CABO FRIO: COMO DIZ O POVÃO, TEM CANDIDATO A DAR NO PAU!

Densidade eleitoral ou capacidade de aglutinação?

Alguns analistas dizem que o vereador Jefferson Vidal, ligado ao ex-prefeito Marquinhos Mendes é dos candidatos do grupo aquele de maior densidade eleitoral, porque teria grande influência na área da saúde. Resta saber se o vereador tem também maior capacidade de aglutinação, o que é essencial numa eleição majoritária.

Aquiles e o seu calcanhar.

Alguns vereadores, Jefferson Vidal não é diferente, ao contrário, dependem do “agasalhamento” disponível na máquina administrativa. Essa realidade, se de um lado os fortalece nas eleições proporcionais, quando se trata de eleição majoritária, se torna “calcanhar de “Aquiles”, no sentido grego da expressão.

Cenário eleitoral.

O cenário eleitoral para 2020 a princípio projeta três candidatos conservadores: dois, com forte característica de ultra-direita, e um da chamada direita civilizada. No campo progressista: dois de perfil social democrata e um de cunho mais radical. É um cenário primário, que tende a afunilar. É possível que, no “frigir dos ovos” sobrem apenas dois candidatos.

Apressadinho.

O vereador Aquiles Barreto está mesmo querendo recuperar o tempo perdido nas articulações políticas para a eleição majoritária de 2020. O ex-presidente da câmara, faz auto-propaganda em textos patrocinados, no Facebook: segundo alguns observadores da política municipal, Aquiles está querendo “furar fila”.

Prioridade invertida.

Finalmente, os aposentados e pensionistas conseguiram receber seus salários, com grande e inaceitável atraso. Afinal, a Lei determina prioridade, mas o governo parece deixar claro, que não quer encrenca com a Comsercaf e a Guarda Municipal, que recebem primeiro. É a chamada prioridade invertida.

A Praça Porto Rocha sofre.

Por falar em Guarda Municipal, a degradação da Praça Porto Rocha continua a “todo vapor”, ou melhor, a “passos largos”, sob os olhares complacentes dos guardas municipais, que, não tomam qualquer providência vendo o que resta do patrimônio público sendo destruído todos os dias.

Em Búzios, Henrique não resistiu e elogiou Mirinho.

O ‘imbróglio’, envolvendo o judiciário e as figuras políticas de André Granado e Henrique Gomes continua infernizando o município de Búzios. Na inauguração de uma mini-agência do Banco do Brasil, na Rasa, Henrique Gomes percebeu a presença do ex-prefeito Mirinho Braga entre os presentes e não poupou elogios. Nota: André Granado também esteve na inauguração.

Oficina de capacitação no MART.

A oficina de capacitação para o Edital de culturas populares, realizada no dia 14, quarta-feira, no MART (Museu de Arte Religiosa e Tradicional) foi um sucesso. O produtor cultural Juninho Nogueira esteve à frente da oficina. Neste ano de 2019 o Edital homenageia o compositor e cantor gaúcho, Teixeirinha: mais popular impossível.

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EM IGUABA?

O ex-vereador e empresário Gustavo Beranger (para os antigos, Tatonho), desaparecido da política cabofriense, esteve em visita a Iguaba Grande, mais precisamente participando de evento promovido pelo prefeito Vantoil Martins, em Sapeatiba Mirim. Na foto, esta sem touca, o empresário é o 2º da esquerda para a direita. Em tempo: o cunhado de Gustavo, Paulo César é o novo secretário de fazenda de Iguaba.

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NO QUARTO DA VALDIRENE de Fernando Sabino.

Mal ele entrou em casa, a mulher o tomou pelas mãos, ansiosa:

– Estava aflita para você chegar.

E sussurrou, apontando dramaticamente para os lados da cozinha:

– Tem um homem no quarto da Valdirene.

Sacudiu a cabeça com irritação:

– Desde o primeiro dia eu achei que essa menina não era boa coisa. Ela nunca me enganou.

Valdirene, a jovem empregada, uma mulata de olhos grandes, não faria feio num palco.

– Como e que você sabe? – perguntou ele, para ganhar tempo. Não partilhava da opinião da mulher: desde o primeiro dia achou que a Valdirene era ótima.

