OUÇO TAPAS – Fábio Emecê

Ouço tapas

pode ser em qualquer parte do corpo

 queria dar tapas

 numa bunda perfeita

 estreita

 minha percepção

 de que a atenção

 pra mim

 está em déficit

 os pingos não param

 torneiras mal reguladas

 são o de menos

 quando não temos

 o da cerveja

 e do fumo

 sou niilista

 acordei e senti

 que o mundo é uma merda

 nos oferecem opções para sermos engajados

 cardápio

 você recusa

 é excluído

 tudo faz sentido

 quando dizem que você é do palco

 um décimo daqueles

 te ouvem

 te entendem

 te consideram

 o desafio é

 ah, não tem desafio

 não sou musculoso

 nem esguio

 há um descompasso

 entre meus pensamentos

 e a cor da pele

 por isso derreto

 ou viro barata

 na comunidade das botas

 dos sapatos

 dos chinelos

 de qualquer coisa

 que achate

 sou acusado

 de não querer nada sério

 logo eu

 sempre cheio de tarefas

 e tolerante

 quando quase todos

 optam por fazer de qualquer jeito

 ou não fazer

 o que proponho

 sonho

 coisas sórdidas

 acordo

 disposto a gravar

 nada dá certo

 nem eu

 dei certo

 por isso

 sou ignorado

 artes pretas

 sou aprendiz

 homem preto

 sou chamariz

 ser humano

 sou um talvez

 atenção

 sou freguês

 lógica encantada

 me empurram da escada…

A VALSA DO ADEUS OU QUEM FICA? QUEM SAI?

A crise da “República do Edifício das Professoras” é evidente, mesmo para os turistas que visitam rapidamente o município: a cidade está em estado deplorável. Os mais irados da oposição dirão: “a cidade está largada”

Muitos dizem que ninguém poderia imaginar que a turma do “Edifício de Tia Lila” fosse tão incompetente. Não é o caso de alguns “velhos chatos”, que sempre viram a aliança formada para a eleição, com grande desconfiança. Não era preciso lupa e muito menos algum microscópio sofisticado para dizer que ali tinha de tudo, menos coerência política e ideológica.

Mesmo assim tem a turma que não quer “largar o osso”. Inventa toda sorte de argumentos para justificar a adesão. Mantém os votos das bodas, apesar do casamento já ter ruído por conta da mais desmoralizante traição: “só não vale andar na Praça Porto Rocha de mãos dadas”, dirão os mais conformados.

A verdade é que a mistura da crise com a reforma administrativa e o “freio de arrumação”, não permite lugar pra todo mundo. O estágio atual do combalido tesouro municipal, não agüenta tanta gente como nos áureos tempos em que os poços novos da hoje veterana Bacia de Campos, jorravam petróleo e royalties a “dar no pau”.

Para a turma que vai sair basta cantar a “Valsa do Adeus”, embalada por poucas lágrimas e muito ressentimento, travestidos de “indignação democrática”.

Brincando com a velha fraseologia eleitoral: “não deu certo, porque não podia dar certo”.

Tchau!!!!!!!!!!!!

PEQUENAS DOSES

“Senadinho”

Embora seja reduto do conservadorismo cabofriense o “senadinho”, situado as margens do Canal do Itajuru, também alimenta a oposição ao governo de Adriano Moreno: contradição? Muita água ainda vai passar sob a Ponte Feliciano Sodré.

“Mistureba”

A aliança entre bolsonaristas de carteirinha, o PC do B, marxistas e até anarquistas revelou-se uma “salada de frutas”, que, no mínimo desandou temperada com vinagre. Não existia nenhuma alma caridosa para informar aos meninos e meninas do colégio interno, que a “mistureba” não poderia dar certo?

