A OPÇÃO CONSERVADORA

Opção conservadora

O grupo que perdeu a hegemonia e posteriormente foi afastado do governo Adriano Moreno/Antônio Carlos Vieira articula uma opção para 2020, mas será mais uma vez conservadora. Afinal, a origem política está nos quadros do “velho morubixaba”, que durante muitos anos deu as cartas na política cabofriense.

Na direita: egos inflados e barracos

Como se imaginava, os grupos de extrema direita cabofriense estão batendo cabeça e brigando entre si. O pessoal é “ótimo” para desenvolver “fake news”, postagens agressivas e insultuosas nas redes sociais, mas quando se trata de servir a sociedade, só vexame. As brigas são de egos inflados pelo natimorto bolsonarismo.

“Fogo amigo”

O “fogo amigo” continua respingando no secretário de governo e vereador Miguel Alencar. Há quem diga que tem gente dentro do próprio governo antecipando o processo eleitoral, que deveria começar, em 2020. A “prova dos nove” será o processo de contratos para a secretaria de educação. Até que ponto vai à influência do secretário.

Primeiro ajeita a saúde

O médico ortopedista, Carlos Ernesto, é secretário de saúde pela segunda vez (a primeira foi com o “interventor” Alair Francisco Corrêa) e tudo leva a crer que novamente será candidato a uma bela e macia poltrona na câmara de vereadores. Antes de qualquer coisa tem que dar uma ajeitada na saúde pública, caso contrário, dificilmente terá qualquer chance.

ESGOTO: A TEMPO SECO E MOLHADO

A tempo seco

A questão ambiental há anos deveria ser prioritária no debate político em Cabo Frio. Dentre os temas a serem discutidos está o do “tratamento de esgoto a tempo seco”, embora muitos se encolham talvez por temor de enfrentar a Prolagos. Sem demagogia e populismo tem que ser encontrada uma solução técnica e financeira para o tratamento de esgotos.

Quando doer no bolso…

A situação da Laguna de Araruama está chegando a tal ponto que, entre outras coisas, pode inviabilizar o turismo na Região dos Lagos. Na hora que o turista desaparecer e doer no bolso pra valer, quem sabe os empresários se mobilizem para pressionar as prefeituras e as empresas que detém o oligopólio privado na área.

O ZELADOR ……

Waguinho, o zelador

O vereador Waguinho gosta do embate e de arrumar confusão com sindicatos e movimentos progressistas. Primeiro defendeu a bandeira da “escola sem partido” repudiada pelo Sepe Lagos e agora quer disciplinar e interferir na freqüência dos banheiros públicos e privados, batendo de frente com a comunidade LGBT.

Congestionamento

A assessoria do vereador deve ter dito a ele que hostilizar os profissionais da educação, os sindicatos e os movimentos LGBT dará muitos votos na eleição de 2020, devido à onda bolsonarista. O vereador deve estar querendo o apoio dos neopentecostais, da Opus Dei e da Renovação Carismática para se reeleger.

Tática pode não dar certo

A tática, porém, pode dar com “os burros n’água”, porque além do bolsonarismo, segundo as últimas pesquisas, estar descendo a ladeira, esse setor, extremamente conservador, está bastante congestionado. Não falta gente dizendo bobagens por aí, cultivando “fake news” e mentiras do gênero. O vereador bem que poderia se concentrar em coisas mais importantes.

DOG NIGHT OU COTOCO OU CARAMELO – O CÃO MAIS BADALADO E CHARMOSO DE CABO FRIO.

Dog Night ou cotoco ou pitoco e também caramelo é o cachorro mais badalado e charmoso de Cabo Frio, fiel companheiro do Bike Night, que nas noites de quinta-feira, promove um grande e tradicional passeio ciclístico que percorre as ruas da cidade.

“A TERCEIRA MARGEM DO RIO” – Guimarães Rosa

Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente — minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.

Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a idéia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo, de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta.

Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: — “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!” Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: — “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?” Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.

Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para. estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho.

Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas — passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda — descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s’embora, para jamais, o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.