– Sei porque vi. Escutei um ruído qualquer ai fora no corredor, olhei pelo olho mágico, e vi quando ela punha ele para dentro pela porta de serviço.

– Ele quem?

– O homem. Não sei quem é, só sei que é um homem. Deve ser o namorado dela, ou o amante, tanto faz. O certo e que os dois estão trancados lá no quarto faz um tempão.

– Vai ver que já saiu.

– Não saiu não, que eu não sou boba, fiquei de olho. Esta lá dentro com ela até agora.

– E o que e que você quer que eu faça?

– Quero que bote ele pra fora, essa e boa.

– Por quê?

Ela botou as mãos na cintura:

– Por quê? Você ainda pergunta por que? Então tem cabimento a gente deixar que a empregada receba homens no quarto dela? O que e que essa menina está pensando que minha casa é? Um motel? Se você não for lá, eu mesma vou.

– Espera ai, vamos com calma, mulher. Você tem razão, mas deixa a gente raciocinar um pouco. Não podemos é perder a cabeça. Pode ser perigoso. Como é que ele é?

– Não cheguei a ver direito. Só vi que era um homem. Para mim, basta.

– Não posso ir lá no quarto dela sem mais nem menos. Quem sabe é algum parente? Um irmão, talvez…

– Um irmão, talvez… Você tem cada uma! Pior ainda: que é que um irmão tem de ficar fazendo trancado no quarto com a irmã como eles dois estão? Você tem de pôr esse homem pra fora.

– E se estiver armado? Ele pode muito bem estar armado.

– Já que você está com medo…

– Não estou com medo. Só que temos de agir com calma. Vamos ver como a gente sai dessa. Deixa comigo.

Ele respirou fundo e se meteu pela cozinha, ganhou a área de serviço, ficou à escuta. Nada, tudo quieto e às escuras no quarto da Valdirene. Bateu de leve na porta:

– Valdirene.

Via-se pelas frestas da veneziana na própria porta que o quarto continuava no escuro. Ele bateu de novo:

– Valdirene, está me ouvindo? Valdirene!

Escutou alguém se mexendo lá dentro e a voz estremunhada da moça:

– Senhor?

– Tem alguém com você ai dentro, Valdirene?

– Tem não senhor.

– Abra um instante, por favor.

Em pouco ela abria a porta, furtivamente, e o encarava sem piscar. Vestia um baby-doll pequenino e transparente que, sob a luz mortiça vinda da área, deixava quase todo seu corpo à mostra.

– Acenda essa luz, minha filha.

Mais para vê-la melhor do que para olhar o quarto, pois mesmo no escuro podia-se verificar que ali dentro não havia mais ninguém. Luz acesa, ela se protegia discretamente com os braços, enquanto ele dava uma olhada rápida por cima do seu ombro:

– Tudo bem. Desculpe o incômodo. Boa noite.

Voltou para a sala, onde a mulher o aguardava, tensa de expectativa. – E então?

– Não tem ninguém.

– Como não tem ninguém? Pois se eu vi o homem entrando!

– Se viu entrando, não viu saindo. O certo é que não tem ninguém no quarto da Valdirene, além dela própria. Vamos dormir.

– Como é que eu posso ir dormir sabendo que tem um estranho dentro de casa? Você vai voltar lá e olhar direito.

– Eu olhei direito. Se não acredita, vai lá e olha você.

– Quem e o homem nesta casa? Se você não for olhar eu não fico aqui dentro nem mais um minuto. Vou direto à polícia.

Ele ergueu os braços e os deixou cair, com um suspiro resignado:

– Essa mulher, meu Deus. Agora é você que está com medo. Direto à polícia. Como se fosse um crime… Tudo bem, eu vou lá olhar direito.

Voltou a bater na porta da empregada:

– Valdirene.

Desta vez ela respondeu logo:

– Senhor?

– Abra ai um instante, por favor.

– Sim senhor.