Questão de tempo e oportunidade

À direita, mesmo a considerada civilizada, do governo de Adriano Moreno, não ia aturar a hegemonia dos novos personagens, tão estranhos ao conservadorismo local, que haviam assumido a secretaria de educação. O rompimento era apenas questão de tempo e oportunidade. Só os meninos e meninas do colégio interno não perceberam.

A “nova política” na educação.

A nova montagem política colocou como secretária de educação a professora Márcia Almeida, especializada em informática, que, a princípio não nomeou ninguém diretamente e está subordinada a “nova política”, que tem a hegemonia, na prefeitura de Cabo Frio.

A engorda na educação

As novas chefias aumentaram em número e engordaram. Eram 13 coordenadores e agora são 20; são 6 supervisores, quando anteriormente eram 5. Até mesmo as superintendências pularam de 4 para 6. Isso, quando o próprio governo admite que a situação econômico-financeira é bastante frágil.

Mendes & Barreto, na educação.

A secretaria municipal de educação, após a exoneração de Cláudio Leitão e Denize Alvarenga, tornou-se território do grupo político de Marquinhos Mendes. Segundo as paredes do Palácio Tiradentes a arquitetura da nova secretaria teria sido montada pela ex-secretária Laura Barreto.

Situação difícil.

O áudio e a Ata da reunião do Conselho do Fundeb realizado em 5 de junho, não são nada interessantes politicamente para o secretário de fazenda, Antônio Carlos Vieira. Segundo algumas pessoas que ouviram e leram a Ata o secretário de fazenda pode se complicar junto ao MPE.

É só saber administrar.

A prefeitura de Cabo Frio reclama, mas os royalties não param de cair na conta. Nesta segunda, entraram R$ 13.778.407,61, ou seja, 13 milhões, 778 mil, 407 reais e 61 centavos: uma grana respeitável. Maricá solta foguetes, porque o Campo de Lula lhe rendeu hoje 56 milhões, 569 mil, 214 reais e 37 centavos.

Prefeitura & Empresários

Comerciantes e prefeitura ainda não chegaram a um acordo definitivo sobre o Boulevard Canal (de boulevard não tem nada) e outras áreas da cidade: a ação repressora do setor de posturas, apoiado pela PM, incomodou pela truculência, na Rua Porto Alegre. É preciso encontrar a fórmula adequada, que organize, respeitando os direitos de todos.

Evento no “feriadão” gorou.

A reunião no restaurante “Tia Maluca” entre os comerciantes e representantes da prefeitura não avançou. A prefeitura fez uma proposta de evento durante o feriadão de “Corpus Christi”, apresentou empresário, mas disse que não tinha grana: gorou!!!!

PROVA FALSA – Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta)

Quem teve a idéia foi o padrinho da caçula – ele me conta. Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.

— Mas o cachorro era um chato — desabafou.

Desses cachorrinhos de raça, cheio de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.

— Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas, quando eu entrava em casa, vinha logo com aquele latido fininho e antipático de cachorro de francesa.

Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

— Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o “pobrezinho”.

Num rápido balanço poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casimira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.

— Você é um desalmado — disse ela, uma vez.

Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos da caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.

— Aí mandaram o cachorro embora? — perguntei.

— Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.

— Ué… mas você não o detestava? Como é que arranjou essa sopa pra ele?

— Problema da consciência — explicou: — O pipi não era dele.

E suspirou cheio de remorso.

