A GRANDE E VELHA ÁRVORE FLORIDA – Rafael Alvarenga.

A grande e velha árvore florida

A grande e velha árvore está florida! Não sei qual é o seu nome, mas isso não me impede de dizê-la ao mundo. Ela que de longe e de baixo é uma árvore feia. Tem folhas pequenas além de galhos finos e ousados apontando para o céu. De longe não há quem diga ser uma árvore florida. Também, de baixo, não lhe dão um mísero sorriso de admiração. Seu tronco retorcido, repleto de cavidades sujas e suas raízes expostas como gengivas desdentadas, facilmente enganam.

Porém no alto a grande e velha árvore está florida! Dos galhos estouram ramos de pequenas flores lilases com miolo negro. São lindas e mágicas. E só podem ser vistas por aqueles que, com cuidado, olham para cima quando estão debaixo dela.

Então tudo se transmuta! De repente há sombra, a brisa fresca corre e convida à indolência. Os pássaros conversam e nenhum automóvel usufrui da rua. As flores brilham ao sol. Têm força e poder! São bem nutridas pela terra que vive mesmo sob calçadas e asfaltos.

Grande e velha árvore florida como temo pela sua existência! Pois é preciso ser um ipê e fazer um verdadeiro estardalhaço amarelo para não ser motosserrado por esses homens que preferem um jardim de inverno nos trópicos.

Eu amo os ipês, mas reparem como somos encantados ao vê-los explodir em uma paisagem cinza, de prédios ou mato. Um mundo todo amarelo tiraria toda sua beleza.

Grande e velha árvore, eu espero por muito tempo ainda lhe ver florida nessa terra de sal e vento!

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 28 de outubro de 2019

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