PARQUE MUNICIPAL DA FONTE DO ITAJURU

Foto: Evangelos Pagalidis

Na Praia do Siqueira …

Hoje, sexta-feira, 22 é o último dia de inscrição para o 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental. É uma ótima oportunidade para o debate sobre o sistema de tratamento de esgotos a tempo seco, desenvolvido pela concessionária. Algum jornalista, morador da Praia do Siqueira? Dava até tese de mestrado.

Sobrecarga de trabalho

O prefeito José Bonifácio tem chamado pra ele mesmo a solução de questões políticas do seu governo. O problema é que essas questões quando chegam ao prefeito estão em grande proporção: podiam, evidentemente, ter sido aplainadas ou mesmo resolvidas em outras etapas do entendimento político. A sobrecarga de trabalho para o prefeito é grande.

O que falta?

É preciso que as secretarias do governo de José Bonifácio vinculadas diretamente ao processo político comecem a levantar do berço esplêndido. O governo que não tem um ano de exercício do mandato tem dificuldades com o legislativo. O que está faltando no diálogo entre o prefeito, seu secretariado e os vereadores?

Bagunça!

A impressão que dá é que, com exceção dos produtores rurais de Cabo Frio, a turma está bem satisfeita com a zona em que se transformou a feira aos domingos. Aquele amontoado pode ser tudo, menos um mercado, que beneficia o produtor rural do município. Uma pergunta inocente: tem gente ganhando com aquela bagunça?

Punição exemplar

Na medida em que as investigações do Ministério Público e da Polícia Federal vão se aprofundando, o escândalo das “Pirâmides de Gizé” vai crescendo e revelando a face de muita gente. A população pobre, esperançosa de melhorar a qualidade de vida, perdeu anos de muito trabalho e poupança. Os responsáveis devem ser exemplarmente punidos.

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Uma senhora

Marques Rebelo

Dona Quinota não se importava com a aspereza do ano inteiro. Com ela era ali no duro – trabalho, trabalho e mais trabalho. O ordenado das empregadas, na verdade, era uma pouca-vergonha que a polícia devia pôr um paradeiro. Não punha. Vivia metida com a maldita da política. Falta duma boa revolução!… Ah, se ela fosse homem!…

Enquanto a revolução não vinha para botar tudo nos eixos, obrigando-a a endireitar as empregadas, fazia de criada – cozinhava, varria, cosia. Encerava a casa também, aos sábados, depois que disseram pelo rádio ser higiénico e muito econômico.

– Econômico? Então se encera mesmo.

O marido, que já estava acostumado àquelas resoluções, largou no melhor pedaço o segundo volume de Os Miseráveis, meteu sobre o pijama a gabardine cheirando a gasolina na gola e foi telefonar para a loja de ferragens, pedindo duas latas de cera- da boa, vê lá! – chorando um abatimentozinho na escova e na palha de aço: está ouvindo, Seu Fernandes?

Estava sempre para tudo que, graças a Deus, era mulher forte. Saíra à mãe, que também o fora, morrendo velha de desastre, desastre doméstico, uma chaleira de água fervendo para o escalda-pé do marido, um coronel reformado, que lhe virou por cima do corpo.

Nunca se queixava da vida. Não ia à cidade passear, as suas compras eram em regra feitas pelo marido, precisava que a fita fosse muito falada para ela se abalar até ao cinema do bairro, onde cochilava a bom cochilar; contavam-se os domingos em que ia à missa, não fazia visitas, nem recebia. Não reclamava o trabalho que lhe davam os filhos, três desmazelados que andavam na escola pública, Elcio, Ëlcia e Elcina, respectivamente quinze, quatorze e treze anos, o que atesta bem a força do marido e dá idéia o que seria depois de dez anos de casada, se depois da Elcina não tomasse as devidas precauções.

