OS ‘SHEIKS’ PRESUNÇOSOS

Os dias chuvosos não trazem apenas à lombeira e para quem pode, e são poucos, o aconchego dos cobertores. As dores nas juntas aumentam e o céu mais sombrio.

Em Cabo Frio, cidade solar, com vento fresco e pouquíssima chuva, salineira por excelência, os dias cinzentos são raros. Neles pode-se observar com mais atenção o que acontece ao redor.

Não é uma bela e confortável paisagem urbana, ao contrário, bastante maltratada por seguidas administrações, cujos cuidados careceram de bom gosto, respeito e criatividade.

Dinheiro não faltou, mas os prefeitos, que por aqui passaram, comportaram-se como ‘sheiks do petróleo’, presunçosos, desrespeitosos com a natureza, incapazes de perceber a jóia que tinham em mãos.

Autoritários e perdulários com o dinheiro público, nunca se preocuparam em elaborar um projeto para que o município se desenvolvesse com boa qualidade de vida: tudo foi acontecendo, um dia após o outro, como se o futuro fosse imutável e assegurado por mãos divinas.

O destino puniu a sociedade acomodada, sedada pelo dinheiro fácil dos royalties. O barril do petróleo desceu ladeira no mercado internacional e os poços da Bacia de Campos, agora maduros, não observam o mesmo dinamismo dos tempos áureos.

Chegou a hora de, finalmente, ter projeto, planejar e aprender a trabalhar com recursos não renováveis e restritos.

Será que Cabo Frio aprendeu?

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