O VOTO, DA RAZÃO A EMOÇÃO.

O processo eleitoral não obedece como muitos imaginam ao controle dos grandes analistas e pesquisadores do marketing político, chamados por alguns de gênios, bruxos etc.

Existe também o imponderável, um acontecimento qualquer, durante o período eleitoral, que muda completamente o curso da história. O novo rumo, em geral, foge ao controle dos estatísticos e matemáticos.

Dá aquele nó na cabeça dos analistas, cuja racionalidade não trabalhava com a possibilidade de mudança tão radical no planejamento estruturado há tempos. Existem exemplos palpáveis que transformam um “cavalo paraguaio” em vencedor.

Apesar de todas as tentativas de transformar o processo eleitoral numa equação matemática, com resultado pra lá de previsível, o acaso tem sido fundamental na história política brasileira. É só examinar as últimas décadas da república.

Os gurus e sabichões se perdem diante do brilho de uma atuação, de um carisma, que anula qualquer previsão dos “mestres”.

É por essas e outras que numa eleição o eleitor tem que se “apaixonar pelo candidato”, se emocionar com seu discurso e até cair em lágrimas por inflexões. Assim ele o escuta, abraça e faz do discurso do candidato, o seu. Assim, o voto cai na urna.

A razão estrutura, mas emoção ganha à eleição.

PEQUENAS DOSES

  • Os sucessivos cortes de energia nos prédios públicos de Cabo Frio estão se tornando corriqueiros, isto é, entrando na rotina da prefeitura. Pega muito mal para o governo. Quem manda apoiar a privatização de empresas públicas?
  • Dos prédios históricos em Cabo Frio apenas quatro apresentam boas condições: a Matriz Histórica de Nossa Senhora da Assunção, a Capela de Nossa Senhora da Guia e o Museu de Arte Religiosa e Tradicional. Os dois primeiros aos cuidados da Igreja Católica leia-se Padre Marcelo Chelles, o Mart, nas mãos do IBRAM e o Forte São Matheus (prefeitura).
  • Os prédios históricos administrados pela prefeitura estão em péssimas condições, o que não é privilégio da administração de Adriano Moreno. A Fazenda Campos Novos pode ruir a qualquer momento sem que a prefeitura mova uma palha.
  • Nazareth, servidora ícone da câmara municipal de Cabo Frio, garante que a aposentadoria só acontece depois que receber a Medalha Major Bellegard, a maior honraria concedida pelo legislativo.
  • Nesta nova fase do Blog do Totonho, Paulo Cotias, coordenador de história da Universidade Estácio de Sá escreve sobre Educação e Rafael Alvarenga voltou com a sua coluna ‘Contos, Crônicas e Poesias’. As próximas edições trarão novos autores para ampliar ainda mais a área de debate.
  • O empresário José Martins leia-se Restaurante do Zé, tem viajado seguidamente para fora da cidade. O “senadinho”, tradicional centro do noticiário político local, fica órfão. Até hoje ninguém sabe o resultado do papo extremamente reservado entre o empresário e o prefeito Adriano Moreno, que o Blog do Totonho flagrou há algumas semanas.
  • O ex-secretário de educação Cláudio Leitão, ontem, deu uma rápida passagem pelo Café per Tutti, mas falou pouco, o que é raro. Leitão disse que está tendo assessoria jurídica e logo que puder pretende fazer uma pequena viagem para descansar.
  • A manifestação em defesa da educação realizada na noite de ontem, em Cabo Frio, comparada ao fiasco do movimento bolsonarista, na Praia do Forte, revela o quanto à extrema direita está esvaziando na cidade. Os bolsonaristas são bons mesmo na manipulação de robôs.
  • A elite de Cabo Frio, desencantada com as asneiras do governo de Bolsonaro, tirou o pé do acelerador e abandonou a própria sorte os extremistas. Para diminuir o vexame dizem que na hora da urna se sensibilizaram e votaram no Novo. Acredite se quiser …..
  • À noite, na Rua Vitória, nas Palmeiras, o ex-prefeito José Bonifácio promove amplo debate, com o objetivo de discutir Cabo Frio e as perspectivas do município no próximo decênio.

O RETRATO DE DORIAN GRAY?

Eleito como a oportunidade de encerrar o ciclo de Alair Corrêa e Marquinhos Mendes, na política cabofriense, Adriano Moreno se apresentou como médico jeitoso, atencioso, modesto, ao mesmo tempo, qualificado.

Vereador, foi eleito apoiando a candidatura de Alair Corrêa, e durante bom tempo permaneceu na bancada governista. A ruptura, ao menos formal, se deu quando a prefeitura de Alair se revelou um fracasso absoluto.

O fracasso do alairzismo deu ao então vereador, que dizia não ser político, a oportunidade ideal para se colocar no imaginário popular, como o homem capaz de derrubar da prefeitura os políticos tradicionais.

Seria o iniciar de uma “nova era”, nessa Cabo Frio tão castigada por anos e anos de desvios éticos e uso indiscriminado dos royalties do petróleo.