Ela abriu e foi logo acendendo a luz. Estimulado pela nova oportunidade de vê-la tão de perto, ele perdeu a cerimônia e entrou no quarto. Sempre de olho nela e ouvido atento à mulher lá na sala. Ali dentro só cabia a cama e o armariozinho com uma cortina, atrás da qual ninguém poderia se esconder. Ainda assim ergueu o pano para se certificar. Satisfeito, voltou-se para a moça que, ao sentir seus olhos tão próximos, abaixara modestamente os dela:

– Desculpe, minha filha. É que minha mulher, você sabe, quando ela cisma uma coisa… Mas pode dormir sossegada. Boa noite.

Na sala, a mulher voltou a questioná-lo:

– Você olhou direito desta vez?

– Não há como olhar errado. Um quarto deste tamaninho! Olhei o que tinha para olhar: a Valdirene e a cama.

– A Valdirene e a cama? O que você quer dizer com isso?

– Não quero dizer coisa nenhuma. É que ali dentro não cabe mais nada além da Valdirene e da cama.

– Não é isso que parece estar insinuando, com essa sua cara.

– Que é que tem minha cara? Você é que insinuou que tinha um homem lá dentro, não fui eu. Não me admiraria nada. Mas acontece que não tem. Só faltou olhar debaixo da cama.

– Não admiraria nada – ela o imitou, com um trejeito. E ordenou, braço estendido:

– Pois então vai olhar debaixo da cama.

– Essa não! – relutou ele: – Já disse que não cabe ninguém…

Mas acabou indo. Pobre da menina, de novo importunada:

– Me desculpe, Valdirene, mas é preciso que você abra aí outra vez. ‘

Ela acendeu a luz, abriu a porta e deu-lhe passagem. Seus olhos o acompanharam impassíveis, quando ele entrou e se agachou para olhar debaixo da cama. De quatro, sentindo-se ridículo naquela postura, ele baixou a cabeça até que a ponta do queixo tocasse o chão, e enfiou-a sob o estrado. Seu nariz esbarrou de cheio em algo branco e macio – era nada menos que o traseiro de um homem.

– Oi – assustou-se, recuando.

– Oi – fez o homem, como um eco, encolhendo-se ainda mais.

Ele se ergueu. perturbado, limpou a garganta, procurando dar firmeza à voz:

– O senhor tem um minuto pra sair deste quarto.

Um último olhar para Valdirene, como a dizer que sentia muito mas não podia deixar de cumprir o seu dever, e foi ter com a mulher na sala:

– Tinha sim. Tinha um homem debaixo da cama. Está satisfeita?

– Eu não disse? E o que é que você fez?

– Mandei que ele se pusesse pra fora. É o tempo de se vestir.

– Meu Deus, ele estava nu?

– Que é que você queria? Não sei é como ele pôde caber lá debaixo. Imagino o susto dele. E o da Valdirene, coitadinha.

No dia seguinte, mal amanheceu, ela despedia a Valdirene, coitadinha.

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2020 TOMA CONTA DOS BASTIDORES DA POLÍTICA DE CABO FRIO.

Bolsonarismo sem Frota?

O bolsonarismo sinaliza para a eleição de 2020, embora tenha tido votação inexpressiva, no município, no último pleito e enfrente esvaziamento e rejeição em nível nacional: até Alexandre Frota pulou do barco.

Aliança com o PSC.

Em Cabo Frio, o PSL, bolsonarista e reacionário por excelência tenta criar raízes e formatar a aliança com o PSC. Caso não funcione e a maré de ultra-direita “morra na praia” a tendência é mais uma migração oportunista para a legenda da moda.

Aquiles: com o pé no acelerador.

O vereador Aquiles Barreto, que andava bastante recolhido, entrou com o pé no acelerador, no processo pré-eleitoral: tem até “comitê” montado. Segundo o “Analista de Bagé”, que retornou ao café após longa temporada o “menino” quer tornar sua candidatura irreversível para o grupo de Marquinhos Mendes.

A secretaria de educação faz mágica.

Como as nuvens do céu a política pode mudar com velocidade. Há alguns meses a cidade comentava que Aquiles Barreto havia se desinteressado da política, não seria candidato a reeleição e que estava de malas arrumadas para Portugal. Bastou o grupo de Marquinhos Mendes reassumir o controle político da secretaria de educação, que o “ânimo” do “menino” mudou.

As conseqüências da exoneração da dupla Leitão/Alvarenga.