– Não se esqueçam de dar lembranças à Dona Margarida – aconselhava na hora da saída, enquanto punha nas bolsas as bananas e o pão com manteiga da merenda. Dona Margarida fora sua amiga no colégio das Irmãs, uma bicha no francês, cearense, um talento! Mandar lembranças para ela equivalia a dizer: Olha que são meus filhos, Margarida; os filhos da tua amiga Quinota…

E os exames estavam perto, com prêmios de cadernetas da Caixa Econômica dados pelo prefeito, ridicularizados pelos jornais oposicionistas, elogiados pelos do governo – a Folha dizia que era um gesto de Mecenas mas enfim fartamente anunciados em todos os jornais para incentivo da meninada estudiosa. Ela queria ser mordida por um macaco se não arranjasse três cadernetas para casa. Os filhos é que não faziam fé.

Bordava para fora, cuidava do Joli, o bichano para sujar a casa era um desespero, e sobrava tempo ainda para ter ciúmes do marido com as vizinhas, principalmente Dona Consuelo, uma descarada, é certo, mas muito chique, confessava.

Chegando o carnaval, tirava a forra.

As economias acumuladas saíam do Banco Popular juntas com os juros. Não ficava nada. Metia-se numa fantasia de baiana e inundava a capota do automóvel com seus oitenta e cinco quilos honestíssimos. As meninas iam de baianas também, menos saias, mais berloques, e o menino de pierrô, cada ano de uma cor, porque não é para outra coisa que o dono do Tinto! gasta aquele dinheirão em anúncios. Tirava do cabide a casaca do casamento, dezesseis anos por isso (como o tempo corre!), dava um jeito nas manchas:

– No automóvel, ninguém repara, meu filho – dizia com um sorriso, ora para a casaca, ora para o marido, que se traduzia: lembras-te?

Ele, então, com uma faixa vermelha na cintura, brincos em forma de argola, pendentes das orelhas demasiadas, enfiava na cabeça um turbante de seda branca com pérolas em profusão, e ia em pé, no carro, de rajá diplomata.

No terceiro dia, graças a Deus não choveu em nenhum dos três, perguntava para o marido:

– Quanto temos ainda?

Ele remexia a carteira (bolso de casaca é o tipo da coisa encrencada!), fura-bolos trabalhava passado na língua, e cantava a quantia:

– Duzentos e oitenta.

– E os oitocentos do automóvel?

– Já estão fora.

– Ah! Bem…

– Para fazer contas no ar era um assombro: … pode gastar mais cento e cinqüenta.

O resto ficava para gastar depois do carnaval – mas entrava na verba dele – com o fígado do marido, porque depois da pândega (a experiência de Dona Quinota é que falava) Seu Juca tinha rebordosas, vômitos biliosos, uma dor do lado danada, de tanta canseira, tanta serpentina e tanta cerveja gelada.

Não faz mal. Não fazia não. A vida era aquilo mesmo: três dias – falava. Mas pensava: por ano. Podia dizer, mas não dizia. Deixava ficar lá dentro. O “lá dentro” de Dona Quinota era uma coisa complicada, complícadíssima, que ninguém compreendia. Só ela mesma e o marido, às vezes.

Desciam do automóvel à porta de casa, quando o vizinho veio vindo com o rancho da filharada. – Brincaram muito?

– fez Seu Adalberto, com um jeito de despeitado.

– Assim, assim… Dona Quinota dizia aquele “assim-assim” de propósito. Que lhe importava os outros saberem se ela tinha gozado ou não? Quem gozava era ela. Mas gostava de ficar deliciando-se por dentro com a inveja dos vizinhos: assim, assim… Ah! Ah!

Ah! Seu Adalberto exultava:

– E isso mesmo. Faz-se despesas enormes (e Dona Quinota sorria) e não se diverte nada. (Dona Quinota olhava para o céu.) É sempre assim. Pois olhe: nós fomos a pé mesmo. Estivemos ali na Avenida na esquina do Derbi, apreciamos o baile do Clube Naval, muita fantasia rica, muita, vimos perfeitamente as sociedades, tomamos refrescos, brincamos à grande. Não foi? As mocinhas fizeram que sim, humilhadas, mas os guris foram sinceros:

– Aquele carro do girassol que rodava, hem, papai!