POESIA FEIA – Rafael Alvarenga

Poesia feia tem 41 poemas e é uma continuação do trabalho poético de Rafael Alvarenga iniciado com Poesia banguela (2017). É um livro que quer as possibilidades de um bilhete; as variações de um gosto e o pé que fica atrás. Poesia feia se interessa pelo que tem sangue na veia. E se opõe a todas as ditaduras, inclusive a da beleza.
É um livro múltiplo! Com poesias que não se igualam! Poesia feia é muitas poesias diferentes! Quer fugir do belo como um único, como padrão! Por isso abraça diferenças e singularidades. Por isso merece olhos e atenção de todos!
O livro está em momento de pré-venda online. O colaborador que der uma contribuição mínima de R$ 20,00, acessando o linque que segue abaixo, receberá como recompensa um exemplar do Poesia feia! Que será enviado pelo correio, com custos pago pelo próprio colaborador. Mas também podemos combinar local para entrega ou retirada do livro!
Todo valor arrecadado na campanha “Publicação do livro Poesia feia” será convertido na publicação do livro. Os colaboradores, receberão, via e-mail, um balanço final de todas as doações.
Além disso, serão convidados para o momento de lançamento, com data a ser definida!
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SOBRE PAPAI NOEL.

É visível para qualquer pessoa, com o mínimo de discernimento, que a população de Cabo Frio não agüenta mais os “salvadores da pátria”, que tem respostas e soluções para tudo e qualquer coisa.

O prefeito e seus seguidores prometeram tanto, que quando da vitória de Adriano Moreno, muitos cabofrienses acreditaram, que, finalmente, estavam chegando ao paraíso na Terra. Erro de percurso, Cabo Frio está ficando cada vez mais semelhante a Paraíso, distrito de Italva.

O imaginário “salvador da pátria” migrou da Rede de Sustentabilidade, organização partidária da ética e respeitável ex-ministra Marina Silva para o Democratas, um dos partidos herdeiros da linha política e ideológica da ditadura.

Bem, é importante não esquecer que antes de buscar o “verniz”, na Rede de Sustentabilidade, o líder da “República do Edifício das Professoras” estava filiado e se elegeu como vereador do PP. A legenda tinha como líder local Alair Corrêa, no plano estadual o longevo Francisco Dornelles e em nível nacional, Paulo Maluf.

Convenhamos que na companhia de todos esses “velhos camaradas” (ou seriam companheiros?) não deveria surpreender a migração do prefeito para o Democratas.

Espantados deveriam ter ficado os progressistas, que cerraram fileiras em torno de um candidato com esse “curriculum vitae”, defendendo a tese de que o mesmo não gostava de política.

E sobre Papai Noel?

E mula sem cabeça?

PEQUENAS DOSES

  • Equilíbrio e Planejamento Gente com experiência em administração pública está preocupada com a falta de equilíbrio e planejamento do governo municipal. A situação é grave no 1º semestre quando é maior a arrecadação da prefeitura, o que vai acontecer no 2º semestre?
  • De Paulo Guedes a Tchutchuca O mercado financeiro nada mais é que especulação, na maior parte dos casos inteiramente desvinculado da produção e da produtividade, sem qualquer ligação com administração pública. Por essas e tantas outras que tem gente que entra pensando que é Paulo Guedes a acaba como Tchutchuca.
  • Beija mão Muitos comissionados que, no início do governo, compraram carros novos à prestação, estão com “dor de cabeça”, com a possibilidade de não serem readmitidos com a conclusão da reforma administrativa. É a turma do “beija mão”, na secretaria de fazenda: a fila é grande.
  • O que será? Muita gente, na secretaria de fazenda, tem saudades de Paulinho Machado, o “eterno tesoureiro” que não resistiu às manobras da dupla Adriano Moreno/Antônio Carlos Vieira. O “novo” tesoureiro é o professor e empresário Clésio Guimarães Faria, membro emérito do grupo de Marquinhos Mendes.
  • Cadê as auditorias? As famosas auditorias independentes, prometidas em “prosa e verso” durante a campanha, nunca saíram do papel. Nem mesmo a da Comsercaf, que teve o presidente preso pela Polícia Federal. O seu substituto, indicado por Marquinhos Mendes, ainda permaneceu durante longo tempo no governo de Adriano Moreno.
  • Como é que fica? A alegação sobre a não contratação de empresas independentes e de grande credibilidade para a realização de auditorias era o custo, segundo o governo, alto demais. Até mesmo parte dos progressistas, no governo e fora dele, defendeu a posição da prefeitura.
  • A voz da oposição Cabo Frio não é para amadores diria o inenarrável Vovô Bibiu. Um tarimbado observador da vida política, na cidade, cravou a Rádio Ondas neste sábado e qual foi a sua surpresa: o ex-vereador e ex-secretário de saúde de Alair Corrêa é agora a “voz da oposição”
  • Esperneando O grupo que apoiou Adriano Moreno durante a campanha era pequeno, pouco representativo e está bastante dividido. A turma insatisfeita pela perda de cargos e representatividade política dentro do governo se reúne em dois pontos da cidade: o “senadinho” e o programa de Dirlei Pereira, na Rádio Ondas.
  • É de doer o coração! Formado em sua maioria por egressos do alairzismo, castigados politicamente pelo último governo do “velho morubixaba”, o grupo foi substituído na prefeitura de Adriano Moreno pela turma de Marquinhos Mendes. É de doer o coração!
  • Educação & Ciências Ambientais A abertura, pelo Instituto Federal Fluminense, IFF, do curso de mestrado em Educação e Ciências Ambientais é um grande ganho para Cabo Frio e Região dos Lagos. O primeiro dos prédios do IFF nasceu por iniciativa da dupla José Bonifácio e Otime dos Santos, prefeito e vice-prefeito de Cabo Frio.