A exoneração da dupla Cláudio Leitão e Denize Alvarenga da secretaria de educação e a ascensão política do grupo vinculado ao ex-prefeito Marquinhos Mendes reabriu o espaço político de Aquiles Barreto e outros vereadores, todos ansiosos por criarem currais de votos para a reeleição

O “Clã Barreto”

Atualmente a secretaria é ocupada por Márcia Almeida, especialista na área de informática. A professora é uma técnica e não faz da política a sua praia. Sob o ponto de vista político é grande a influência do “Clã Barreto”, que tem na professora Laura Barreto (mãe de Aquiles) seu nome mais expressivo e que em outros tempos ocupou o cargo.

Alessandro Teixeira

Não se pode menosprezar possível ascensão do secretário de educação de São Pedro da Aldeia, Alessandro Teixeira, também ligado ao “Clã Barreto”. Alessandro também tem um pé na secretaria e pode vir a ser o futuro secretário, mas tudo depende da consolidação ou não dos acordos com a outra dupla: Adriano Moreno e Antônio Carlos Vieira.

O padrinho!

O padrinho de toda essa movimentação é o ex-prefeito Marquinhos Mendes, que jura contar com algum “livramento”, que possa permitir sua candidatura a prefeito de Cabo Frio, em 2020. Concretamente, tenta manter sua força política, impedindo a dispersão do grupo com quem governou durante todo o tempo. Apesar de todas as dificuldades na justiça, o ex-prefeito teima em não desistir do processo eleitoral.

O Tertius

Atento a todo esse ‘imbróglio’, o presidente da câmara, Luis Geraldo Azevedo, dá algumas declarações dizendo que não quer. Fala que se adaptou ao legislativo, mas observa para decidir no futuro. O ano de 2020, as pesquisas qualitativas e quantitativas, os apoios que receber é que vão nortear o destino político do presidente da câmara.

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RECUSA – Manoel Justino.

Este será o tempo
de se estabelecer, que além da dor,
todos procurem o abraço
que dilacere do peito,
a recusa aos que, querem ainda ditar na força
mais uma vez,
o terror contra os atos livres…

Reinventemos o expressar
que impeça de novo, o despertar,
com olhares desaparecidos
em solo, do viver de todos…

Nossas canções,
vão ecoar de novo.

Aparta-te de nós, e
a tua farda pendurada no cabide do passado,
cale tua voz desajeitada
mas,
possuida do mesmo viés de tirania…

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MAR REVOLTO!

Mar revolto!

O mundo político cabofriense está de olho em 2020, sob a aparente calmaria, o mar está especialmente revolto. A ultra-direita bolsonarista está dividida: parte sob as asas do governo municipal e o outro grupo na rebarba do gabinete do líder do PSL, na Alerj. As pesquisas de opinião pública é que vão definir qual dos dois grupos tem real chance eleitoral.

Estilos diferentes.

O grupo do PSL é fiel ao estilo do ex-vereador Alfredo Gonçalves e atropela possíveis aliados, cavando seu isolamento político. A turma do governo optou pela cooptação de muita gente ligada ao ex-prefeito Marquinhos Mendes. Não é por acaso que o Diário da Costa do Sol o “diário oficial” anda com suas páginas bastante recheadas das mais variadas “portarias”.

Progressistas: semelhanças e diferenças.

Os progressistas trabalham duro para recuperar o espaço perdido na última eleição, mas diferem quanto à questão do bolsonarismo. A corrente histórica trabalha contra e acredita na desidratação da ultra-direita bolsonarista para crescer e se consolidar. A outra acredita que a direita cabofriense guarda muita força e quer aprofundar o diálogo e aliança com esses setores. Ambas acompanham e observam o fracasso político e administrativo do governo municipal. As duas candidaturas, entretanto, sob o ponto de vista ideológico são semelhantes, basicamente social-democratas.

“Batata quente”

Blindaram o ex-secretário de fazenda Antônio Carlos Vieira, colocando-o junto ao prefeito Adriano Moreno e deixaram a “batata quente” das negociações com fornecedores e sindicatos nas mãos de Clésio Guimarães. Até quando o professor e empresário estará disposto a desgastar sua imagem? Como ele mesmo disse, a razão diz pra ficar e o coração torce para voltar pra casa e gozar a vida com a família.