Seu Adalberto corrigiu logo: – Girassol, não, Artur; crisântemo.

Depois que corrigiu, ficou azul, sem saber ao certo se era crisântemo ou crisantemo – quer ver que eu disse besteira?

Seu Juca não havia meio de encontrar o raio da chave. Esses bolsos de casaca!…

– O ano que vem – Dona Quinota falou firme – nós iremos também a pé.

O marido até se virou. Ficou olhando, espantado. Que diabo é isto? – ia perguntando. Por um triz que não perguntou. Mas ficou assim… Compreendeu? Parece… Esta Quinota!…

Foi quando Seu Adalberto, evidentemente mortificado, se refez e sentenciou como experiente na matéria, apesar de nunca ter entrado num automóvel pelo carnaval: é melhor mesmo.

A tribo sumiu pela porta do 37. A maçaneta fechou por dentro. Torreco, torreco. Agora foi a chave – duas voltas. O pigarro do seu Adalberto, ainda com o acento do crisântemo a fuzilar-lhe na cabeça, veio até cá fora se misturar com um resto de choro, pandeiro e chocalhos, do bonde que passava mais longe. Passos apressados no fundo da rua. O burro do inglês estava na janela do apartamento fumando para a lua. Dona Quinota ficou olhando-o um pouco, depois cerrou a porta bem e fixou o marido que dava por falta dum brinco: Que cretinos!

Seu Juca parou no meio do corredor, cara de ressaca, pernas abertas, o turbante nas mãos e esperou mais. Mas Dona Quinota era hermética. O resto ficou lá dentro onde ninguém ia buscar, porque o marido, o único interessado na ocasião, mais morto do que vivo, preferiu tirar o colarinho e a casaca. Dona Quinota atirou-se na cama escangalhada e feliz, só acordando na quarta-feira de cinzas ao meio-dia.

Quando o resto da família se levantou, o almoço (feito por ela) já estava na mesa, e Dona Quinota se desesperava porque tinha lido no Jornal do Brasil que foram os Fenianos que pegaram o primeiro prêmio, quando todo mundo viu perfeitamente que só o carro-chefe dos Democráticos…

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Classificados literários

Vendo caixa de ferramentas. Já está usada e abatida, mas reúne em cada canto sujo do fundo, e também da tampa, as histórias delirantes das tantas coisas que não consegui consertar. Quem comprar, levará de lambuja todo o conteúdo da mesma. Previno aos interessados que o jogo de chaves de boca está visivelmente desfalcado. Mas posso compensar tal decepção com chaves de fenda de tamanhos diferentes, embora uma delas tenha sofrido um acidente doméstico, ao ter seu punho de plástico absolutamente mordido por um cachorro que tive, cujo porte robusto se escondia atrás do nome meigo: Totó!

O interessado, ao adquirir a referida caixa, levará ainda um pesado alicate de cabo amarelo, desses que se deve tomar cuidado para que não caia sobre o dedão. Há, além disso, um rolo de fita veda rosca e outro de fita isolante. Esses que junto do lápis de carcaça esverdeada e ponta desapontada, tem serventia para as mais diversas artes, ofícios e traquinagens. Para tanto basta haver necessidade ou imaginação.

Mas a menina dos olhos da caixa de ferramentas que agora coloco a venda, é o par de luvas de couro cujo tom de cavalo baio encerado atiça uma curiosidade alegre. Quantas vezes calcei essas luvas e senti que dali a pouco poderia sair para salvar a humanidade! Entretanto, logo descobria que teria amplamente mais sucesso se descalçasse-as e pusesse logo o prego no lugar necessitado.

