlinhos apanhou o guardanapo e continuou a conversa, a três. Mas já não era o mesmo. Fez a exclamação interior: “Ora essa! Que graça!”. A angústia se antecipou ao raciocínio. E ele já sofria antes mesmo de criar a suspeita, de formulá-la. O que vira, afinal, parecia pouco, Todavia, essa mistura de pés, de sapatos, o amargurou como um contato asqueroso. Depois que o amigo saiu, correra à casa do pai para o primeiro desabafo. No dia seguinte, pela manhã, o velho foi procurar o filho:

— Conta o que houve, direitinho!

O filho contou. Então o general fez um escândalo:

— Toma jeito! Tenha vergonha! Tamanho homem com essas bobagens!

Foi um verdadeiro sermão. Para libertar o rapaz da obsessão, o militar condescendeu em fazer confidências:

— Meu filho, esse negócio de ciúme é uma calamidade! Basta dizer o seguinte: eu tive ciúmes de tua mãe! Houve um momento em que eu apostava a minha cabeça que ela me traia! Vê se é possível?!


A Certeza


Entretanto, a certeza de Carlinhos já não dependia de fatos objetivos. Instalara-se nele. Vira o quê? Talvez muito pouco; ou seja, uma posse recíproca de pés, debaixo da mesa. Ninguém trai com os pés, evidentemente. Mas de qualquer maneira ele estava “certo”. Três dias depois, há o encontro acidental com o Assunção, na cidade. O amigo anuncia, alegremente:

— Ontem viajei no lotação com tua mulher.

Mentiu sem motivo:

— Ela me disse.

Em casa, depois do beijo na face, perguntou:

— Tens visto o Assunção?

E ela, passando verniz nas unhas:

— Nunca mais.

— Nem ontem?

— Nem ontem. E por que ontem?

— Nada,

Carlinhos não disse mais uma palavra; lívido, foi no gabinete, apanhou o revólver e o embolsou. Solange mentira! Viu, no fato, um sintoma a mais de infidelidade. A adúltera precisa até mesmo das mentiras desnecessárias. Voltou para a sala; disse à mulher entrando no gabinete:

— Vem cá um instantinho, Solange.

— Vou já, meu filho.

Berrou:

— Agora!

Solange, espantada, atendeu. Assim que ela entrou, Carlinhos fechou a porta, a chave. E mais: pôs o revólver em cima da mesa. Então, cruzando os braços, diante da mulher atônita, disse-lhe horrores. Mas não elevou a voz, nem fez gestos:

— Não adianta negar! Eu sei de tudo! E ela, encostada à parede, perguntava:

— Sabe de que, criatura? Que negócio é esse? Ora veja!

Gritou-lhe no rosto três vezes a palavra cínica! Mentiu que a fizera seguir por um detetive particular; que todos os seus passos eram espionados religiosamente. Até então não nomeara o amante, como se soubesse tudo, menos a identidade do canalha. Só no fim, apanhando o revolver, completou:

— Vou matar esse cachorro do Assunção! Acabar com a raça dele!

A mulher, até então passiva e apenas espantada, atracou-se com o marido, gritando:

— Não, ele não!

Agarrado pela mulher, quis se desprender, num repelão selvagem. Mas ela o imobilizou, com o grito:

— Ele não foi o único! Há outros!


A Dama do Lotação


Sem excitação, numa calma intensa, foi contando. Um mês depois do casamento, todas as tardes, saia de casa, apanhava o primeiro lotação que passasse. Sentava-se num banco, ao lado de um cavalheiro. Podia ser velho, moço, feio ou bonito; e uma vez – foi até interessante – coincidiu que seu companheiro fosse um mecânico, de macacão azul, que saltaria pouco adiante. O marido, prostrado na cadeira, a cabeça entre as mãos, fez a pergunta pânica:

— Um mecânico?

Solange, na sua maneira objetiva e casta, confirmou:

— Sim.

Mecânico e desconhecido: duas esquinas depois, já cutucara o rapaz: “Eu desço contigo”. O pobre-diabo tivera medo dessa desconhecida linda e granfa. Saltaram juntos: e esta aventura inverossímil foi a primeira, o ponto de partida para muitas outras. No fim de certo tempo, já os motoristas dos lotações a identificavam à distância; e houve um que fingiu um enguiço, para acompanhá-la. Mas esses anônimos, que passavam sem deixar vestígios, amarguravam menos o marido. Ele se enfurecia, na cadeira, com os conhecidos. Além do Assunção, quem mais?

Começou a relação de nomes: fulano, sicrano, beltrano… Carlinhos berrou: “Basta! Chega!”. Em voz alta, fez o exagero melancólico:

— A metade do Rio de Janeiro, sim senhor!

O furor extinguira-se nele. Se fosse um único, se fosse apenas o Assunção, mas eram tantos! Afinal, não poderia sair, pela cidade, caçando os amantes. Ela explicou ainda que, todos os dias, quase com hora marcada, precisava escapar de casa, embarcar no primeiro lotação. O marido a olhava, pasmo de a ver linda, intacta, imaculada. Como e possível que certos sentimentos e atos não exalem mau cheiro? Solange agarrou-se a ele, balbuciava: “Não sou culpada! Não tenho culpa!”. E, de fato, havia, no mais íntimo de sua alma, uma inocência infinita. Dir-se-ia que era outra que se entregava e não ela mesma. Súbito, o marido passa-lhe a mão pelos quadris: — “Sem calça! Deu agora para andar sem calça, sua égua!”. Empurrou-a com um palavrão; passou pela mulher a caminho do quarto; parou, na porta, para dizer:

— Morri para o mundo.


O DEFUNTO


Entrou no quarto, deitou-se na cama, vestido, de paletó, colarinho, gravata, sapatos. Uniu bem os pés; entrelaçou as mãos, na altura do peito; e assim ficou. Pouco depois, a mulher surgiu na porta. Durante alguns momentos esteve imóvel e muda, numa contemplação maravilhada. Acabou murmurando:

— O jantar está na mesa.

Ele, sem se mexer, respondeu:

— Pela ultima vez: morri. Estou morto.

A outra não insistiu. Deixou o quarto, foi dizer à empregada que tirasse a mesa e que não faziam mais as refeições em casa. Em seguida, voltou para o quarto e lá ficou. Apanhou um rosário, sentou-se perto da cama: aceitava a morte do marido como tal; e foi como viúva que rezou. Depois do que ela própria fazia nos lotações, nada mais a espantava. Passou a noite fazendo quarto. No dia seguinte, a mesma cena. E só saiu, à tarde, para sua escapada delirante, de lotação. Regressou horas depois. Retomou o rosário, sentou-se e continuou o velório do marido vivo.