O GOVERNO É MAIS VELHO QUE TERNO DA BEMOREIRA-DUCAL.

O governo remenda aqui e acolá e vai se ajeitando. O modelo do paletó é ultrapassado, do tipo tergal da inenarrável Bemoreira-Ducal e os sorteios do “Carnê da Girafa”, de Jota Silvestre.

O que incomoda pra valer é a barriga saliente, que salta aos olhos e aos cintos das calças e não permite esconder quase nada, nem a cerveja e os petiscos.

É desse jeito que está o governo de Adriano/Antônio Carlos, tentando ter um ar contemporâneo, mas sem nenhum cuidado e elegância para se arrumar. O resultado é sempre desastroso, sem qualquer encanto para os rapazes e as meninas do local.

A modernidade da prefeitura de Cabo Frio se assemelha as práticas políticas da década de 50, se bobear recua até a República Velha. Não é à toa, que o prefeito tem como “professor” e exemplo o “velho morubixaba”, Alair Francisco Corrêa, grupo no qual nasceu politicamente e virou vereador da base, votando direitinho o que o “mestre” mandava.

Caso resolva seguir a risca o “mestre” ou “mestres”, os tempos que virão serão duros e ásperos em todos os níveis e áreas. As prioridades certamente serão outras e muita gente respeitada e com bastante crédito na sociedade vai “pedir o boné” e cuidar da própria vida.

Enrascada

O governo de Adriano Moreno se meteu em mais uma enrascada. A maneira pouco ou nada civilizada como tratou a saída de Meri Damaceno da secretaria de cultura foi repudiada por grande parte do movimento cultural da cidade. A reunião realizada no Charitas lotou e as críticas ao governo não foram amenas.

Da cota de Adriano

Meri Damaceno na secretaria de cultura não foi indicação de grupos políticos, partidos ou mesmo vereadores. A memorialista era da cota do prefeito, tanto que quando Fernando Chagas pediu demissão, como subsecretária, assumiu imediatamente. Ao perder o apoio do prefeito para continuar, naturalmente não teria como continuar a frente da pasta.

Oposição presente

Cláudio Leitão e Denize Alvarenga, recentemente exonerados da secretaria de educação, depois de seguidos choques com o secretário de fazenda, estiveram presentes a manifestação de apoio a Meri Damaceno, no Charitas.

Protestos

A sexta-feira foi marcada por intensos protestos, nas redes sociais, contra a exoneração da secretária de cultura Meri Damaceno. O novo secretário Milton Alencar Júnior, se é que podemos chamá-lo de novo, tantas vezes esteve no cargo, vai ter muita dificuldade para estabelecer diálogo com a classe artística.

“Cachorro-morto” – 1

O governo de Adriano Moreno, com as novas alianças, está jogando uma última cartada para se salvar politicamente. Os sintomas são muito ruins, porque Adriano está apanhando de quase todos os lados, o que significa que o mundo político de Cabo Frio o considera “cachorro morto”.

“Cachorro-morto” – 2

Em Cabo Frio, boa parte do chamado “mundo político” circula por todos os governos a cata de cargos comissionados, mesmo os mais “chinfrins”. Quando um determinado político ou governo começa a apanhar de determinadas figuras é porque é considerado “cachorro morto”. Em Cabo Frio, não se bate em quem tem alguma perspectiva de chegar ao poder.

Impopularidade

A impopularidade do governo de Adriano Moreno é mesmo de espantar, mas ainda pior é a rejeição do secretário de fazenda, Antônio Carlos Vieira, presidente do Democratas, em Cabo Frio. Ocupando ponto estratégico da administração municipal, o secretário tem colecionado adversários e até o momento não colocou as finanças da prefeitura em ordem.

Bonifácio debate violência

O ex-prefeito José Bonifácio realizou na noite de ontem amplo debate sobre o tema, que, certamente vai tomar conta da campanha: segurança pública. A cidade que tem tiroteios em praticamente todos os bairros da periferia, com índices crescentes de violência não pode mais se furtar a amplo e profundo debate sobre questão tão importante.