No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de comida furtada: a idéia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa para sobrevir: só assim, ele no ao-longe, sentado no fundo da canoa, suspendida no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer, depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir. Nossa mãe muito não se demonstrava.

Mandou vir o tio nosso, irmão dela, para auxiliar na fazenda e nos negócios. Mandou vir o mestre, para nós, os meninos. Incumbiu ao padre que um dia se revestisse, em praia de margem, para esconjurar e clamar a nosso pai o ‘dever de desistir da tristonha teima. De outra, por arranjo dela, para medo, vieram os dois soldados. Tudo o que não valeu de nada. Nosso pai passava ao largo, avistado ou diluso, cruzando na canoa, sem deixar ninguém se chegar à pega ou à fala. Mesmo quando foi, não faz muito, dos homens do jornal, que trouxeram a lancha e tencionavam tirar retrato dele, não venceram: nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele.

A gente teve de se acostumar com aquilo. Às penas, que, com aquilo, a gente mesmo nunca se acostumou, em si, na verdade. Tiro por mim, que, no que queria, e no que não queria, só com nosso pai me achava: assunto que jogava para trás meus pensamentos. O severo que era, de não se entender, de maneira nenhuma, como ele agüentava. De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis de meio-do-ano, sem arrumo, só com o chapéu velho na cabeça, por todas as semanas, e meses, e os anos — sem fazer conta do se-ir do viver. Não pojava em nenhuma das duas beiras, nem nas ilhas e croas do rio, não pisou mais em chão nem capim. Por certo, ao menos, que, para dormir seu tanto, ele fizesse amarração da canoa, em alguma ponta-de-ilha, no esconso. Mas não armava um foguinho em praia, nem dispunha de sua luz feita, nunca mais riscou um fósforo. O que consumia de comer, era só um quase; mesmo do que a gente depositava, no entre as raízes da gameleira, ou na lapinha de pedra do barranco, ele recolhia pouco, nem o bastável. Não adoecia? E a constante força dos braços, para ter tento na canoa, resistido, mesmo na demasia das enchentes, no subimento, aí quando no lanço da correnteza enorme do rio tudo rola o perigoso, aqueles corpos de bichos mortos e paus-de-árvore descendo — de espanto de esbarro. E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. Não, de nosso pai não se podia ter esquecimento; e, se, por um pouco, a gente fazia que esquecia, era só para se despertar de novo, de repente, com a memória, no passo de outros sobressaltos.

Minha irmã se casou; nossa mãe não quis festa. A gente imaginava nele, quando se comia uma comida mais gostosa; assim como, no gasalhado da noite, no desamparo dessas noites de muita chuva, fria, forte, nosso pai só com a mão e uma cabaça para ir esvaziando a canoa da água do temporal. Às vezes, algum conhecido nosso achava que eu ia ficando mais parecido com nosso pai. Mas eu sabia que ele agora virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com o aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia.

Nem queria saber de nós; não tinha afeto? Mas, por afeto mesmo, de respeito, sempre que às vezes me louvavam, por causa de algum meu bom procedimento, eu falava: — “Foi pai que um dia me ensinou a fazer assim…”; o que não era o certo, exato; mas, que era mentira por verdade. Sendo que, se ele não se lembrava mais, nem queria saber da gente, por que, então, não subia ou descia o rio, para outras paragens, longe, no não-encontrável? Só ele soubesse. Mas minha irmã teve menino, ela mesma entestou que queria mostrar para ele o neto. Viemos, todos, no barranco, foi num dia bonito, minha irmã de vestido branco, que tinha sido o do casamento, ela erguia nos braços a criancinha, o marido dela segurou, para defender os dois, o guarda-sol. A gente chamou, esperou. Nosso pai não apareceu. Minha irmã chorou, nós todos aí choramos, abraçados.