Com a corda no pescoço.

Todos os planos, que são muitos, de diminuição da rejeição do governo caem por terra com os seguidos atrasos de salários dos servidores, em especial os aposentados e pensionistas do Ibascaf. Os comerciantes estão com a “corda no pescoço”, com a retração econômica acirrada pelo atraso no pagamento do funcionalismo municipal.

Melhorando a imagem?

A pintura da sinalização de trânsito nas ruas do centro, a caiação dos meios-fios, a farta distribuição de portarias (basta ler o “diário oficial”) e a recomposição da profunda amizade com boa parte da mídia local, fazem parte do conjunto de medidas para melhorar a imagem da turma do Palácio Tiradentes. Será o suficiente para diminuir o impacto dos constantes atrasos no pagamento dos salários dos servidores?

Adriano, puxadinho do Clã Maia.

A entrada de Adriano Moreno no Democratas não melhora sua imagem pública no município, ao contrário, mostra seguir a mesma cartilha de outros políticos, que em governos anteriores se associaram ao governo de Sérgio Cabral Filho. Para quem fez o discurso da “nova política” se agregar ao antigo PFL e ao “Clã Maia” é desastre na certa.

Governo imita Alair e Marquinhos.

Bem que a comunicação social e alguns secretários tentam, mas encontrar pauta de boas notícias está ficando complicado. O “namoro” com a mídia local, seguindo exemplo de Alair e Marquinhos, não tem funcionado, porque a pauta ruim se sobrepõe diariamente as tentativas de “dourar a pílula”. Mesmo os homens de mídia mais conservadores e benevolentes se rendem a inércia e incompetência do governo.

Na salada é que está a graça.

No final de tarde da quarta-feira a Cafeteria Pertutti reuniu a maior roda de conversa da semana, coordenada pelo professor José Américo Trindade (Babade). Entre gozações e muita história do folclore político cabofriense por lá passaram Richard Samerson, Juninho Nogueira, Radamés Muniz, Kiko de Timinho, Aroldo Póvoas, Wilmar Monteiro, Duca Monteiro, João Sérgio, Eloisa Trindade, Ronald dos Santos e mais gente que aqui não cabe. Verdadeira salada política e ideológica.

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SE A AMENDOEIRA FALASSE

Quando os condôminos chegaram para a reunião à árvore de nada desconfiou. Foi hospitaleira fazendo sombra e esforçando-se para que nenhuma folha caísse sobre a ata de assuntos emergenciais. Vã gentileza! Percebeu ouvindo a síndica anunciar a pauta: o corte da árvore.

Falou da calçada quebrada pelas raízes, do chão sujo pelas folhas; argumentou que amendoeira não dá flores, tampouco frutos! E esses ventos podem jogar um galho sobre os carros, disse um proprietário. Vamos cortar. A árvore ouvia tudo petrificada.

Naquele dia ela chorou uma resina cor de ferrugem e seus galhos arriaram até a cintura do tronco. Trinta anos ali e o afeto não havia brotado no coração daquela gente! Foi uma noite difícil. O vento nordeste preocupou-se com a velha amiga, mas não podia parar de repente nessa época. Ela teve vontade de puxar as raízes como uma senhora que puxa as saias e sair andando.

Contudo mudou de ideia. No dia seguinte pôs em prática um plano no qual investiria toda sua clorofila. Afundou as raízes na terra e o concreto da calçada ficou no prumo. Desacelerou a fotossíntese e as folhas duraram mais.

Sabia que sua execução estava próxima e por isso buscava comover os moradores. Numa manhã de agosto a amendoeira acordou florida! Se o homem voa, porque as amendoeiras não podem florir? Até a síndica fotografou e ligou para um especialista. Que sucesso!  

À tarde, deu ao mundo frutos maduros e suculentos. Porém o especialista advertiu: Cuidado! Não comam, pois ainda não os conhecemos.  As mães ordenaram que as crianças largassem os frutos no chão, o morador do 114 reclamou que cairiam sobre os carros e o do 201 afirmou que atrairiam morcegos. Que desastre!

Sorte do condomínio a amendoeira ainda não saber falar, porque palavrão todos aprendem muito rápido.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio 12 de agosto de 2019

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