QUE FOTO!

Ibascaf, sem o “faz-me rir”.

Causou espanto entre os servidores, aposentados e pensionistas, a foto que circulou nas redes sociais do secretário de fazenda Antônio Carlos Vieira abraçado a Antônio Damique Teixeira, diretor financeiro do Ibascaf, para explicar o atraso do pagamento. Quem tem que explicar o atraso é o governo.

Subordinação evidente.

Faltou o mínimo de bom-senso e respeito aos aposentados e pensionistas, até mesmo porque Antônio Damique é vice-presidente da Associação de Aposentados, Pensionistas e Servidores Ativos do Ibascaf. Foto e texto juntos não explicam a subordinação, inaceitável.

O RECÉM-CASADO – José Carlos Oliveira.

Encontro um velho companheiro de farras:

— Estou indo para a Cidade — diz ele. — Agora estou trabalhando no setor imobiliário. Olha o meu dedo. (Mostra-me a aliança no anular esquerdo.) Casei. É, casei. Você lembra como a gente brigava. Pois é, mas acabamos casando. Ninguém sabe como é isso; depois do casamento, não brigamos mais. Casamos porque todo dia a gente brigava, se separava, e na semana seguinte tudo recomeçava. Ela chegou à conclusão de que a única maneira de a gente se separar mesmo era casando… O casamento foi legal. — Nos dois sentidos. Apareceu um juiz togado e ela ficou uma fera. “Ora vejam!” disse ela. “Por que não me avisaram que o negócio seria à fantasia?” O juiz ficou encabulado. Nós estávamos um pouco tontos, esta é que é a verdade. A comemoração começou de manhã cedo. Mas o casamento só ficou chato quando o juiz começou a falar aquelas palavras que todo mundo conhece. Perguntou a ela: “A senhora insiste?” Ela respondeu que sim. E o juiz perguntou: “A senhora persiste?” E ela respondeu: “Bom, persistir… não chego a tanto. Insistir, insisto, mas persistir já acho meio forte.” Mas o pior foi quando o juiz nos chamou de nubentes. Ora veja você: nubentes! Eu tive vontade de dizer que nubente era a vovozinha dele.

— Ela está descansando na serra. Vou subir no fim da semana. Estamos comprando uma casinha lá na serra. Quando tudo estiver arrumado, vou reunir a turma. Você está convidado. Nós não brigamos mais, porém estou proibido de contar as histórias nossas, da turma. Ela me disse: “Você nunca me contou uma história de bebedeira que terminasse bem. Todas as suas histórias terminam com todo mundo brigando ou todo mundo no distrito.” E ela tem toda razão. Fiz um balanço das minhas histórias com a turma e, de fato, todas terminam em pancadaria. Você se lembra quando fomos presos em Magé? Pois é. Até hoje não compreendi como é que fomos parar naquela delegacia. E aquele botequim de Teresópolis? Olha, outro dia estávamos lá e ela quis entrar no boteco para comprar não sei o quê. Eu disse que não entrava e ela perguntou qual a razão. Mudei de assunto, ela insistiu, acabamos entrando. Na hora de entrar, pensei: “Pronto, vai começar tudo de novo.” Felizmente, não me reconheceram. Você se lembra do botequim, não é? O tal que o dono veio contar anedota pornográfica para nós. A gente estava com a Lili e eu resolvi interpelar o camarada. Ele veio com o revolver e eu disse: “Vem você com o teu revolver e chama mais dois, pois eu sou mais eu.” O cara medrou, lembra? Pois é. Mas essa história eu não posso contar a ela, pois termina em briga… Quer dizer, a história termina em briga, e ela acaba brigando comigo por causa das minhas histórias que sempre terminam em briga… Não, não tenho visto a turma não. Deixei de ir aos botecos. Agora sou um homem direito. Eu agora sou nubente, morou? Nubente… Acontece cada uma! E você? Casou? Ah, não? Quer dizer que continua na farra? Você é que é feliz…

DICAS DO BLOG DO TOTONHO.

O cabelo é analisado na obra de Nilma Lino Gomes não apenas como parte integrante do corpo individual e biológico, mas, sobretudo, como corpo social e linguagem, como veículo de expressão e símbolo de resistência cultural. É nessa direção que a autora interpreta as ações e atividades desenvolvidas nos salões étnicos de Belo Horizonte a partir da manipulação do cabelo crespo, baseando-se nos penteados de origem étnica africana, recriados e reinterpretados, como formas de expressão estética e identitária negra. A conscientização sobre as possibilidades positivas do próprio cabelo oferece uma notável contribuição no processo de reabilitação do corpo negro e na reversão das representações pejorativas presentes no imaginário herdado de uma cultura racista.

Kabengele Munanga
Professor titular do Departamento de Antropologia da USP

FICOU PRO CARITÓ

Na tradição nordestina quando uma jovem ou rapaz não consegue casar, se diz que “ficou pro caritó”. Pouco diferente do “sul maravilha”, que apoquentava a cabeça de quem “ficou pra titia ou titio”.

O prefeito de Cabo Frio, Adriano Moreno, iniciou um romance bem sucedido com a população. Ora, o povo levou-o ao altar para a celebração antecipada das bodas, anunciadas pelos arautos como tempos de paz e prosperidade.

Esta chegada ao Éden não se consumou. O governo não conseguiu engrenar, os mecanismos emperraram e peças antes prometidas como intocáveis, foram sumariamente substituídas, algumas após grande desgaste, outras, sem qualquer aviso prévio.

A quebra da expectativa da população, que já se imaginava caminhando para outro patamar civilizatório, gerou uma frustração nunca antes vista na cidade. O “salvador da pátria” se revelou incompetente para salvar não apenas a “pátria”, mas o seu próprio governo.

As bodas, portanto, nunca chegaram a ser transformadas em lua de mel: ficaram pelo meio do caminho, deixando a população com lágrimas nos olhos e com aquele traço de fel, na boca.

Adriano Moreno ficou pro caritó.

Colégio interno.

Meninos e meninas do colégio interno ou criados por avó, finalmente devem ter percebido, que o governo de Adriano Moreno é de direita, pouco civilizado e com elevado espírito bolsonariano. Chega de desculpas.

Os “cardeais” tramam.

Enquanto a periferia de Cabo Frio explode com tiroteios, que fecham escolas, postos de saúde e impede a livre circulação do transporte coletivo, “cardeais” do governo de Adriano Moreno tramavam para substituir a escritora Meri Damaceno da secretaria ade cultura.

Esqueceram de mim.

Alguns amigos do secretário de esportes Flávio Rebel, um dos membros da “República do Edifício das Professoras” notaram que o professor está adotando o espírito de Macaulay Culkin, intérprete de Kevin, protagonista do filme “Esqueceram de mim”.

O poder sem votos.

O fisioterapeuta Sérgio Ribamar acabou por se transformar no assessor especial mais influente do governo de Adriano Moreno. Segue a mesma trilha do secretário de fazenda Antônio Carlos Vieira. Os dois têm um ponto comum: chegaram ao poder sem votos.

Aproximação com Marquinhos.

O grupo bolsonarista é cada vez mais hegemônico dentro da prefeitura de Cabo Frio, tirando o setor progressista do governo. Os bolsonaristas trabalham no sentido de se aproximar cada vez mais da liderança política de Marquinhos Mendes para romper o isolamento político, principalmente no legislativo.

Miguel & Aquiles

A aproximação passou pelo secretário de governo e vereador Miguel Alencar e pelo ex-presidente da câmara Aquiles Barreto. Essa articulação política é que permitiu a exoneração da dupla Leitão/Alvarenga, na Educação e de Meri Damaceno, na Cultura.

Movimento negro.

Rumores emanados das paredes do Palácio Tiradentes revelam que grande parte de integrantes do Movimento Negro de Cabo Frio contribuiu para a queda da memorialista e escritora Meri Damaceno da secretaria de cultura.