Ponto de partida para a construção de novas relações sociais e políticas, algo como “papel em branco” onde se escreveria uma nova história cheia de virtudes.

Esse pretenso retorno ao ‘naturalismo rousseauniano’, do homem bom, violentado e degenerado por uma sociedade impura, que o corrompe, quase sempre acaba se esborrachando na realidade, bem mais complexa do que parece.

Hoje, o “homem bom e puro”, talvez tomado pela ambição, decide que é preciso estabelecer relações com esse “mundo pecador” para aumentar a sua taxa de sobrevida política.

Existem saídas para tal aliança? Que tal uma passada pelo século XIX e ler Oscar Wilde, em “O Retrato de Dorian Gray”?

É uma boa pedida.

PEQUENAS DOSES

  • Freqüentadores do Palácio Tiradentes e do histórico prédio da câmara municipal de Cabo Frio garantem que o acordo entre os grupos de Marquinhos Mendes e Adriano Moreno está acertado. Faltariam apenas alguns ajustes, inclusive convencer dois vereadores ressentidos, de longa data, com o ex-prefeito.
  • Como em política nada é muito fácil ou cai do céu, o ex-prefeito Marquinhos Mendes ainda vai penar durante boa parte do mês de junho. Depois, a tendência é o céu clarear, mas ele vai ter que esquecer 2020 e se concentrar em 2024.
  • Nota-se a mudança de postura de Adriano Moreno. A cara de “paisagem” não é mais a mesma. Busca passar a imagem de maior intervenção nos assuntos internos da prefeitura e preocupação com os rumos de seu governo.
  • O prefeito Adriano Moreno terá que andar em ritmo acelerado se quiser salvar politicamente o seu governo e sua própria imagem pública. Afinal de contas o seu mandato é “tampão”, isto é, o tempo é bem mais curto.
  • As evidentes e notórias tentativas de setores do governo Adriano desgastar a imagem pública de Cláudio Leitão não surtiram efeito e não enobrecem quem pratica. Essas manobras causam ainda mais dano a precária imagem administrativa, que o prefeito tenta salvar. Basta! Cabo Frio não merece nível tão rastaqüera de politicagem.
  • Independente do confronto de posições políticas e ideológicas, o ex-secretário de educação Cláudio Leitão, sai do governo e da crise, muito respeitado, inclusive por sua coragem. Leitão ainda não decidiu o seu rumo político e muito menos se será candidato a vereador, em 2020.
  • O ex-prefeito José Bonifácio caminha para consolidar sua posição de pré-candidato a prefeito de Cabo Frio. Esta semana, junto com a juventude do seu partido, transferiu seu título eleitoral para o município. O ex-prefeito está conversando com diferentes setores da política cabofriense e está disposto a gastar sola de sapato.
  • Apesar do fracasso da passeata de apoio a Bolsonaro, na Praia do Forte, a extrema direita pensa em lançar candidato a prefeito de Cabo Frio. Um dos participantes afirmou a esta coluna que o refluxo do bolsonarismo é apenas temporário. Segundo ele, após a reforma da previdência, tudo melhora.
  • Deu ruim: em Búzios, o poder judiciário demonstrou que não tem o menor respeito pela população. Mais uma vez trocou o prefeito: o desembargador Guaracy Vianna, novamente colocou André Granado para sentar na macia poltrona, do gabinete, no Palácio da Estrada da Usina.
  • A pergunta ao poder judiciário é a seguinte: como administrar a cidade em meio a essa bagunça de entra e sai prefeito? O grande prejudicado não é Henrique Gomes ou André Granado, mas a população, que sofre com o caos político e administrativo.

SER PEDRA

O gato precisou ser pedra. E não ter rabo, porque pedra não tem rabo. Então o gatoenrolou o que tinha de rabo, juntou tão compacto e imóvel, que o transformou em uma pedra pequena. O gato precisou não piscar. Precisou não ter olhos. E os transformou em duas pedras de quartzo verde. Precisou não lacrimejar. E o que escorria era o sereno que escorre decidido pelas pedras lisas até o chão. Precisou não ter garras. Assim foi que enfiou suas pontas finas até o sabugo na terra fria. Precisou não miar. Mesmo que outro gato, jovem e despreparado, chamasse atenção sem perceber a necessidade de ser pedra. Sequer ronronou. Porque agora ele era pedra e as pedras não miam, tampouco ronronam. Precisou suportar o avanço do sol matutino. E pouco a pouco se aquecer como se aquecem as pedras. E também não reclamar desse ou daquele lugar como não reclamam as pedras. E não procurar uma sombra fresca como não procuram as pedras. O gato tinha que ficar parado como ficam as pedras que não foram jogadas. Precisou deixar crescer o limo e não se enfastiar com as borboletas. Precisou deixar que uma folha da amoreira lhe caísse em cima e suportar a agonia de não retirá-la. Precisou sentir o vento quente e sujo de uma tarde que antecedia o temporal e não escovar o pelo com a língua. Porque as pedras permitem as folhas, não reprimem o vento sujo e não tem língua para escovar o corpo.