Existencialismos filosóficos a parte, confesso que como a caixa é objeto de profundo valor sentimental ainda não firmei preço. Afinal, nessa vida, quanto vale por um prego no lugar ou uma tomada para funcionar?

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 21 de outubro de 2021.

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DERROTA NA CÂMARA

Derrota na Câmara

O governo sofreu mais uma derrota na Câmara. Os vereadores impediram a concretização de uma parceria público/privada para resolver o impasse sobre o Mercado Sebastião Lan, cujo prédio está interditado há três anos. A feira acontece, de maneira improvisada, nos seus arredores. 

Como fica o Mercado Sebastião Lan?

O governo diz que não tem dinheiro para recuperar o prédio interditado (pode desabar) no governo passado e que a solução seria uma parceria público-privada, com a cessão da área por tempo determinado. Com a decisão da Câmara a tendência é a feira se manter de maneira improvisada como acontece há alguns anos. A quem interessa o impasse? Certamente não interessa ao produtor rural.

Perguntas que estão sem respostas

O governo precisa decidir o que fazer em sua relação com o legislativo. Algumas questões têm que ser respondidas: o que querem os vereadores, que continuam impondo algumas derrotas ao governo? Quais as falhas na condução das conversas, que estão impedindo uma melhor relação entre o executivo e o legislativo? Quais são esses obstáculos e como contorná-los?

Como explicar?

Como explicar que o governo, ao contrário dos três imediatamente anteriores, coloque os salários dos servidores públicos absolutamente em dia e mesmo assim tenha problemas de aceitação junto a esses trabalhadores? A princípio deveria ser festejado, mas não é isso que acontece. Quais são os problemas que interferem nessa relação com o servidor?

A comunicação

No mundo contemporâneo a comunicação do governo não pode ser tratada como um apêndice tecnicista, mero porta voz das realizações da administração. A ela tem que ser reconhecido espaço e peso político para participação no debate interno. É do extrato desse debate que a comunicação poderá expressar com clareza os objetivos governamentais para os diferentes setores da sociedade.

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UMA BOA CAMINHADA (1ª. VERSÃO) 

José Correia Baptista 

 – Essa cruz pesa muito, não é amigo?

– É verdade! Muito.

– E você a carrega todo o dia.

– Todo o santo dia.

– Vamos começar a mudar?

– Tem jeito?

– Claro!

– Já posso largá-la?

– Vamos devagar. A cruz já faz parte do seu ser. A cruz precisa de você. Você não vive sem a cruz.

– Já está me enrolando.

– Falo somente a verdade.

– Está certo. Cumpra então a sua promessa. Não pedi nada!

– Bem. O longo tempo deixou feia a sua cruz. Vamos começar mudando, pintando-a de azul!

– Como? Não entendi.

– Sim, vamos pintar a sua cruz de azul.

– Não acredito que mudar seria isso.

– Viu? Eu não disse que você já acha o feio da cruz o belo do costume? Eu pinto-a para você. Pronto!

– Não é que ela ficou mais bonita.

– Que bom. Pensei que você fosse questionar a cor.

– Não me engana, você já devia saber que gosto do azul!

– Resolvido?

– Resolvido? Só isso?

– E já não foi uma grande coisa que eu fiz por você?

– Mas eu pensei que você fosse desaparecer com essa cruz!

– Fui.

Ao chegar em casa depois da caminhada matinal e enquanto descalçava o tênis, Marcos André repensou o diálogo que tivera com o que ele chamava de seu guia espiritual, e moído pelo esforço físico que fizera, estava finalmente convencido de que começaria bem o dia, arrastando agora uma bela cruz azul.

(*) José Correia Baptista é formado em Ciências Sociais e em Letras pela UFF.

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Dia 20 de outubro de 2021 e alguns aposentados ainda não receberam seu salário de DEZEMBRO/2020. Muitos contribuíram para o IBASCAF , que este ano comemora 40 anos , desde da sua fundação que inclusive foi promovida na época pelo governo do atual prefeito. Uma iniciativa importante que , infelizmente, com o passar do tempo foi vilipendiada por sucessivos governos levando esse instituto ao estado lamentável que ainda se encontra.

Pagar os servidores em dia é uma característica louvável desse governo, embora essa premissa seja a obrigação de quem assume a gestão do poder público eleito pelo voto popular.

Mas é preciso alertar os servidores efetivos que hoje estão na ativa da necessidade de fiscalizarem a destinação dos descontos que religiosamente são feitos nos contracheques para garantia de uma aposentadoria no futuro na qual não venham a passar por essa situação que nós aposentados estamos vivenciando nestes últimos anos.

Importante também é lutar por Eleição Direta para a direção do IBASCAF para garantir sua autonomia como instituição dos servidores municipais e não do governo de ocasião.

Espero que o governo priorize definitivamente pagar o atrasado dos aposentados para encerrar essa novela que se arrasta em plena pandemia e que, certamente, não valerá a pena ver de novo.

Luiz Américo Figueiredo

Professor

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Observação de Aves em Cabo Frio

Eduardo Pimenta

A cidade localiza-se na baixada litorânea da Região dos Lagos, em sua fração continental é cercada pela Lagoa de Araruama, um ambiente peculiar hipersalino. Já em sua fração litorânea, é cercado por um oceano rico em nutrientes devido ao fenômeno da ressurgência que atrai grandes cardumes de peixes. Este cenário composto por um somatório de influência oceânica, lagunar, restinga e estepe arbórea aberta oferta grande quantidade de invertebrados, peixes, flores, frutos e sementes, atraindo uma infinidade de aves residentes e migratórias.

Passarinhar é algo muito prazeroso e contribui para conscientização da valorização da vida, como também para um maior senso de preservação ambiental. As aves são necessárias ao equilíbrio ecológico, além da beleza de sua plumagem e de seu canto, atraem turistas de elevado consumo com baixo impacto ambiental, que tanto necessitamos. Motivado por essa demanda e pela possibilidade de promover o esporte, a ciência e o lazer, foi criado o Grupo de Estudos das Aves de Cabo Frio-GEAves\UVA, que através da observação e de registros fotográficos promove o inventário das espécies e a determinação do status de conserva, subsidiando as prefeituras para a tomada de decisão objetivando a gestão ambiental e o incremento turístico em nosso território.

As informações levantadas geram uma lista hierárquica dos taxons pertencentes às classes ocorrentes e subsidiaram a confecção de um Guia de Aves de Cabo Frio e a publicação de um livro sobre as Aves da Lagoa de Araruama. Que podem ser adquiridos pelos observadores e orientar roteiros do que observar. Há uma grande variedade de atrativos, desde as aves endêmicas, residentes e migratórias. Dentre as mais procuradas para observação destaca-se o Formigueiro-do-litoral (Fomicivoralittoralis) endêmica das restingas arbóreas e caracteriza-se por um canto imponente e por se deslocar próxima ao solo.

Entre as migratórias, muitas se destacam, entretanto oMaçarico-branco (Calidrisalba) chama a atenção por chegar em grandes bandos a procura de locais de alimentação e descanso após migrarem de Nova Jersey nos Estados Unidos. Outro migrante regular que chama a atenção por sua plumagem colorida e seu grande porte é o Flamingo-chileno (Phoenicopteruschilensis) em frações remotas de salinas da Lagoa de Araruama.

Enfim, o que não faltam são atrações representadas ainda por diversas saíras, batuíras, colhereiros e pinguins que somados a uma flora e frutificação impar promovem um cenário natural de tirar o folego dos visitantes. Fazendo de Cabo Frio e seu entorno uma área de grande potencial de turismo sustentável de baixo impacto.

(*) Biólogo, M.Sc. em Engenharia de Produção, Coordenador De Pesquisa e Extensão da Universidade Veiga de Almeida, pesquisador The International Commission for the Conservation of Atlantic Tunas, consultor estratégico do Projeto Albatroz, Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João e membro da Academia Cabofriense de Letras.

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Primo

Marcos Antônio de Paula

Perdoa, afinal ele é seu primo!

Na realidade, era enteado do meu tio, que minha mãe cismava de querer socializar com o resto da família.

Meu tio Cesinha era gente boníssima. Mas desconfio que, mesmo ele, só aturava o moleque por obrigação.

A gente se desentendia sempre naqueles encontros familiares. É necessário dizer que a molecada desconhece essa palavra. Era porrada mesmo, com o placar sempre desfavorável, afinal as mães precisavam mostrar que tinham o controle da situação.

Se havia algum motivo, não me lembro mais. Um dia acabou. Ficamos amigos, inseparáveis.

O que foi péssimo negócio para as mães. Ninguém era mais criança e um acobertava as armações do outro.

Até que apareceu Lurdes.

Por esperteza, maldade, sabe-se lá outro motivo, ficava com um e outro e com nenhum dos dois. Nossa cumplicidade não fazia páreo com Lurdes. Não brigamos, apenas nos afastamos.

Tio Cezinha virou deputado e arrumou uma assessoria para o enteado lá em Brasília. O menino era esperto, arrumou uma rede de amigos, não se sabe o que faz, nunca mais voltou.

Dia desses nos reencontramos no centro do Rio. Ele ia na ALERJ fazer qualquer coisa. Eu, em bando, estava lá protestando, sem muita convicção.

Não havia inimizade. Entabulamos uma conversa solta, como se tivéssemos nos visto no dia anterior. Eu tinha pouco que falar da nossa cidadezinha, ele, prudentemente, pouco falava das andanças na capital do país.

Era inevitável.

E Lurdes?

Afinal nunca levou a sério a paixão dos primos. Mas sentiu, sinceramente, por lhes ter abalado a amizade.

O que não lhe ofuscou o propósito. Tio Cesinha já tinha certa idade, então mudou seu interesse para um jovem político com carreira ascendente.

Se tudo der certo, será primeira dama em nossa cidade no ano que vem.

(*) Ciências Contábeis/UFF.

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A EXPULSÃO!

A expulsão!

A tentativa de invasão do tradicional café por bolsonaristas raiz foi frustrada pela ação imediata do professor José Américo Trindade, mais conhecido por Babade. Indignado, com o volume de besteiras proferidas, expulsou os bolsonaristas, chamando-os de “Macaco Tião”, sob aplausos dos amigos e transeuntes.

Olhar atento

Um assíduo leitor do Blog quando soube da inauguração do Hospital UERJ/SUS logo colocou: “somente uma alma bolsonarista poderia imaginar que a universidade pública permitiria ser usada para propaganda de extrema direita. De imediato veio o troco, a unidade hospitalar ganhou o nome do ex-reitor e um dos fundadores do SUS, Hesio Cordeiro.”

Apelando?

O ex-vereador Jefferson Vidal ainda não conseguiu assimilar a sua exoneração do governo de José Bonifácio. Passados meses de sua saída, ele e seu grupo continuam reclamando em nível muito baixo, numa espécie de “boca maldita”, na área da saúde.

A torneira fechou?

O ex-vereador Vidal sempre teve na saúde pública municipal seu principal instrumento político para se eleger e reeleger, inclusive lançando sua candidatura a prefeito. Pelo nível da insatisfação, que expressa nas redes sociais, parece que a torneira que irrigava o seu eleitorado fechou. Afinal, vivemos em plena crise hídrica.

Praça Tiradentes

A secretaria de meio ambiente, leia-se Juarez Lopes, vem se destacando com plantio maciço de mudas pela cidade, mas peca justamente na Praça Tiradentes. Afinal, a praça onde está tratamento paisagístico de melhor qualidade: é uma tristeza! Ah! É preciso podar as pitangueiras da Avenida Assunção.

Monstrengo urbanístico

O projeto paisagístico que tornou a histórica Praça Porto Rocha um cemitério de jazigos e com um piso, que a cada chuva encaminha meia dúzia às clínicas ortopédicas até hoje não tem pai e nem padrasto. Foi realizado no apagar das luzes de um dos governos de Marquinhos Mendes. Passou da hora de livrar a cidade desse monstrengo urbanístico.

A candidatura!

Os cabos e sargentos eleitorais do ex-prefeito Alair Corrêa, em sua quase totalidade foram capturados pela extrema direita. Acostumados durante muito tempo a ficar sob alguma árvore oficial ou mesmo oficiosa, ficaram ao sol e a chuva e buscaram o guarda-chuva da hora no bolsonarismo. Por essa e muitas outras é que o “socialista/comunista” se confirmar a candidatura o fará em dobradinha com o bolsonarismo.

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Primeiros Passos

Marcos Antônio de Paula

Lá no início dos anos 1980 a editora Brasiliense publicou uma série de livros de bolso com quase todo tipo de assunto. Era a coleção Primeiros Passos. Muita gente boa escreveu para a série e os livrinhos ajudavam à beça. Não tinha Google nem Wikipedia. A gente se virava como podia. Me salvaram em alguns trabalhos em que eu nem sabia por onde começar…

“O que é Cibernética,”, comprei por mera curiosidade e me permitiu conhecer o básico do básico daquela ciência. Não era a minha praia.

Não que qualquer livro daquela época, mesmo alguns mais avançados, pudesse antever a explosão tecnológica dos 40 anos seguintes.

Hoje a convivência com a tecnologia é corriqueira até demais. Basta ter um smartphone e o mundo se abre. Nossa dependência da tecnologia digital criou novos produtos, novos empregos, desempregos, formas de ganhar dinheiro, de se relacionar, inclusive emocionalmente, novas verdades, enfim, uma nova realidade.

Vez ou outra, exaustos dessa imersão, da intromissão, pouca privacidade, vigilância ininterrupta de tudo que fazemos, acho que muitos já pensaram se não estaríamos melhor sem tudo isso. Um mundo tranquilo, “de antigamente”.

Os confortos, avanços e a praticidade do mundo tecnológico moderno talvez não compensem o preço que pagamos. Um custo pessoal crescente. Tem quem diga que é um caminho sem volta. E aqueles que acham que é apenas uma das muitas possibilidades à nossa disposição.

Dias atrás, quando ocorreu o “apagão” dos aplicativos do conglomerado Facebook, vi gente se perguntando o que aconteceria se toda essa tecnologia, de repente, parasse definitivamente.

Algumas coisas talvez demorassem um pouco mais para normalizar e soluções nunca imaginadas surgiriam aqui e ali. Chegaríamos aos mesmos resultados por caminhos diferentes.

Se duas coisas ou pessoas conseguem fazer o mesmo trabalho, um pode substituir o outro. Um robô substitui um operário, uma colheitadeira, um agricultor, um computador pode ficar no lugar de um analista, um smartphone no lugar de um bancário, médico, advogado…

E, eventualmente colheitadeiras, robôs, computadores, smartphones, câmeras fotográficas, e, porque não, aplicativos, programas e a própria internet podem ser substituídos por quaisquer outras coisas que façam o mesmo trabalho.

Era essa a ideia daquele livrinho maroto. Fazer pensar que tudo ao nosso redor pode ser visto e/ou recriado de outra maneira e ainda assim nos levar ao nosso destino.

Se não existissem nossos queridos brinquedos cibernéticos, teríamos inventado qualquer outra coisa para botar no lugar.

Muda pouco o que realmente move o homem.

(*) Ciências Contábeis/UFF

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