Minha irmã se mudou, com o marido, para longe daqui. Meu irmão resolveu e se foi, para uma cidade. Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. Nossa mãe terminou indo também, de uma vez, residir com minha irmã, ela estava envelhecida. Eu fiquei aqui, de resto. Eu nunca podia querer me casar. Eu permaneci, com as bagagens da vida. Nosso pai carecia de mim, eu sei — na vagação, no rio no ermo — sem dar razão de seu feito. Seja que, quando eu quis mesmo saber, e firme indaguei, me diz-que-disseram: que constava que nosso pai, alguma vez, tivesse revelado a explicação, ao homem que para ele aprontara a canoa. Mas, agora, esse homem já tinha morrido, ninguém soubesse, fizesse recordação, de nada mais. Só as falsas conversas, sem senso, como por ocasião, no começo, na vinda das primeiras cheias do rio, com chuvas que não estiavam, todos temeram o fim-do-mundo, diziam: que nosso pai fosse o avisado que nem Noé, que, por tanto, a canoa ele tinha antecipado; pois agora me entrelembro. Meu pai, eu não podia malsinar. E apontavam já em mim uns primeiros cabelos brancos.

Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.

Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — “Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto… Agora, o senhor vem, não carece mais… O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!…” E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.

Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n’água, proava para cá, concordado. E eu tremi, profundo, de repente: porque, antes, ele tinha levantado o braço e feito um saudar de gesto — o primeiro, depois de tamanhos anos decorridos! E eu não podia… Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado. Porquanto que ele me pareceu vir: da parte de além. E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão.

Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.

DICA – “PRIMEIRAS ESTÓRIAS” – João Guimarães Rosa

Sinopse

Em ‘Primeiras estórias’, João Guimarães Rosa constrói narrativas curtas que tratam de matérias diversas da experiência humana, como a busca da felicidade, a necessidade do autoconhecimento e as maneiras de se conviver com a inevitável finitude da vida.O título deriva diretamente do propósito de Rosa retomar a atmosfera das narrativas ancestrais, o que dá sentido à escolha pelo termo “primeiras”, pois deixa-se vincar abertamente pelos “causos” que remetem aos primeiros tempos da humanidade. á o emprego da palavra “estória” – em contraponto à “história” – provém da língua inglesa, pavimentando, assim, o pendor do autor pelo campo da imaginação. Composto por 21 contos, “As margens da alegria”, “Sorôco, sua mãe, sua filha”, “Famigerado” e “A terceira margem do rio” são alguns dos feitos sublimes desse escritor, que levou a artesania da palavra a patamares jamais experimentados na literatura de língua portuguesa. A capacidade de encantar desse livro está, dentre outros atributos, nas estórias tecidas com maestria e que se desenrolam em um território situado à margem da civilização moderna, compondo enredos que mesclam o real e a ficção, e que deixam largo espaço para os leitores darem asas à fantasia e, paradoxalmente, refletirem sobre seus destinos.

O ESTADO, O TRÁFICO E AS MILÍCIAS

O Estado consegue combater as milícias?

O avanço do enfrentamento entre o tráfico de drogas e as milícias, antes restritos as periferias das grandes cidades migrou para o interior. O estado desaparelhado e às vezes cúmplice é incapaz de combater o crime organizado, sob todas as formas, inclusive com aparência oficialesca. Há quem diga que o crime este tomou o Estado, ao menos parcialmente. Basta ler os jornais.

Só nó em pingo d’água

A ação da Família Bolsonaro contra o governador do Rio de Janeiro, Witzel, pegou os bolsonaristas de fé e por oportunismo, no contrapé: não sabem como sair desse nó. Ficar com Witzel significa o controle das nomeações do estado, na Região dos Lagos. Ficar com Bolsonaro representa os votos dos conservadores e neofascistas. Com quem ficar?

Os empresários do medo

Quem vive da violência e mortes. Quanto maior o medo e a insegurança, melhor pra quem vive do terror. Na esteira do desespero, crescem os lucros das empresas formais e informais de segurança privada, basta ver o número de homens nas esquinas e em frente aos estabelecimentos comerciais.

Quem lucra com o medo?

