UMA QUESTÃO DE BITOLA

A hegemonia da tradição judaico-cristã e a licença poética permitem, em meio ao dilúvio, que o velho Noé e sua barba branca, acompanhado da família e seus inúmeros bichos, tenha sido observado navegando pela Laguna de Araruama, encapelada.

O dono da velha Arca, serpenteando ao longo do Canal do Itajuru, fruto da engenharia belga-francesa de Eugene Steveaux e Leger Palmer, em direção a antiga Boca da Barra.

O velho rabugento lambendo as águas da Praia do Forte, que os antigos teimam em chamar Praia da Barra, rumo ao Atlântico Sul, seguindo os pássaros lá pelas costas da África.

Muito antes da devastação da restinga e da ocupação urbana descontrolada, a água era pouca, mas boa. Longe desse tsunami de esgoto que contaminou o solo e torna imundas as águas da laguna, sem que os “gênios da lâmpada” tenham conseguido explicar a genial idéia do “tratamento a tempo seco”.

Afonsinho, o “numerólogo”, depois de 3 conhaques no Bar do Jair conceituou: “é uma questão de bitola”, fácil para o nosso matemático de plantão:

“O mesmo cano recebe o esgoto e a água pluvial. Quando chove e a chuva é torrencial, a bitola do cano não suporta. Misturado a água da chuva o esgoto inunda as águas da laguna. Com maré cheia, alaga a cidade também”.

Entendeu ou quer que psicografe?

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