Grosseria e falta de respeito

A secretária de comunicação social Andreia Gorito vai ter que gerar um plano de comunicação para salvar politicamente o governo de Adriano Moreno. A maneira grosseira e inoportuna pela qual o governo trata os antigos aliados tem deixado grande rastro de antipatia no seio da sociedade.

Mosca azul.

O empresário Radamés Muniz, que foi candidato a vice-prefeito na chapa com Rafael Peçanha e depois secretário de turismo do governo de Adriano Moreno não deixou de conversar política. A impressão que causa é que a carreira política faz parte dos seus planos.

Rafael & Fábio.

Rafael Alvarenga e Fábio Emecê são dois escritores cabofrienses. Sempre que aparecem pelo Blog do Totonho encantam os leitores com a beleza de suas poesias, crônicas e contos. Em meio a tanta aspereza do cotidiano cabofriense os textos de Rafael e Fábio aliviam a alma. O blog está aberto a todos os escritores da região.

Um dos pioneiros do Movimento Negro, Manoel Justino escreveu um texto sobre a saída da escritora e memorialista Meri Damaceno da secretaria municipal de cultura de Cabo Frio.

Meri perdeu a oportunidade de deixar a secretaria realmente de forma triunfante, com o movimento de ontem no Charitas, quando ela declarou que o prefeito Adriano, não tinha culpa do que ela e seus adeptos chamaram de golpe, atribuindo ao vereadores a sua exoneração: ora, uma contradição, sabemos que nomear e exonerar, é uma prerrogativa do chefe do executivo.

Uma demonstração de que ela, não estava preparada para um ambiente político, comum na maquina administrativa. Aliás, embora bem intencionada, esse foi um dos seus erros, que a fez fazer uma gestão, de restringir o diálogo a apenas a um determinado grupo da classe artística. Ao Movimento Negro foi negado o diálogo, embora tenhamos tido com ela um comportamento de respeito. Nos opomos apenas, a dois momentos pontuais a sua gestão. Quando descordamos da condução da Semana Teixeira e Sousa, e quando a secretária confundiu o ritual das religiões de matriz africana, com a defesa de animais domésticos. Fora isso, respeitamos a sua trajetória de Memorialista da cidade.

Todo mundo sabe que foi oferecido a ela, a opção de permanecer em área do governo, inclusive dando a ela o direito de escolha. Ela vai aceitar? Vai permanecer? Quando ela isentou Adriano, é possível que todos sejam surpreendidos com a permanência.

A ARTE DE FURTAR

Neste momento em que o mundo caminha inexoravelmente para o abismo econômico é hora de observar o pensamento debochado dos trechos escolhidos de um clássico da literatura muito pouco conhecido do leitor brasileiro. A sua primeira edição se deu no ano de 1652 em Amsterdã. João Ribeiro no seu estudo crítico acerca deste livro reeditado por Garnier em 1907 diz que sempre se considerou ao Padre Antônio Vieira a paternidade da Arte de Furtar.

Espelho de Enganos, Teatro de Verdades
Mostrador de Horas Minguadas

AbUnguibusleo
(Diz o provérbio):
Pelas unhas se conhece o leão; eu digo: E pelas mesmas se conhece o ladrão.
Como para furtar há arte, que é ciência verdadeira.
As artes, dizem seus autores, são emulações da natureza: E dizem pouco; porque a experiência mostra que também lhe acrescentam perfeições.
Deu a natureza ao homem cabelo e barba para autoridade e ornato; e se a arte não compuser tudo, em quatro dias se fará um monstro. Com arte faz o escultor do tronco inútil uma imagem tão perfeita que parece viva. Com arte tiram os cobiçosos das entranhas da terra e centro do mar, a pedraria e metais preciosos que a natureza produziu em tosco e aperfeiçoando tudo, lhe dão outro valor. Não perde a arte seu ser por fazer mal quando o faz bem e a esse mesmo mal que professa, para tirar dele para outrem algum bem, ainda que seja ilícito. E tal é a arte de furtar, que todas se ocupam em despir uns para vestir outros.