HOMEM-DRONE, O EXTERMINADOR – Marcelo Rubens Paiva

Existem drones e drones. Alguns têm poder de fogo. Outros apenas xeretam. Tem minúsculos inspirados em libélulas, ideais para situações com refém. E tem os bombardeiros-robô operados por geeks, com nomes sugestivos: Shadow (sombra), com 14 m de envergadura, Predador, com 17 m, e Reaper (anjo da morte, ceifeiro), com 20 m.

Atrás de cada drone, existe o homem-drone, profissional com envolvimento idealizado, não físico, com o conflito a milhares de quilômetros de distância, diante de uma tela e um teclado, como passamos a maior parte do dia. Não usa capacete. Não sente cheiro de Napalm às manhãs, como Capitão Willard (Apocalypse Now).

Atrás de cada comentário da internet, também há alguém xeretando a vida alheia e sobrevoando a exposição digital em redes sociais de conhecidos ou não. Como comandante de um avião-robô, ele ou ela se senta diante da tela, faz da sua mesa uma Situation Room e sobrevoa, Page Up, Page Down, por comentários e imagens postadas.

Na maioria das vezes, ignora o que vê. Eventualmente, faz um rasante, observa melhor, vê algo suspeito e, vum, manda um míssil com um comentário bombástico, detona uma discussão, esforço de guerra também conhecido como trolagem.

Precisa ter a sua opinião formada sobre tudo publicada. Precisa que saibam que concorda ou discorda. Faz questão de postar: “Discordo!” E, se discorda muito, se sente bem quando informa: “Unfollow”. Como se quem deixa de ser seguido por alguém que nem conhece ficasse magoado e revesse suas posições. Não faça isso, “follow me” de novo, juro que procurarei me aprimorar, não posso ficar sem você “following” meus posts, sem você sou um nada, um ninguém, um mero perfil, um avatar solitário.

Na semana passada, encontrei dois sujeitos que se declararam meus seguidores. Confessaram, irônicos, como se vangloriassem, que entraram em polêmica comigo. O primeiro pelo meu blog, o segundo pelo Twitter.

Meus “followers” pediram fotos abraçados comigo. O primeiro postou e me marcou no Face no dia seguinte com a legenda: “Eu e o cara!” O cara sublinhado.

Ambos me intrigam. Por que me agrediram digitalmente, se são meus “admiradores”? “Foi uma discussão boba”, disse o primeiro. “Não fui grosso com você, só trolei”, explicou o segundo. Só? Por quê? Muitos dos caras que me detonam na rede são meus fãs?

