LANÇAMENTO PARA BREVE por José Correia Baptista.

O Blog do Totonho quer saber que gênero de livro estou para lançar. Primeiro preciso dizer que há três anos este texto está pronto. Já diagramado e capa com arte de Júlia Quaresma. Na relação capital/trabalho, o que vem faltando para o livro vir a lume é o capital. Porque o texto é não só resultado das vivências que ajudam a moldar o trabalho, mas, neste caso, muito estudo, releituras e consultas a fontes primárias, que levaram outros três anos de dedicação exclusiva. Hoje ficou muito mais fácil você pesquisar. No caso dos arquivos públicos e bibliotecas, do Brasil e de outros países, você nem precisa sair de casa. Basta saber o que está procurando. Por exemplo, você digita a palavra chave, como Cabo Frio, e aí vão surgindo mil informações, até a rua Visconde de Cabo Frio aparece. Mas há surpresas. E uma dessas surpresas de procura de documentos que não vieram de palavra chave (isso acontece) foi a prestação de contas de Martim Correia de Sá com informações importantes e inéditas (o passado traz sempre novidades!) sobre a ocupação de Cabo Frio no início do século XVII. Mas meu livro não é especificamente sobre história, o que para mim seria reducionista porque não daria conta do que me interessa. O continente da história é de contextualização do tema principal, selva e utopia, emoldurando o percurso cabo-friense. Mas o que dá vida ao livro, penso, são as ideias e hipóteses proporcionadas por outros campos do conhecimento que vão se abrindo, fazendo ligações, e também por meu engajamento nos temas.

Fragmento a formação de Cabo Frio e seu desenvolvimento, material e espiritual, em dez momentos, que considero importantes. Socorro-me da inspiração desgarrada, de mãos dadas com a antropologia, a sociologia, a ciência política, a história, a literatura (os capítulos sobre Pedro Guedes Alcoforado e Waldemir Terra Cardoso, e Teixeira e Sousa, na relação literatura e sociedade, exigiram meditação e análise por falta de referências críticas), para procurar compreender esse evangelho cristão de que a tragédia não é épica e nem heroica, mas que ela está na vida cotidiana. No capítulo do encontro dos Tupinambá com os europeus, na questão da alteridade, do verdadeiro “outro”, acabamos percebendo que esse “outro” é você mesmo. Por isso, procuro me desviar dos perigos da imparcialidade liberal. E, éticamente fundamental, entendo que você só vê a partir de algum lugar.

  • O ex-secretário de cultura, o jornalista José Correia Baptista é também formado em Ciências Sociais e Letras (Português e Literatura) pela Universidade Federal Fluminense.
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