Con arte y conengãno, vivo lamitaddelaño: Y conengãno y arte, vivo laotra parte.

Se os ladrões não tiverem arte busquem outro ofício; e quando os vejo continuar no ofício ileso, não posso deixar de o atribuir à destreza de sua arte que os livra até da justiça mais vigilante, deslumbrando-a por mil modos, ou obrigando-a que os largue e os tolere; porque até para isso tem os ladrões arte. Assim se prova que há arte de furtar, e que esta seja ciência verdadeira.
Como a arte de furtar é muito nobre.
Mais fácil achou um prudente que seria acender dentro do mar uma fogueira, que espetar em um peito vil fervores de nobreza. Contudo, ninguém me estranhe de chamar nobre a arte cujos professores por leis divinas e humanas são tidos por infames. A nobreza das ciências colhe-se de três princípios: o primeiro, é o objetivo ou a matéria em que se ocupa; o segundo, as regras e preceitos de que consta; o terceiro, os mestres e sujeitos que a professam. Pelo primeiro princípio, é a teologia mais nobre que todas; porque tem a Deus por objeto. Pelo segundo, é a filosofia; porque suas regras e preceitos são delicadíssimos e admiráveis. Pelo terceiro, é a música; porque a professam anjos no céu e na terra príncipes. E por todos estes três princípios é a arte de furtar muito mais nobre; porque o seu objeto e a matéria em que se emprega, é tudo o que tem nome de precioso: as suas regras e preceitos são sutilíssimos e infalíveis e os sujeitos e mestres que a professam, ainda o mal, são os que mais prezamos, os mais nobres senhores.
Não pode haver maior desgraça no mundo que converter-se a um doente em veneno a triaga que tomou para vencer a peçonha que o vai matando, é fortuna muito mal de sofrer. E tal é que acontece em muitas repúblicas do mundo e até nos reinos mais bem governados, os quais para se livrarem dos ladrões, que é a pior peste que os abrasa, fizeram varas, que chamam de justiça, isto é, meirinhos, almotaceis, alcaides; puseram guardas, rendeiros e jurados; e fortaleceram a todos com provisões, privilégios e armas, mas eles, virando tudo do carnaz para fora, tomam o rasto às avessas, e em vez de nos guardarem as fazendas, são os que maiores estragos fazem nelas; de sorte não se distinguem dos ladrões que lhe mandam vigiar, em mais senão, que os ladrões furtem nas charnecas e eles, os nobres, no povoado.
Dos leões contam os naturaes, que de tal maneira faz suas presas, que juntamente as defende e que lhes não toque nenhum outro animal, por fero que seja! Ladrões há piores que estes animais, e são como eles os poderosos. Todos são como os leões; que não deixam que os outros animais se cevem na sua presa. Não admitir companhia no trato de que se pode tirar proveito, é ambição e é interesse, a que podemos dar o nome de furto.
Que quientodo loquiere todo lopierde.
Ofereceu-se o chimango à galinha para ser seu enfermeiro em uma doença e em cada visita lhe mamava um pinto pela calada, até que a galinha se deu fé, pela diminuição de sua família, que a mercê que lhe fazia o seu médico, tinha mais de furto que de misericórdia.
Dos que furtam com unhas reais.
Quando Alexandre Magno conquistava o mundo, repreendeu a um corsário por andar infestando os mares da Índia com seus dez navios. O corsário respondeu-lhe discreto: – Eu, quando muito, dou alcance e saco a um ou dois navios, se os acho desgarrado por esses mares; e vossa alteza com um exército de quarenta mil homens, vai levando a ferro e fogo toda a redondeza da terra, que também não é sua: Eu furto o que me é necessário, vossa alteza o que lhe é supérfluo. Diga-me agora, qual de nós é maior pirata, e qual merece melhor essa repreensão?

