BRIGA EXPLÍCITA

Transformação abissal

Dirlei Pereira, ex-vereador, “ene” vezes candidato a prefeito, ex-secretário de saúde e governo, no último mandato como prefeito de Alair Francisco Corrêa. O inquieto Dirlei Pereira se transformou em empresário, radialista, “Homem de Deus” e voz crítica a Adriano Moreno, “alairzista” como ele, Dirlei. Isso sim é uma transformação pra lá de profunda, digamos, abissal.

Briga explícita

O prefeito Adriano Moreno está sendo obrigado a administrar mais um conflito dentro do seu governo. Pelo menos diretamente, o assessor especial Antônio Carlos Vieira, de tantas confusões, não está envolvido. O problema é com outro assessor especial, o fisioterapeuta Sérgio Ribamar, que bateu de frente com o vereador Miguel Alencar, que ocupa a estratégica secretaria de governo.

Fratura exposta

Alimentar esse tipo de conflito é muito ruim para o governo. Depois não vale “chorar o leite derramado” com a “fratura exposta”, isto é, a fragilidade da base governamental, na câmara. Importante não esquecer que Miguel Alencar é vereador e ocupa secretaria de governo, importantíssima, justamente por conta de sua boa articulação política no legislativo. Não dá para o prefeito fazer a sua tradicional “cara de paisagem”.

A rejeição é ampla, geral e irrestrita

A imagem do governo nas ruas, apesar dos esforços da comunicação social da prefeitura, é delicada, palavra generosa para não dizer que é bastante ruim. A rejeição da opinião pública atinge o prefeito Adriano Moreno e também o seu assessor mais direto, o ex-secretário municipal de fazenda, Antônio Carlos Vieira.

Tendência a polarização

Apesar do lançamento informal de inúmeras candidaturas a maior parte delas tende a “morrer na praia”. A tradição política de Cabo Frio é de polarização. Como a cidade cresceu bastante talvez ocorra alguma mudança, que modifique essa realidade. Até o momento, entretanto, tudo leva a crer que apenas duas candidaturas sobreviverão.

O sentimento da extrema direita

Alguns políticos acreditam que ao tomarem atitudes polêmicas ampliam o conhecimento e as possibilidades de reconhecimento junto à população. Assim tem agido o vereador Waguinho, que parece ter esquecido que com o aumento da “popularidade” vem também o aprofundamento da rejeição. O vereador é de todos na câmara aquele que melhor expressa o sentimento da extrema direita.

DOIS VELHINHOS, Dalton Trevisan

Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.

Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.

Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:

— Um cachorro ergue a perninha no poste.

Mais tarde:

— Uma menina de vestido branco pulando corda.

Ou ainda:

— Agora é um enterro de luxo.

Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.

Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.

Cochilou um instante — era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.

DEIXA DISSO!

Deixa disso

O clima não anda nada amistoso no Palácio Tiradentes, sede da prefeitura de Cabo Frio. O secretário de governo Miguel Alencar e o assessor especial Sérgio Ribamar andaram se estranhando. Não se sabe exatamente a razão do desentendimento, mas não será de bom tom convidá-los para o mesmo jantar.

Satisfação & Alívio

O deputado Sérgio Azevedo deve ter dado suspiros de satisfação e alívio com o recuo do senador Flávio Bolsonaro, que não achou o Queiróz, mas parece ter encontrado o jeito de se reaproximar do governador Witzel. Assim, os deputados do PSL não terão que abandonar a sigla e muito menos entregar os cargos que tem no governo. Essa é mesmo a “nova política”?

Inimigo dos professores?

Como o deputado Sérgio Azevedo, eleito na onda bolsonarista, fracassou no seu objetivo de criar uma CPI para investigar as universidades públicas no Estado do Rio de Janeiro, seria importante que ele esclarecesse a opinião sobre o ministro da educação Abraham Weintraub. O ministro acaba de dizer que vai partir pra cima dos salários dos professores das universidades federais.

EDUCAÇÃO – INTERFERÊNCIA DE AQUILES

Educação: interferência de Aquiles

Não é a toa que o vereador Aquiles Barreto anda tão animado nas redes sociais, inclusive com links patrocinados. Sua influência na secretaria de educação é cada vez maior. Com o apoio da secretária Márcia Almeida, politicamente ligada ao grupo do ex-prefeito Marquinhos Mendes.

A beatificação sai?

Os que transitam pelos vetustos corredores da câmara sentem que o vereador Aquiles Barreto não trabalha para se reeleger. O vereador quer mesmo é ter na mão aquela caneta cheia de tinta, que caracteriza o poder de nomear e demitir do prefeito de Cabo Frio. Tenta, mas ainda não conseguiu obter a benção de herdeiro de Marquinhos Mendes. Ainda não foi beatificado.

NUM MONUMENTO A ASPIRINA – João Cabral de Melo Neto

Claramente: o mais prático dos sóis,
o sol de um comprimido de aspirina:
de emprego fácil, portátil e barato,
compacto de sol na lápide sucinta.
Principalmente porque, sol artificial,
que nada limita a funcionar de dia,
que a noite não expulsa, cada noite,
sol imune às leis de meteorologia,
a toda hora em que se necessita dele
levanta e vem (sempre num claro dia):
acende, para secar a aniagem da alma,
quará-la, em linhos de um meio-dia.

*

Convergem: a aparência e os efeitos
da lente do comprimido de aspirina:
o acabamento esmerado desse cristal,
polido a esmeril e repolido a lima,
prefigura o clima onde ele faz viver
e o cartesiano de tudo nesse clima.
De outro lado, porque lente interna,
de uso interno, por detrás da retina,
não serve exclusivamente para o olho
a lente, ou o comprimido de aspirina:
ela reenfoca, para o corpo inteiro,
o borroso de ao redor, e o reafina.