O poder político de quem lucra com o medo é cada vez maior e bastante divulgado pela mídia. Os que espalham o terror, as “bancadas da bala” ocupam cada vez maiores fatias dos parlamentos: Congresso Nacional, Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais. Cabo Frio não escapa a essa triste realidade vitaminada pelo tsunami bolsonarista, finalmente em descenso.

Os “Datenas”

Em conjugação com as “bancadas da bala” e “bancadas do terror” prosperam os “datenas”, que se tornaram milionários através da difusão do horror e das idéias extremistas do “bandido bom, é bandido morto.” Muitos deles além da grana querem também o poder político e sucessivamente se lançam a cargos eletivos.

As alianças do atraso

As “bancadas da bala” ou “bancadas do terror” em geral são aliadas as seitas e igrejas neopentecostais e entre os católicos a grupos também de extrema direita, que fazem oposição sistemática ao Papa Francisco, em nível nacional e internacional. Essas “bancadas” que tentam impor a perseguição aos professores através da chamada “escola sem partido”.

O GAROTO DAS MEIAS VERMELHAS, por Carlos Heitor Cony

Ele era um garoto triste. Procurava estudar muito.
Na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa.
Todos os outros meninos zombavam dele, por causa das suas meias vermelhas.
Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele só usava meias vermelhas.
Ele falou, com simplicidade:
“no ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo”.
Colocou em mim essas meias vermelhas.
Eu reclamei. Comecei a chorar.
Disse que todo mundo iria rir de mim, por causa das meias vermelhas.
Mas ela disse que tinha um motivo muito forte para me colocar as meias vermelhas.
Disse que se eu me perdesse, bastaria ela olhar para o chão e quando visse um menino
de meias vermelhas, saberia que o filho era dela.”

“Ora”, disseram os garotos. “mas você não está num circo.
Por que não tira essas meias vermelhas e as joga fora?”
O menino das meias vermelhas olhou para os próprios pés, talvez para disfarçar o olhar lacrimoso e explicou:
“é que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora”. Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas.”
“Quando ela passar por mim, em qualquer lugar em que eu esteja, ela vai me encontrar e me levará com ela.”

Muitas almas existem, na Terra, solitárias e tristes, chorando um amor que se foi.
Colocam meias vermelhas, na expectativa de que alguém as identifique, em meio à multidão, e as leve para a intimidade do próprio coração.
São crianças, cujos pais as deixaram, um dia, em braços alheios, enquanto eles mesmos se lançaram à procura de tesouros, nem sempre reais.
Lesadas em sua afetividade, vivem cada dia à espera do retorno dos amores, ou de alguém que lhes chegue e as aconchegue.
Têm sede de carinho e fome de afeto.
Trazem o olhar triste de quem se encontra sozinho e anseia por ternura.
São idosos recolhidos a lares e asilos, às dezenas.
Ficam sentados em suas cadeiras, tomando sol, as pernas estendidas, aguardando que alguém identifique as meias vermelhas.
Aguardam gestos de carinho, atenções pequenas.
Marcam no calendário, para não se perderem, a data da próxima visita, do aniversário, da festividade especial.
Aguardam…

São homens e mulheres que se levantam todos os dias, saem de casa, andam pelas ruas, sempre à espera de alguém que partiu, retorne.
Que o filho que tomou o rumo do mundo e não mais escreveu, nem deu notícia alguma, volte ao lar.
São namorados, noivos, esposos que viram o outro sair de casa, um dia, e esperam o retorno.
Almas solitárias. Lesadas na afetividade. Carentes.

Pense nisso!
O amor, sem dúvida, é lei da vida.
Ninguém no mundo pode medir a resistência de um coração quando abandonado por outro.
E nem pode aquilatar da qualidade das reações que virão daqueles que emurchecem aos poucos, na dor da afeição incompreendida.
Todos devemos respeito uns aos outros.
Somos responsáveis pelos que cativamos ou nos confiam seus corações.
Se alguém estiver usando meias vermelhas, por nossa causa, pensemos se esse não é o momento de recompor o que se encontra destroçado, trabalhando a terra do nosso coração.
A maior de todas as artes é a arte de viver juntos.