Dos que furtam com unhas temidas.
A Excelência é de todas as unhas a que deve ser mais temida, e tanto mais quanto mais fero é o animal que as maneia. Quem há que não teme as unhas de um tigre assanhado e as garras de um leão rompente? Até as de um gato teme qualquer homem de bem, por valente que seja, quanto mais as de um ladrão que escala o que mais alto se guarda, e o que muito mais se estima. Temidas, pois são todas as unhas militares, porque as acompanha a potência e a violência das armas fulminando favor. Contudo, armas ofensivas nas mãos de um pigmeu não as temem; e há soldados pigmeus que não passam de formigueiros; livre-nos Deus das que movem gigantes!

E assim são as suas unhas tão agigantadas, que nada lhes para adiante e por isso, com razão, todos as temem e tremem.
Toda unha que arranha, é aguda; e toda a unha que furta, arranha até o fundo do ser: logo todas as unhas que furtam são agudas. Bom está o argumento, e bem conclui o silogismo. Mas falo dessa agudeza pela sutileza com que alguns furtam, sem deixarem rasto, nem pegadas de que lhes pegue.
Unhas bentas parecerá coisa impossível, porque todas são malditas e peçonhentas, como as dos gatos. E entre tantas unhas não há dúvidas que há algumas bentas, não porque tirem almas do purgatório com perdão das contas bentas; mas porque lançadas as contas, laçando benções e apoiando virtudes, e chamando misericórdia e amores de Deus, purgam as bolsas que encontram.
A raposa, quando salteia um galinheiro faminta, ceva-se bem nos primeiros dois pares de galinha que mata: e como se vê farta degola as demais, e vai-lhes lambendo o sangue. São como as sanguessugas, que chupam até que arrebentam.
A máxima desta arte é que todo ladrão seja diligente e apressado, para que não o apanhem com o furto na mão.
Com tudo isso, há unhas que em serem vagarosas tiram o máximo de seu proveito: São como o fogo lento, que por isso mesmo se sente, e melhor se ateia.
Do áspide escrevem os naturaes que morde e mata com tamanha suavidade que não se sente; e por isso Cleópatra escolheu essa morte, enfadada da vida, pelo repúdio de Marco Antônio.
Tais são as unhas insensíveis. Tiram a vida aos reinos mais robustos, e esgotam a alma aos tesouros mais opulentos, com tamanha suavidade que não se sentem o dano, se não quando está tudo morto.
Ver o mal, antes que chegue, é grande bem para escapar dele: Mas o raio, que não se vê, a bala que não se enxerga senão quando vós sentis ferido, são males irremediáveis.
Mais unhas há; mas as que temos visto neste tratado, bastam para as conhecermos todas e para entendermos quão perniciosas e desarrazoadas são.

ADRIANO: A ESPERANÇA QUE VIROU DECEPÇÃO!

Desde segunda-feira a cidade está com tiroteios “em todas as esquinas”. É um exagero? Talvez, mas não para os moradores do Jardim Esperança, Manoel Corrêa, Jacaré, Boca do Mato, Estradinha e Rainha da Sucata.

O poder público, em todas as esferas, não consegue garantir o mínimo de segurança: de um lado, traficantes disputando espaços na periferia e aos poucos se aproximando do centro. De outro, as milícias cada vez mais fortes, ameaçando até mesmo o Estado Democrático de Direito.

Enquanto esse drama envolve a população desempregada e órfã dos serviços públicos essenciais, o prefeito parece viver no filme “Alice no país das maravilhas”.

Não transmite tranqüilidade, mas aquela inércia pegajosa, típica dos bocejos que contaminam todas as pessoas de um mesmo compartimento, enquanto a cozinha está pegando fogo.

Cabo Frio com todas as mazelas que conhecemos, está explodindo sem controle, enquanto a prefeitura se comporta como se nada estivesse acontecendo ao seu lado.

Não é de hoje, mas nunca a cidade chegou a este ponto de desmazelo onde nada funciona a contento.

Os “gurus da prefeitura” se consideram sabichões e, no entanto não tem a atitude republicana fundamental: separar o público do privado.

Que tal começar a aprender?