Pensam, como na Doutrina Obama, que seus drones são armas não letais. Não querem passar em branco na vida digital do ídolo. Querem um pouco de atenção. Estão em dia com o mal humor cibernético que se espalha como uma epidemia e contamina até a imprensa. Ou a culpa é minha? Quem mandou se expor?

*

A ficção científica não é um exercício de previsibilidade. Procura imaginar um futuro estrangulado por conflitos aparentemente sem solução do presente. Busca nos nossos tataranetos, em tese mais avançados tecnologicamente, as soluções para as encrencas em que nos metemos.

Obras de ficção científica acertam e erram nas previsões. 2001 – Uma Odisseia no Espaço acertou quando mostrou que seríamos vigiados por computadores com câmeras. Mas o filme de Stanley Kubrick, baseado na obra de Arthur Clarke, previu que estaríamos dando um rolê pelo sistema solar em 2001, e que uma estação espacial seria a escala de um voo corriqueiro da Pan Am para a Lua.

Clarke era especialista. É dele conceito de satélite geoestacionário que propôs num artigo científico em 1945 para a Wireless World. Órbita geoestacionária passou a ser conhecida como órbita Clarke em sua homenagem.

Pan Am faliu, a Lua não é visitada há mais de quatro décadas, e a duras penas conseguimos manter uma equipe na órbita Clarke.

2001 – Uma Odisseia no Espaço não se preocupa com o futuro, mas com questões metafísicas que perturbam o homem tecnológico, que cruza a fronteira espacial, leva consigo o computador mais avançado e dúvidas jamais solucionadas sobre o elo perdido, a função da razão, a existência de Deus e a mortalidade.

Blade Runner, de outro especialista, Philip Dick, filmado por Ridley Scott, situa o homem numa sociedade globalizada, caótica, dominada pela estética do urbanismo descontrolado e sob as leis da biodinâmica e robótica.

Se passa em novembro de 2019 em Los Angeles. Cuja poluição melhorou em 2013, a polícia não monitora o cidadão em carros voadores (Spinner), não temos replicantes Nexus-6, da Tyrrel Coporation com vida útil de quatro anos trabalhando no espaço, nem gueixas robóticas ocidentalizadas em crise existencial, como Rachael (Sean Young). Mas todo mundo carrega uma câmera fotográfica que, além de telefone, aproxima digitalmente objetos fotografados.

Já James Cameron retratou uma sociedade dominada por máquinas voadoras do Skynet, computador espião da rede de defesa americana, que saíram do controle. A série Exterminador do Futuro lembra o que rola hoje no Oriente Médio. Não recebemos visita de androide vindo de 2029, modelo 101 – 800 da série Terminator com a cara de Arnold Schwarzenegger, ex-governador da Califórnia. Mas uma sociedade atacada por drones inteligentes que mudam a rotina de todos é a realidade entre as ruínas do Iêmen, Somália, Afeganistão e Paquistão.

Existem drones em 87 países. Até o Hezbollah os opera. Por enquanto, só os EUA e Israel realizaram ataques com eles.

A Human Rights Watch analisou seis ações de drones americanos contra alvos iemenitas. Mataram mais civis do que militantes. Um deles fez 57 vítimas. Chegaram matar um clérigo que pregava contra a Al-Qaeda. A Anistia Internacional também divulgou que uma ofensiva de drones no Paquistão matou 18 trabalhadores, inclusive uma avó de 68 anos que colhia verduras para a neta.

Pessoas comuns como em Exterminador do Futuro não conseguem mais dormir por causa do barulho incessante das máquinas voadoras. E o homem-drone fica impune, pois não se chega a um consenso se leis de guerra se aplicam em casos que uma máquina mata.

Estava na hora do 101 – 800 da série Terminator, que prometeu “I’ll be back”, reaparecer, botar ordem na casa e dar uma enquadrada na anarquia dos drones. Reais e virtuais.