Tanta precisão! Mas o gato ia bem. Agora esperava que o filhote de canário caísse do ninho como uma pedra. Porque para ser pedra é preciso também não saber voar.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 28 de maio de 2019

Nota da redação: Ter o talento de Rafael, no Blog, é uma imensa alegria. Que bom!

SERÁ QUE TEM VERGONHA NA CARA?

O próximo político a sentar na cadeira de prefeito de Cabo Frio vai encontrar um quadro complexo, difícil de governar em tempo de aguda crise econômico-financeira, política e administrativa.

Os tempos áureos do tsunami de royalties sobre a cidade se foram. Restou uma prefeitura obesa, eticamente questionada, desacreditada junto à população e os investidores.

Após vinte e poucos anos do mais absoluto descontrole financeiro e administrativo, como se a prefeitura estive nas mãos com uma fábrica de dinheiro e ouro em pó, o município quebrou.

A prefeitura vive de “pires nas mãos” junto aos “witzels da vida”, tentando garantir um asfaltinho aqui, outro acolá para tapar os buracos, que quase impedem o trânsito nas ruas.

A cidade está tão caída, que sequer cuidou de sua principal praça, que após uma reforma ridícula, que tentou dar a ela piso de “shopping de subúrbio”, está imunda e quebrada. A Praça Porto Rocha foi tratada como coisa qualquer nos últimos anos.

Pois é, após tantos anos de domínio da “politicagem dos royalties” Cabo Frio não tem praça, não tem cemitério: não tem nada. Será que tem vergonha na cara?

PEQUENAS DOSES

O núcleo duro do Palácio Tiradentes ficou bastante satisfeito com a enfática defesa do seu governo feita pelo prefeito Adriano Moreno. O grupo acredita que a atuação do prefeito no Programa Sidnei Marinho representa um “divisor de águas” na administração.

A extrema direita, bem que se esforçou. Chamou gente de São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo e Cabo Frio e mesmo assim não conseguiu mais de 30 pessoas para uma rápida caminhada, que não durou meia hora, na orla da Praia do Forte. Recolheram as traquitanas, entraram nos carros e deram o fora.

Ninguém quis se misturar aos extremistas: empresários, profissionais liberais, líderes sindicais e religiosos. Todos caíram fora da tal passeata, envergonhados pelo fiasco que estavam representando. Nem mesmo o padre que fez gesto de armas na véspera da eleição deu as caras.

Há alguns anos, no auge da moda do “fio dental” um grupo religioso fez uma “passeata contra a indecência”, caminhando pela Avenida 13 de Novembro, em direção a Praia do Forte. Deu ruim: as adolescentes que participavam da passeata ficaram deslumbradas e trocaram a “asa delta” e os “maiôs” pelo “fio dental”.

A Prolagos anuncia que professores da UFF estão realizando estudos sobre a hidrodinâmica da Lagoa de Araruama. Sempre que a opinião pública alteia a voz contra a degradação da lagoa a concessionária apresenta alguma coisa para calar os críticos

A Prolagos adora dizer que cumpre o contrato e fornece água para quase toda a região. Não diz que não tem a mesma eficiência para tratar o esgoto (que é mais caro). Daí, o famigerado sistema de tratamento a tempo seco.

A crescente ocupação urbana desordenada, a inexistência de rede separadora para recebimento do esgoto fora do sistema de águas pluviais e o desastroso sistema de tratamento a tempo seco destroem a Lagoa de Araruama.

O problema de degradação da Lagoa de Araruama parece não sensibilizar a empresa e muito menos as autoridades enquanto se agrava, atingindo a população pobre e os pescadores da Praia do Siqueira.

Ao se estender, de maneira grave, a Praia do Forte, cartão postal de Cabo Frio, será que finalmente as autoridades e a sociedade se mobilizarão para conter a destruição da cidade?

Da mesma forma que no Nordeste existe a indústria da seca, na Região dos Lagos existe a indústria da poluição da Lagoa de Araruama. Muitos “técnicos” vivem de mil projetos para salvar a lagoa: estão nessa há anos. Política pública mesmo que é bom, nada!

A GANGUE DOS SONHOS

Nova York. Nos tumultuados anos 1920, a cidade é, para milhares de europeus, a epítome do “sonho americano”. E não é diferente para Cetta Luminita, uma italiana que, apesar de muito jovem, busca um lugar ao sol com seu filho Christmas. Numa metrópole em plena explosão, onde o rádio está nascendo e o cinema começa a falar, Christmas vai crescer entre gangues rivais, um ambiente de violência e pobreza, com sua imaginação e sua coragem como únicas armas para sobreviver. A esperança de uma nova existência nasce quando ele encontra a jovem, bela e rica Ruth.

Uma história vertiginosa e luminosa, magistralmente escrita, uma reflexão sobre a violência cometida contra as mulheres, sobre o racismo e a incomunicabilidade social, um romance sobre a infância roubada. A gangue dos sonhos queima com um ardor violento e redentor, e transporta o leitor para um mundo onde todos lutam para preservar sua integridade.

Um romance que se lê de uma só tacada, que se desenrola como um filme e no qual cada página é uma nova sequência.