O RETRATO DE DORIAN GRAY?

Eleito como a oportunidade de encerrar o ciclo de Alair Corrêa e Marquinhos Mendes, na política cabofriense, Adriano Moreno se apresentou como médico jeitoso, atencioso, modesto, ao mesmo tempo, qualificado.

Vereador, foi eleito apoiando a candidatura de Alair Corrêa, e durante bom tempo permaneceu na bancada governista. A ruptura, ao menos formal, se deu quando a prefeitura de Alair se revelou um fracasso absoluto.

O fracasso do alairzismo deu ao então vereador, que dizia não ser político, a oportunidade ideal para se colocar no imaginário popular, como o homem capaz de derrubar da prefeitura os políticos tradicionais.

Seria o iniciar de uma “nova era”, nessa Cabo Frio tão castigada por anos e anos de desvios éticos e uso indiscriminado dos royalties do petróleo.

Ponto de partida para a construção de novas relações sociais e políticas, algo como “papel em branco” onde se escreveria uma nova história cheia de virtudes.

Esse pretenso retorno ao ‘naturalismo rousseauniano’, do homem bom, violentado e degenerado por uma sociedade impura, que o corrompe, quase sempre acaba se esborrachando na realidade, bem mais complexa do que parece.

Hoje, o “homem bom e puro”, talvez tomado pela ambição, decide que é preciso estabelecer relações com esse “mundo pecador” para aumentar a sua taxa de sobrevida política.

Existem saídas para tal aliança? Que tal uma passada pelo século XIX e ler Oscar Wilde, em “O Retrato de Dorian Gray”?

É uma boa pedida.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *